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   > Livre Arbítrio



Margarete Ribeiro Salomão
      ENSAIOS

Livre Arbítrio

                     Livre Arbítrio
 
       Livre arbítrio significa liberdade de escolha. Como poderia um escravo egocêntrico ter liberdade de escolha?  Vivemos a serviço das nossas Imagens Idealizadas, sempre em busca da realização de desejos intermináveis e da proteção contra medos infindáveis.
     O mito bíblico sobre Adão e Eva representa uma metáfora da condição humana na Terra. Em nossa condição genuína, somos dotados de livre arbítrio. Todavia, em seguida ao nosso nascimento, passamos a construir nossos egos. Então perdemos nosso livre arbítrio, pois como escravos do ego, somos dominados pelos nossos medos e desejos. Os quais são devidamente incitados pelo sistema dominante planetário através da mídia, do cinema, da literatura, das religiões, etc. Nossa idealização egocêntrica busca nos melhorar, mas nos leva a construir o Eu Idealizado e a Inconsciência Coletiva. O próprio tirano criado por nós, nosso Eu Idealizado, nos mergulha no inferno representado pelo Inconsciente Coletivo. É interessante observarmos como a história da criação de Frankenstein, ironiza com excelência nossa idealização de nós mesmos. Foi escrita pela escritora britânica nascida em Londres, Mary Shelley. Ela o escreveu quando tinha apenas 19 anos de idade. Foi publicado em 1918.
   Cativos do ego, mantemo-nos em fuga de medos, utilizando para isso, inúmeros mecanismos de defesa, principalmente religiosos. Os quais, apenas nos aprisionam ainda mais na teia egocêntrica. Nosso ego jamais pode se contentar: assim nos mantém na
perseguição de desejos que, no entanto, nunca nos saciarão. Mas quando nosso ego ficar devidamente equilibrado, reassumiremos nossa inocência não julgadora do bem e do mal. Então acessaremos nosso livre arbítrio. Nesse estado, deixaremos de corresponder ao comando tirano da Imagem Idealizada, para a qual nunca algo é bom o bastante. Assim acessaremos a Nossa Verdade --nossoregresso para casa”. Tal situação está representada na Parábola Cristã do Filho Pródigo: significa a consciência que somos se tornando consciente de si mesma. Significa o resgate da nossa integridade e da nossa unificação com todos no agora.
    Personagens bíblicos representam arquétipos com um traço em comum envolvendo transgressão de regras pré-estabelecidas. Significando que acessaram o livre arbítrio e se direcionaram ao desafio do novo. Pois ao acessarmos nosso livre arbítrio, decidimos abdicar do pressuposto estado de conforto e segurança: decidimos trilhar caminhos que nunca antes foram trilhados. Somente sairemos da segurança representada pelo cumprimento “cego” de regras arcaicas e disfuncionais, quando tomarmos posse do nosso livre-arbítrio. Então deixaremos um legado representando a possibilidade humana de acesso ao novo.
   Ainda não percebemos o padrão egocêntrico que nos impede de conhecer a nossa genuína criatividade de bem-aventurança para todos. Ainda não atingimos o estágio da Nova Era da Humanidade Desperta – a “Terra Prometida” ou a “Nova Terra Habitada Pela Nova Humanidade”. Nosso contínuo giro reativo egocêntrico impede a nossa boa vontade ao presente e nos impede de conhecer a eternidade contida em cada desdobrar do agora. O agora é a bíblica “Arvore da Vida”, com seu contínuo desdobramento em novos galhos.
       Nosso ego se torna equilibrado quando resgatamos do inconsciente nossos aspectos levados para lá pela nossa autoidealização.  Nesse estado equilibrado, contemplamos ambos os lados dos opostos a cada situação cotidiana.  Então desistimos de efetuar o sistemático julgamento do bem e do mal. Quando trazemos para a consciência todos os opostos que nos constituem, permitimos que eles se complementem num todo harmonioso, formatando o caminho do meio ou Elo Vital que nos unifica. O livre arbítrio faz parte da nossa inteireza unificada. 
        Toda forma de fanatismo nos separa. Ter uma religião e ser contrário aos ateus é estar no mundo pela metade, é estar com o ego em desequilíbrio. Da mesma forma que o é o ateu posicionado contrariamente aos religiosos. Os diferentes partidos políticos, assim como os diferentes credos religiosos e ateístas em torno do mundo, são facilitados pelos nossos dominantes para nos dar a impressão de liberdade de escolha. Mas, na verdade, deixam-nos digladiando entre nós. É assim que nos separam, reforçando a nossa inconsciência, para que não possamos perceber o status quo.
          A mídia difunde ser responsabilidade da maioria a sustentabilidade planetária, incitando o partidarismo Pro Ecologia: mais uma forma de manter nossos cérebros funcionando ininterruptamente, dificultando-nos a perceptividade da verdadeira realidade, muito diversa daquilo que a Matrix nos faz acreditar. Pois a nossa análise cerebral é separativa, envolvendo a comparação e o julgamento separador do bem e do mal em nós e à nossa volta. Portanto, mantém-nos separados e cada vez mais distantes da Nossa Verdade.  Sabemos que o lixo doméstico representa uma parcela ínfima em comparação com o absurdo quantitativo de lixo gerado na produção desenfreada deste sistema incitador do consumismo. Pois busca lucros a qualquer custo, enquanto nos induz a assumir a responsabilidade pela destruição planetária, pela fome e pela miséria das criancinhas da África. Este sistema que se encontra no domínio do mundo desde eras remotas mantém acionado o “botão” do nosso complexo de culpa, deixando-nos facilmente domináveis e ignorantes da existência do verdadeiro "Buraco Negro".
       Segue-se, abaixo, uma lenda oriental que ilustra o nosso desconhecimento sobre a essência unificada Daquilo-que-é:
      Uma pequena onda percebeu que não era igual às outras e disse:
     “Vejo tantas ondas maiores e mais poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil...”
      Mas outra onda lhe respondeu:
     “Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas a tua natureza original. Anseias egoisticamente por aquilo que não és, e mergulhas em autopiedade!”
       Então a pequena onda replicou:
      “Mas, se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”
        E, ouviu a seguinte resposta:
      “Ser onda é temporário e relativo. Não és onda. És água!”
       Ao que replicou pasma:
    “Água? E o que é água?”
       E, obteve como resposta:
      “Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egoica insatisfação.”
        Uma forma de entendermos a nossa essência seria imaginarmos um oceano, cujas ondas fossem possuidoras de capacidades cognitivas e emocionais. Então, quando o mar estivesse de ressaca, poderíamos imaginar essas ondas pensantes a se sentirem fazedoras e autônomas: indo para lá e para cá, ultrapassando obstáculos, agindo com presteza, trabalhando, sendo cuidadosas, sendo caprichosas. Ou, criticando outras ondas não tão rápidas ou tão astuciosas quanto elas estariam se julgando ser. Mas, em seguida, viria a calmaria e interromperia a curta e equivocada existência de onda.
        Nesse contexto imaginário, a única realidade é o oceano e, a equivocada identidade de “onda” apenas significa o movimento desse oceano. Também nós, equivocamo-nos de que nossas personalidades sejam a nossa verdadeira realidade. Mas elas são meramente um tipo de movimento transitório do Todo Magnânimo, que verdadeiramente somos.
        Nós também nos sentimos fazedores em nossas vidas diárias, mas é o Todo que vive em nós, é o Todo que respira em nós. Verdadeiramente, somos o silêncio assertivo, infinito e criativo, profundamente abaixo das aparências superficiais do mundo físico. Poderemos despertar para a nossa verdadeira realidade unificada: basta nos abstrairmos do ego ou personalidade, para imediatamente adentrarmos o agora.
         Ninguém pode realizar tal proeza, além da duração de um breve flash de vislumbre da verdadeira realidade ou agora. Ela acontece quando “há ninguém” para realizá-la, pois assim que nosso cérebro a registra, ela deixa de ser presente e se torna um arquivo do passado. Buda chamou de Nirvana apercepção da nossa comunhão com Deus -- a palavra “Nirvana”, em sânscrito, pode ser traduzida como "o apagar da vela", “o apagar da chama do eu”. Portanto, não há mais alguém para realizar algo: "há ninguém".
        Por isso, ninguém consegue manter tal beatitude por muito tempo. Assim que aquele centro (o ego) tenta dela se apoderar, imediatamente ela deixa de ser presente. O que está na esfera do tempo jamais alcançará o atemporal.
        Mas podemos nos lembrar de deixar acender em nós o breve flash do incognoscível! Podemos fazer isso quantas vezes quisermos. Podemos fazer isso inúmeras vezes a cada dia, pois depois do primeiro vislumbre, isso se tornará o nosso refúgio! Então passaremos a viver como uma pessoa sedenta, em busca da única essência que será capaz de aplacar a nossa sede.         
          O nosso ego devidamente equilibrado suspeitará haver mais na vida do que o limitado circuito de desejos e de medos. Sobretudo, o equilíbrio do nosso ego nos permitirá buscar a transcendência para além do egocentrismo, decidindo se entregar com rendição e boa vontade ao momento presente. Somente então acessaremos a Nossa Verdade. Ao acessar o livre arbítrio, nosso ego decidirá “viajar” para muito além da nossa insaciável busca por realização de desejos egocêntricos, e para muito além da nossa interminável fuga de medos. Estávamos na escuridão e agora tivemos um flash de luz, então não podemos mais viver sem estarmos em busca de mais luz. Contudo, enquanto não acessarmos o presente, continuaremos em sintonia com o Inconsciente Coletivo, repleto de dor e de sentimentos contraditórios de carência e de medo. E continuaremos a sustentar a separação que o medo e a carência subsidiam. Nesse estado, nossas criações são norteadas por interesses contraditórios, incoerentes, imaturos, gananciosos, medrosos e destrutivos, que resultam em desastres ambientais e sociais.
   Não sabemos que repetimos um padrão reativo a cada questão existencial. Entretanto, enquanto nos mantivermos condicionados por nossas reatividades egocêntricas, passaremos as nossas vidas em sofrimentos, dominados pelo egocentrismo e presos no giro egocêntrico, em torno de um ponto estagnado no passado. Nesse estado, sentimo-nos “fazedores” e nos percebemos cada qual como um deus para o seu mundo particular. Persistimos em busca da realização de desejos insaciáveis, enquanto ao mesmo tempo nos sentimos indefesos e inseguros, em busca de proteção. De forma compulsiva, compramos os melhores carros, as melhores roupas, as mais saborosas iguarias e viajamos para localidades consideradas exóticas. Porém, nunca atingimos a plenitude, não importando os recursos materiais a que, porventura, tenhamos acesso.
       Quando seguimos as vontades instintivas em nossa busca incessante pelo prazer egocêntrico, prejudicamos a nossa própria saúde e causamos danos ao nosso entorno. Pois, devido à nossa interconexão com todos, sempre que nos prejudicamos, alteramos tudo à nossa volta. Todavia, a nossa reatividade sempre crescente nos deixa no passado e em sintonia com o Inconsciente Coletivo, trazendo-nos o sofrimento que culminará por nos direcionar para a adoção de uma postura de rendição, aceitação e boa vontadeÀquilo-que-é. Livres do controle da Imagem Idealizada, “regressaremos para casa”, para a Nossa Verdade, e assim acessaremos nosso livre arbítrio. Mas enquanto continuarmos sendo controlados pelos nossos egos, continuaremos distantes da Nossa Verdade, e o nosso livre arbítrio não poderá ser acessado. Por isso, não existem culpados ou vítimas nos mais variados setores da existência humana. Apenas somos levados pelas circunstâncias da vida, durante todo o percurso do nosso “mergulho” na existência terrestre, enquanto permanecermos “fazedores” separados e autônomos.    
         A maioria de nós ainda não atingiu o equilíbrio do ego. Portanto, a maioria de nós ainda não acessou o nosso legado de seres dotados de livre arbítrio. Entretanto, quando o nosso ego se encontrar devidamente equilibrado poderemos acessar o livre arbítrio. Manifestaremos aceitação com boa vontade a cada momento presente, independente do seu conteúdo. Pois entenderemos que as situações desfavoráveis em nossas vidas são colheitas das nossas ações passadas equivocadas. Descobriremos então que a Nossa Verdade nos levará à compreensão da nossa ausência de culpa: perdão incondicional para todos.  Então ficaremos completos sem nada a desejar ou a temer, e todas as nossas ações se tornarão adequadas. Assim atingiremos sempre os melhores resultados, ainda que em muitas ocasiões não os entendamos de imediato.
        Quando percebermos que tudo está como deve ser, manifestaremos aceitação com boa vontade ao momento presente, independente das circunstâncias contidas nesse momento. Assim nos manteremos com acesso permanente às melhores soluções para o nosso mundo interconectado. Somente então assumiremos o nosso legado de seres dotados de livre arbítrio e poderemos escolher o que virá além da satisfação imediata de um desejo, porque não mais seremos comandados pelos nossos desejos egocêntricos insaciáveis. Ao assumirmos uma conduta de rendição, com aceitação e boa vontade Àquilo-que-é, mesmo a dor mais pungente será amenizada, porque nossa Presença Verdadeira desconhece o medo que a tornaria terrível.
       A complexidade mental humana nos garante a instalação do programa de separação e de autonomia, o qual nos permite enxergar a Nossa Verdade, a partir do contraste que é a limitação material. Mas enquanto nos demorarmos nesse estado de identificação egocêntrica, permaneceremos distantes da nossa Verdadeira Presença. Permaneceremos assim até que tenhamos atingido o equilíbrio da nossa personalidade pelo resgate de todos os opostos que nossa Imagem Idealizada tornou inconsciente ao longo de décadas. Então acessaremos a nossa unificação no presente – onde o caminho estreito está representado pelo Elo Vital Criativo nos une e nos move em direção à criatividade genuinamente coletiva -- nosso “regresso para casa”.
      Entrar e sair da sensação de separação e de autonomia conferida pela nossa existência na limitação material é como entrar e sair de um labirinto. A porta de saída é a mesma de entrada – o ramo descendente da dupla espiral do nosso ego, o qual nos confere a sensação de depressão. Mas, em verdade, esta é a porta de saída, através da qual, teremos a possibilidade de acesso ao famoso “caminho estreito”. Aquele caminho que irá nos direcionar à nossa unificação grandiosa e criadora de bem aventuranças coletivas – a Nova Era na Terra.
      A nossa desventura é representada pela grande dificuldade de acesso ao nosso estado de liberdade de escolha em Nossa Verdade, simplesmente porque ainda a desconhecemos. Envolvidos em nossos condicionamentos egocêntricos, pensamos que somos a Imagem Idealizada, e desconhecemos que Ela esteja a nos aprisionar no passado.
       Como buscar por liberdade, quando desconhecemos que somos prisioneiros?    
        Entretanto, a cada dia se alarga a abertura da nossa percepção daVerdade: o “véu egocêntrico” se afina à medida que nele se abrem “frestas” representadas pelos repetidos flashes da nossa presença no agora.                                                                                                          

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