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   > O homem que inventou o suicídio!



Erix Oliver
      CONTOS

O homem que inventou o suicídio!

 Era uma vez uma pequena cidade, com pouco mais de quarenta habitantes. A cidade, isolada do resto do mundo, vivia sem tecnologia, e negava fazer parte da sociedade. Eles não eram canibais, não eram indios. Eram pessoas normais que queriam, não, eram obrigadas a viver como antigamente. Se alguém via algo tecnológico, deveria avisar imediatamente o xerife. Este destruiria o objeto tecnológico. Era assim que funcionava. Um dia eis que um homem, totalmente desenformado, saiu para passear pela mata. Junto a ele estavam seus cinco celulares e um notebook. O homem, cançado, decidiu acampar no local onde estava. Acordou de manhã, ainda bem cedo, e foi andando. Foi então que ele chegou nela, a cidade que vivia como antigamente. Quando entrou, foi recebido com gritos de horror das pessoas. O homem ficou indignado. Por que estavam correndo dele? Ele estava ouvindo músicas em seu fone de ouvido. O povo da cidade falava a mesma lingua que o homem, e um deles, curioso, aproximou-se dizendo:
-Com licença, posso ver essa coisa estranha que vocês carrega?- disse ele, apontando para o celular.

-Claro, mas com uma condição. Quero saber porque todos sairam correndo quando entrei!- disse o homem.

-Nessa cidade, somos proíbidos de usar qualquer coisa com tecnologia. Quando eles veem algo tecnológico, saem correndo contar ao xerife. E o xefire vem e destroi tudo!-exclamou o cidadão.

-Então é isso. E, diga-me outra coisa, por favor. Por acaso vocês sabem o que acontece uqando alguém destrói um objeto tecnológico?- pergunta o homem

-Não, eu não sei. O quê acontece? -pergutou, intrigado, o cidadão.

-Essa pessoa deve se suicidar! Se o xerife destruiu algum objeto material, ele deve cometer suicidio!

-E o quê é suicidio?

-Suicídio é quando uma pessoa, por exemplo, pega uma arma e da um tiro na boca - disse o homem, planejando algo.

-Mas assim nosso prefeito morreria! -disse assustado o cidadão.

-Isso é suicídio. E então, a pessoa mais ligada à tecnologia dentre o povo deve assumir o comando -disse o homem,tendo uma idéia toda formada.
 O xerife chegou, e o cidadão, enganado pelo homem, contou aquilo ao xerife. O xerife, por sua vez, sentindo-se culpado, pegou uma arma e deu um tiro na boca. A bala quase atravessou seu crânio, e sangue voou por toda a parte. O homem foi convidado para ser o novo xerife da cidade. Este trouxe tecnologia à cidade, e viveu rico e feliz por muito tempo. Porém, mentira é mentira. Navegando na internet, o cidadão que conversara com o homem no dia em que este chegara à cidade, descobriu que aquilo era mentira. Indo queixar-se com o xerife, viu-o atirando seu celular no chão:

-Essa porcaria não presta mais! Droga!

-Xerife! Não posso acreditar no que você fez! Além de mentir, ainda assim atirou no chão um objeto tecnológico. Mesmo sendo mentira, exijo que você cometa suicidio, o pecado você escolhe!

 O homem escolheu o de ter mentido, e, reunindo a cidade inteira, pegou sua arma. Porém, ao invés de se matar, ele atirou em todos. Rearregava, atirava. Recarregava, atirava. Recarregava, atirava. Assim ele exterminou todos. Então, o homem foi à sua cidade natal, comprou veneno para ratos e tomou, morrendo assim rápidamente e com poucas dores. Graças a isso, uma cidade que era feliz antes da tecnologia, deixou de existir, sobrando apenas uma cidade fantasma cheia de esqueletos mexendo em seus celulares, já ultrapassados.

Fim                        
                                                                             Erix Borges

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