Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (641)  
  Contos (940)  
  Crônicas (724)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (217)  
  Pensamentos (651)  
  Poesias (2529)  
  Resenhas (131)  

 
 
Passagens-03-114
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)



Objetos-03-133
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)






   > A Sogra



Vanderlei Antônio de Araújo
      CONTOS

A Sogra

 Ultimamente, ele vinha notando que sua sogra, uma mulher muito bonita e atraente, estava interessada nele. Deu-se conta disso, quando percebeu que a maneira de ela agir estava mudada. Antes ela se trajava de qualquer jeito. Agora não, vestia-se como se quisesse ser notada por ele de um modo especial, exibindo-se de todas as maneiras, usando como isca, seu corpo voluptuoso e sensual. E o pior é que ela nem procurava disfarçar.
Inicialmente, ele achou que era tudo por acaso, mas com o tempo entendeu muito bem o que ela queria. Manietado, porém, pelo fato de ser seu genro procurava desestimulá-la, mais preocupado com a esposa do que pelo que poderia acontecer. Às vezes, rogava aos santos sua proteção com medo de não resistir aos apelos da carne. O remorso o reprimia inconscientemente.
A sogra com o tempo,foi ficando cada vez mais abusada, deixando o decote desabotoado, cruzando as pernas de maneira provocante, enfim, lançando mão de todos os recursos sensuais de que uma mulher bonita dispõe para seduzir um homem. Quando ela se sentava à sua frente e, propositadamente, levantava a saia, deixando a mostra um pedaço da coxa, desviava os olhos, embora não conseguisse mantê-los longe por muito tempo, mesmo fazendo um esforço enorme para não olhar. Apanhado em flagrante, disfarçava-se com medo de que aquilo poderia incentivá-la.
E assim, por vários dias, prosseguiram nesse jogo de gato e rato. Ela, a persegui-lo com gestos e olhares maliciosos e convidativos, e ele, de vez em quando, respondendo positivamente, mas com alguns trejeitos de negação pouco convincentes. O maior medo era de que sua mulher percebesse aquilo. Só não entendia porque ela ainda não havia notado nada. Mulher fareja tudo. Entretanto, nunca viu nela o menor sinal de desconfiança. Também pudera, sempre fora uma desligada. Tinha uma fraqueza de espírito que a fazia ingênua e sem malícia. No entanto, no seu íntimo, por puro machismo ou vaidade, os sentimentos foram mudando, e, entre o medo e o desejo, ele se entregou às fantasias sexuais, e o pior, passou a gostar das exibições cada vez mais provocantes da sogra.
E assim, já interessado, passou a procurar uma maneira de envolvê-la num plano que resolvesse a situação de uma vez. Seria uma jogada que no mínimo revelasse a verdadeira intenção dela, e não  provocasse a desconfiança da sua mulher. Se desse certo poderia até ficar com as duas. Domingo pela manhã, saiu a rua, e ao comprar o jornal, imediatamente, veio-lhe uma idéia que se bem representada, desmascaria a sogra e resolveria seu problema.
Em casa, sentou-se no sofá da sala e começou a ler o jornal. Na verdade, fingia ler. Na cozinha, sua mulher preparava o almoço, enquanto a sua frente, a sogra de pernas cruzadas, folheava algumas revistas velhas e como sempre, de olho nele. Segurou o jornal à altura dos olhos e depois, muito lentamente, o abaixou. Olhou de rabo de olho para ela e viu que a danada não tirava os olhos dele. Voltou ao jornal e fingiu ler, novamente. Em seguida, fazendo-se de assustado com uma noticia no jornal, gritou:
- Epa! Vejam isto aqui, que absurdo! O mundo está mesmo ficando doido, nunca vi uma maluquice dessas.
E sem tirar os olhos do jornal, leu em voz alta, fingindo preocupação:
- O governo acaba de assinar uma lei que obriga genro a se casar também com a sogra.
Sua mulher saiu correndo da cozinha, de onde ouvira tudo, segurando uma travessa e gritou indignada:
- O que? O que você disse? Que lei besta é esta. É o fim do mundo, mesmo!   - Onde já se viu o governo obrigar genro a se casar com a sogra? O mundo está ficando cada vez mais doido.
Disse isso em sua voz mais afetada, mas sem nenhuma maldade. Rapidamente sua mãe, retrucou:   - Volte para a cozinha minha filha e deixa de ser boba - Lei é lei e tem que ser cumprida


CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui