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   > Uma música no Submundo



Jefferson Nóbrega
      CONTOS

Uma música no Submundo

 Na penumbra de uma viela o chantre continuava com sua melancolia ritmada, ao qual chamava de canção, enquanto o capitão das forças do norte passava acompanhado de quatro cavaleiros que o escoltava. As montarias adentraram na estreita rua, que como todas de Sinistria, era caótica. Quase atropelaram algumas crianças que brincavam nas sombras. O alaúde começou a ser dedilhado e a música era ecoada pelas paredes de pedra.

Maldito seja oh!
Quem te traiu minha amada;
Tal crime faz-me inquieto!

Tu que és linda e honrada
Verás a justiça ao seu conspecto;

Triste mais, um filho fiel pagar
Pela ingratidão de quem não sabe amar!

Oooh Ooh Oh!

— Tirem esse vagabundo de meu caminho — ordenou, Froster Sanfire comandante das forças nortenhas. Prontamente os chicotes foram desenrolados e as vergastas zuniram, o cantor saiu do caminho antes que o acertassem. Mas, as notas continuaram sendo soadas, e a voz elevou-se:

Amada sorria;
Seus víndices chegaram;
Os fementidos serão combustos;
Tua ternura, infames, recusaram!

As ruas das cidades próximas ao portal eram tortuosas, apertadas, casas sobre casas, calojis com escadarias frágeis. Todas sem exceção eram extremamente perigosas. As forças de Sinistria não eram capazes de combater as centenas de grupos de bandoleiros existentes, por isso a escolta do comandante estava atenta. O músico agora executava um frenético dedilhado e as crianças dançavam em roda. Os chicotes estalaram para que saíssem do caminho do grupo de soldados. Pessoas nas janelas observavam atentamente, enquanto as mães puxavam seus filhos. A voz do cantor aumentou em uma melodia mais animada:

Vendeta, vendenta
Oh doce e saborosa, vendeta!

As vergastas estalaram mais uma vez acertando as crianças. As pessoas nas janelas começaram a gritar. Xingavam. Os chicotes voaram na direção de populares que estavam na rua. O músico acelerava ainda mais suas cordas e todos gritavam com furor. Objetos eram lançados contra os cavaleiros. O comandante imprecava maldições. Aceleraram seus cavalos, jogando-os em direção dos moradores na estreita rua. Sanfire atropelou uma mulher. Os chicotes zuniam. Dois de seus cavaleiros caíram mortos ao seu lado com setas cravadas no corpo. O capitão nortenho desembainhou sua espada, seus subalternos tentaram fazer o mesmo, mas também desabaram com flechas cravadas no rosto. Sanfire começou a cavalgar rapidamente. Um vulto vindo de alguns dos telhados caiu sobre ele. No chão tentou recuperar sua espada, mas uma corda metálica foi envolta em seu pescoço, puxada com força, sua garganta sangrava, a corda apertava ainda mais, enquanto aquela voz cantava sussurrante em seu ouvido:

Vendeta, registo
A herança justa dos malquistos!

Froster sentia todo seu sangue fluir, caído, sem ar, engasgado, um alaúde no chão sem uma corda foi sua última visão antes das trevas o abraçar.



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