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   > Jesus e a riqueza.



RONAN ANTONIO DE MENDONCA
      ARTIGOS

Jesus e a riqueza.

JESUS E A RIQUEZA.
 Mc 10:17-27.
Naquele tempo, quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele, e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?” Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe!” Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” Mas quando ele ouviu isso, ficou abatido foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível.”
 
Ou Deus ou Mamom
Nesse estudo faz-se uma análise da perícope de Marcos 10,17-27 paralelo ao textos de  Q 16,13 (Mt 6,24//Lc 16,13) em que há uma crítica social e/ou uma advertência, um chamado ao monoteísmo. Seria esse logion palavras do Jesus de Nazaré? Ele nos remete a um dito pré-pascal, a uma norma de uma comunidade que caminhava com o Jesus Histórico e que estudiosos e críticos a denominam hipoteticamente como a comunidade de “Q”. Jesus falara a um movimento que não só optava pela pobreza como renunciava a riqueza. Jesus pregara a partilha completa e criticara uma sociedade que valorizava o prestígio e a riqueza. Nos textos propostos de Marcos, Q, Mateus e Lucas, Jesus vê na riqueza a cobiça egocêntrica que se apossa do coração do homem e assim o aliena de Deus. Servir a Deus e a Mamom, ou seja, às riquezas, é pura impossibilidade. Ele coloca o dinheiro em oposição a Deus.
 
 
 
BGT Luke 16:13 Ouvdei.j oivke,thj du,natai dusi. kuri,oij douleu,ein h' ga.r to.n e[na mish,sei kai. to.n e[teron avgaph,sei( h' e`no.j avnqe,xetai kai. tou/ e`te,rou katafronh,seiÅ ouv du,nasqe qew/| douleu,ein kai. mamwna/|Å
 

Q 16.13 Lc 16.13 Mt 6.24 Tomé 47
Ninguém pode servir a dois senhores. Ou se odiará um e se amará o outro, ou se é leal a um e se despreza a outro. Não se pode servir a Deus e ao dinheiro (riqueza).
 
Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há deodiar  a um e amar ao outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
 
Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar a um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.
 
 
Jesus disse: “Uma pessoa não pode montar dois cavalos ou pode dobrar dois arcos. E um escravo não pode servir dois mestres, caso contrário aquele escravo honrará o um e ofenderá o outro. Nenhum homem bebe um vinho velho e em seguida deseja beber um vinho novo; e não se põe vinho novo em odre velho, para que não se o quebre, e não se põe vinho velho em odre novo, para que não se o estrague. Não se cose um remendo de pano velho em roupa nova, porque se tornará um buraco”. 
 

                                 
Trata-se de um logion de Jesus registrado por uma comunidade primitiva que caminhava com Ele e que estudiosos costumam designá-la com a sigla “Q”. Nesse dito Jesus faz uma crítica social à sua época e aplica o monoteísmo ao comparar as riquezas “Mamom” a um Deus opositor a Iahweh.
Mamom –  Termo grego “mamwna/|”   é a transliteração do termo aramaico  “mãmônâ”, que aparentemente significa “riqueza” ou “propriedade”. Algumas traduções portuguesas preferem “riquezas”. Riqueza Provavelmente em sua origem, era termo Caldeu (mas também empregado pelo Siríaco e pelo púnico).
Alguns intérpretes opinam que, originalmente, a palavra proveio da mitologia, como nome de um deus qualquer (o deus das riquezas) e entrou nesses idiomas como sinônimo de riquezas. Segundo a mitologia grega, Mamom equivaleria a plutão, o deus das riquezas. A evidência em favor dessa idéia é fraca, e assim sendo a maior parte dos intérpretes acha que, a palavra significa riquezas, para então entrar como idéia personificada na mitologia. Jesus usou a palavra personificada a fim de indicar o deus das riquezas carnais em contraste com o Deus dos Céus, que possui as verdadeiras riquezas e que quer conferi-las a homens que vivam de conformidade com as suas regras. É impossível a alguém servir (como escravo) a ambos esses deuses.
Servir:no grego “δούλος” significa servir como escravo, indicando fidelidade total, sem reservas. É claro, portanto, que tal serviço não pode ser prestado a dois senhores. Embora essa palavra (riqueza) não figure no cânon palestino do A.T., aparece em Mt 6.24 (personificado Mamom), onde é enfaticamente declarado que ninguém pode servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamom. Lucas (riqueza, posse) por sua vez, contém a expressão “riquezas de origem iníqua” (16.9,11,13). Enfatiza-se o dinheiro da iniqüidade, não só adquirido de forma maldosa mas, devido a quase sempre a alguma desonestidade que há nas fortunas.
Alguns estudiosos descobriram que a frase “o servo de dois senhores” também aparece em fontes rabínicas no relato rabínico do rabi Shimeon bem Pazzi que diz: “(...) e o escravo é livre de seu Senhor, onde faz um midrash de Jó 3.19”. O homem, enquanto vive, é escravo de dois senhores: escravo de seu Criador e escravo de sua inclinação. Quando ele faz a vontade de seu Criador, enfurece sua inclinação, e quando faz a vontade de sua inclinação, enfurece o seu Criador. Quando ele morre, está livre, um escravo livre de seu senhor. Para o rabi Shimeon ben Pazzi, o homem, enquanto vive, é escravo de sua inclinação, mas depois de sua morte seu único senhor é Deus. Para ele a morte deixa o homem livre de um senhor, sua inclinação e passa a pertencer apenas ao outro Senhor, a Deus.
Tanto no relato rabínico como no de Jesus, o primeiro mestre é Deus. Jesus diz que “nenhum servente pode ser escravo de dois senhores”. No relato de Jesus, o segundo senhor não é a inclinação, mas sim as riquezas, ou Mamom.
A origem dos ensinamentos, doutrina, de Jesus parte de uma raiz, essênia. A opção de Jesus pela pobreza e seu  conceito de que a riqueza é um perigo religioso podem ser  reconhecidos como sendo de origem essênia: a mesma terminologia com a qual Ele expressa essas idéias apareça nos Manuscritos do Mar Morto. Os essênios eram insuperáveis na opção pela pobreza e para eles, a riqueza tinha um valor negativo. Um poeta essênio disse: “E a alma de teu servo abomina riqueza e ganho injusto, e escolheu prazeres que ele não deseja. Meu coração regozija em Tua aliança e em Tua verdade se deleita minha alma”.
Esse conceito essênio sobre pobreza e o relato rabínico segundo o qual o homem é “escravo de dois senhores, escravo de seu Criador e escravo de sua inclinação” permitiu com que Jesus adaptasse esse logion como os dois senhores do homem sendo Deus e a riqueza (Mamom).
Alguns estudiosos como: Ernest Renan, David Flusser, defendem que Jesus teria pertencido à comunidade essênia, outros discordam, mas todos aceitam que Jesus tinha certa admiração por alguns costumes de tal comunidade. Vários seguidores de Jesus viviam em grupos de diferentes locais, inclusive uns grupos de essênios. Portanto, os movimentos de Jesus acabaram tomando a forma de pequenos grupos reunidos como famílias e esse movimento é entendido pela crítica como a comunidade de Q. Essa comunidade não só optava pela pobreza como renunciava a riqueza, era uma norma. Assim como Jesus esperava que seus discípulos renunciassem tudo que possuíam, da comunidade o que Ele exigia não era esmola, mas a partilha completa. Quando o moço rico indagou Jesus com a pergunta; o que fazer para herdar a vida eterna? E Jesus disse que seria necessário vender tudo que possuía e dar aos pobres. Esse dito de Jesus é o reflexo de como essa comunidade optava pela partilha e se preocupavam uns com os outros.
Os ensinamentos de Jesus citados por Albert Nolan como os mais duros dos evangelhos são a respeito do dinheiro e bens.
A afirmação mais surpreendente a respeito do reino de Deus não é dizer que estava próximo, mas que seria o reino dos pobres, e que os ricos, enquanto permanecessem ricos, não teriam parte nele (Lc 6.20-26).
O Evangelho de Q é um evangelho de sentenças que precedeu os evangelhos narrativos. Nele temos os ditos de Jesus como também temos no evangelho de Tomé e demonstra definitivamente que tais coleções de ditos de Jesus existiram no cristianismo primitivo não somente como registros eventuais para uso privado, e, sim também como gênero literário com uso oficial, e demonstra, além disso, que a postulada fonte dos ditos “Q” não é “produto de fantasia” mas uma realidade.
 
3.3 Jesus e o dinheiro
 
Na sociedade em que Jesus vivia era levado em conta o prestígio e o dinheiro. A sociedade estava estruturada em cima desses preceitos. Jesus se opôs claramente a tudo isso. Para Jesus, essa era uma das estruturas fundamentais do mal na sociedade e Ele ousava pôr sua esperança em um reino onde tais distinções não teriam sentido.
A crítica de Jesus contra os escribas e os fariseus não era basicamente crítica a seus ensinamentos, mas a sua prática. Mt 23.1-3  “Então falou Jesus àmultidão, e aos seus discípulos,  dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.  Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;”
Esses ensinamentos de Jesus surtiram efeito e resistiram à sua morte. Percebemos nas cartas deuteropaulinas de Colossenses 3.5 e Efésios 5.5 que os autores tratam a avareza (πλεονεξίαν) como idolatria e posteriormente no Evangelho dos Hebreus o seu autor diz que Jesus tinha uma ilimitada compaixão pelos pobres e oprimidos ao dar continuidade aos versículos do moço rico; “Mas o homem rico começou a coçar a cabeça, e isso não agradava a ele.E o Senhor lhe disse: Como podes dizer, eu observei a Lei e os Profetas? Porque está escrito na lei: Ama o teu próximo como a ti mesmo, e eis que muitos de teus irmãos, filhos de Abraão, estão vestidos com andrajos, morrendo de fome, e tua casa está cheia de coisas boas e absolutamente nada sai de lá para eles”.No cristianismo Paulino e pós-paulino  trata-se a avareza  como sinônimo de cobiça e ambição; Ef 4.19; 5.3; ITs 2.5; Rm 1.29; ICo 5.10; 6.10; IICo 9.5 e IIPe 2.3-14.
Apesar das riquezas poderem ser usadas visando o bem, havendo cristãos ricos, generosos e bondosos, o ponto de vista neotestamentário é realista, salientando o fato de que, usualmente, as riquezas materiais servem de empecilho à espiritualidade. Lemos Tiago 5.2 “Vossa riqueza está podre, vossas roupas roídas pelos vermes”.Jesus sabia das poucas possibilidades de salvação, para o caso dos ricos.
O reformador João Calvino assim afirmou: “É pela atitude do Cristão em relação aos bens materiais, que se julga da sua vida espiritual. O comportamento do homem para com o dinheiro é a expressão tangível de sua verdadeira fé”. Ainda ele diz: “O desígnio de Deus, em nutrindo o homem, não é apenas prover-lhe as meras necessidades materiais. Visa a um fim espiritual. Através do sustento, Deus Se faz conhecer a criatura, revela-se a ela como o Criador”.
Jesus vê na riqueza a cobiça egocêntrica que se apossa do coração do homem e assim o aliena de Deus. Servir a Deus e a Mamom, ou seja, às riquezas, é pura impossibilidade. Jesus coloca o dinheiro em oposição direta a Deus.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 


BGT – BibleWorks Greek – LXX/BNT
MACK, Burton L. O Evangelho Perdido: O livro de “Q”  e as origens oristãs. RJ: Imago Ed.,1994.
BEP – Português Almeida: Revista e corrigida. CPAD, 1995.
Ibid.
Rodrigues, Cláudio J. A. Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia. São Paulo: Ed. Novo Século, 2004.
Jó 3.19 – Lá pequenos e grandes se avizinham, e o escravo livra-se de seu amo.
Gn 2.7 – Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.
Shamuel Safrai; David Flusser. O manuscrito do mar morto e o Novo Testamento. O Escravo de Dois Senhores.
Uma comunidade religiosa judaica que floresceu no I século a.C e no I séc. d.C. Viviam em vilas, labutando arduamente em trabalhos agrícolas e outras ocupações semelhantes, devotando muito tempo aos estudos em comum das questões morais e religiosas, inclusive a interpretação dos livros sagrados.. Davam escrupulosa atenção ao cerimonial da purificação e tinham em comum todas as suas propriedades, abstinham-se de sacrifícios de animais, praticavam o celibato e não tinham escravos, renunciavam tanto as mulheres como o dinheiro.
Shmuel Safrai; David Flusser. O manuscrito do mar morto e o Novo Testamento. O Escravo de dois senhores.
Autor dos Salmos de ação de graças (1 QH 10:20-32).
Lc 18.18-23 – Certo homem de posição lhe perguntou:  “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Porque me chamas bom? Ninguém é bom, senão só Deus! Conheces os mandamentos: Não cometerás adultério, não mates, não roubes, não levantes falso testemunho; honra teu pai e tua mãe”. Ele disse: “Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude”. Ouvindo, Jesus disse-lhe: “Uma coisa ainda te falta. Vende tudo que tens, distribui aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. Ele, porém, ouvindo isso, ficou cheio de tristeza, pois era muito rico.
Nolan, Albert. Jesus antes do Cristianismo. São Paulo: Ed. Paulus. 1987.
(Lucas 6:20) - E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas. Mas ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis. Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
. J. Jeremias, Unbekannte Jesus Worte, 3ª edição. 1963.  p. 10. n. 3. Apud. Phillipp Vielhauer - História da literatura cristã primitiva.
Nolan, Albert. Jesus antes do Cristianismo. São Paulo: Ed. Paulus. 1987.
Col 3.5 - Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;
Ef 5.5 - Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.
História da literatura cristã primitiva. Evangelhos apócrifos. 1975. p. 683.
Teólogo e reformador protestante francês (Noyon, Picardia, 1509-Genebra, 1564). O sistema teológico calvinista é a doutrina mais amplamente aceita e de maior influência no protestantismo. É uma doutrina fundamentalmente teocêntrica, e, ao mesmo tempo, uma reforma anticatólica e antiluterana, admite a Trindade, a encarnação do Filho de Deus numa Virgem, a dupla natureza de Cristo, a teoria augustiniana da graça, a predestinação e o pecado original. A igreja calvinista, cuja autoridade emana diretamente de Deus, tem como missão predicar a palavra divina, administrar os sacramentos e velar pela disciplina eclesiástica.
Instituta da religião cristã.


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