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   > A dignidade dos pobres.



RONAN ANTONIO DE MENDONCA
      ARTIGOS

A dignidade dos pobres.

Ao longo da história o cristianismo e a humanidade em geral inventaram muitas saídas ideológicas para transformar os pobres e os excluídos em “mal assimilável” e desafio contornável, porém a teologia da libertação acredita que a fé cristã só adquire substância histórica quando considera os pobres e excluídos como desafio incontornável.
Nas décadas passadas podemos perceber grandes problemas que assolavam a sociedade brasileira, a exclusão social, a desagregação familiar, a distribuição de renda e a educação. Ainda hoje estes elementos afetam diretamente nossa sociedade.
A pobreza, não é uma forma única e universal. Mas se refere a situações de carência onde os indivíduos não conseguem manter um padrão mínimo de vida condizente com as referências socialmente estabelecidas em cada contexto histórico. Sendo assim, a abordagem conceitual da pobreza absoluta requer que possamos, inicialmente, construir uma medida invariante no tempo das condições de vida dos indivíduos em uma sociedade. A noção de linha de pobreza equivale a esta medida. Em última instância, uma linha de pobreza pretende ser o parâmetro que permite a uma sociedade específica considerar como pobres todos aqueles indivíduos que se encontrem abaixo do seu valor.
Há pobreza apenas na medida em que existem famílias vivendo com renda familiar per capita inferior ao nível mínimo necessário para que possam satisfazer suas necessidades mais básicas.  
O aspecto socioeconômico não é a única razão para a pobreza, é uma questão mais abrangente. A pobreza em última instância pode significar morte. Carência de teto e de alimento, impossibilidade de atender devidamente a necessidade de saúde e de educação, exploração do trabalho, desemprego permanente, desrespeito à dignidade humana e injustas limitações à liberdade pessoal nos campos da expressão, do político e do religioso, sofrimento diário.
Nas últimas décadas o Brasil confirma uma grande desigualdade na distribuição de renda, e elevados níveis de pobreza. Tudo isto por causa das grandes injustiças sociais herdadas desde a nossa colonização.  Injustiça social que exclui uma maioria e favorece uma minoria.   
O grande problema da pobreza no Brasil e dos países latinos americanos é a situação de dependência econômica imposta pelos países europeus e norte-americanos e pelas corporações multinacionais. Há também a situação de violência institucionalizada contra os pobres, e que é perpetuada através de oligarquias governantes e pelos regimes militares. A dominação estrangeira e a opressão interna andam de mãos dadas.
          Quando o Brasil conquistou sua independência política de Portugal, no começo do século dezenove, ele não adquiriu independência econômica. Por isso quando a Europa e os Estados Unidos lançam seus projetos de desenvolvimento para os países pobres como o Brasil, eles estão somente interessados em tornar tais países mais dependentes deles.
Miguez Boninonão poupou palavras duras em sua avaliação: “O subdesenvolvimento da América Latina é o lado negro do desenvolvimento do Norte; o desenvolvimento do Norte é construído à custa do subdesenvolvimento do terceiro mundo. Os termos básicos para entender nossa história não são desenvolvimento e subdesenvolvimento, mas sim dominação e dependência.
 Para que haja um desenvolvimento no Brasil e nos demais países latino-americanos é necessária primeira uma libertação dos dominadores da economia. Países que na condição de opressores tem empobrecido e oprimido o povo dos países subdesenvolvidos, isto é produto do capitalismo internacional, e esse estado só pode ser mudado com o corte desse cordão umbilical que tem feito do nosso povo escravos de um sistema que favorece uma minoria.
Precisamos de libertação. Na letra do hino nacional brasileiro é declarado que “E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante. Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte, em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte.
Falar de libertação em termos de salvação em Cristo, nos faz escutar um clamor dos pobres. O papa João Paulo II diz em uma carta publicada em abril de 1986 que “Os pobres deste país, que tem em vocês os seus pastores, são os primeiros a sentir a urgente necessidade desse evangelho da libertação radical e integral. Ocultá-lo seria frustrá-los e desiludi-los”.
 O Brasil não é um país pobre, mais um país que tem muitos pobres.  A desigualdade e a exclusão são fatores que corroboram para essa pobreza que aflige nossa sociedade. É necessário que nossas políticas públicas que combatem a pobreza priorizem o fator desigualdade, pois acredito que quando a constituição fizer jus ao que ela menciona em seu artigo 5  todos são iguais, teremos um país justo e liberto.
A fé em Cristo é uma fé libertadora. Seus discursos, suas mensagens foi e é uma busca pela igualdade e libertação dos oprimidos e excluídos. No evangelho de Mateus 8:1-3, podemos perceber que Jesus buscava aqueles que tinham no coração o desejo de se libertar. Libertação aqui digo eu, de qualquer raiz de mal. Um leproso que estava excluído de sua sociedade, e quando vinham as caravanas deveria gritar “Sou leproso”, este sim Jesus ao vê-lo em sua direção tocou-o e imediatamente ficou limpo.   
Na teologia da libertação a figura de Jesus Cristo, como o Senhor e Filho de Deus podemos destacar sua encarnação que foi até certo ponto uma condição social bem determinada: de pobre e trabalhador.
Jesus privilegiou os pobres “Bem aventurado são os pobres”, deles se rodeou e com eles se identificou.  
Jesus é Deus em nossa miséria, o filho eterno que assumiu um judeu concreto, historicamente datado e socialmente situado. A encarnação do Verbo implica a assunção da vida humana assim como vem marcada pelas contradições deixadas pelo pecado, não para consagrá-las, mas para redimi-las. Nessas condições Ele tornou-se “servo” e fez-se “obediente até a morte de cruz” (cf. Fl 2,6-11; Mc 10,45)  
Segundo Leonardo Boff em sua obra Jesus Cristo libertador, Jesus Cristo é um homem livre, um homem que não carregava em si preconceitos ou discriminação. Sua mensagem em primeiro lugar foi o Reino de Deus.  Deus se manifestou através de Jesus Cristo, por isso não podemos encontrar Deus senão por meio de Jesus Cristo.   
Jesus Cristo pregou o Reino como revolução absoluta e libertação integral: espiritual, mas também material (da fome, doença, desprezo), dentro da história e para além da história.
Na pregação de Jesus o reino não permanece apenas como uma inaudita esperança; ele já se concretiza na prática de Jesus. Seus milagres e curas, além de documentarem a divindade de Jesus, visam mostrar que seu anúncio libertador já se historiza entre os oprimidos, interlocutores privilegiados de sua pregação e primeiros beneficiários de sua prática. O Reino é dom oferecido gratuitamente a todos.
Através de Jesus Cristo somos capazes de descobrir Deus e quem é de fato e de verdade o homem. Cristo irrompe todas as barreiras e forças e cria condições para que o reino de Deus transfigure a existência humana e o cosmos. 
Segundo Boff para compreendermos o Jesus Cristo Libertador primeiro é necessário conhecermos a realidade da libertação sócio-politica para a Cristologia e o lugar social a partir de onde se elabora a reflexão cristólogica. 
A América Latina nos convida a vermos em Jesus Cristo o “libertador”. Somos fruto de um meio onde a opressão, a marginalização a pobreza sufocam a população. 
A liberdade que Jesus exerceu perante a Lei e os costumes do tempo, suas exigências radicais de mudança de comportamento na linha das bem-aventuranças provocaram um conflito grave envolvendo as várias instâncias de poder daquele tempo. Jesus conheceu a difamação e a desmoralização, a perseguição e a ameaça de morte. Sua prisão, tortura, condenação judicial e crucificação só se entendem como conseqüência de sua prática e de sua vida. Num mundo que se recusa a aderir à sua proposta e a entrar pelo caminho da conversão a única alternativa que reserva a Jesus, como maneira de ser fiel ao Pai e à sua própria mensagem, era aceitar o martírio. A cruz expressa por um lado a rejeição humana e por outro a aceitação sacrificial de Jesus.   
No livro Jesus Cristo libertador Boff diz que só em Jesus Cristo o homem é liberto de sua condição humana. A mensagem de Cristo não foi ele mesmo e nem sobre Igreja, mas sobre o Reino de Deus, uma verdadeira utopia que deve estar dentro do coração humano.  
A situação de opressão que vigorava na Palestina nos tempos de Jesus, pode-se comparar a condição do povo latino-americano, por isso o papel fundamental de um Cristo que liberta.  
 A ação de Deus ao longo de todos os escritos bíblicos é de um libertador. É um Deus que sofre ao ver o seu povo oprimido, escravizado e marginalizado. Deus é um Deus libertador.   
A pregação de Jesus sobre o Reio de Deus não atinge só as pessoas exigindo-lhes conversão. Atinge também o mundo das pessoas como a libertação do legalismo, das convenções sem fundamento, do autoritarismo e das forças e potentados que subjugam o homem.
Toda a vida de Jesus foi um dar-se, um ser-para-os-outros, a tentativa e a realização em sua existência, da superação de todos os conflitos. Em nome do Reino de Deus, viveu seu ser-para-os-outros até o fim, mesmo quando a experiência da morte (ausência) de Deus se fez, na cruz, sensível até quase às raias do desespero. Mas confiou e acreditou até o fim que Deus, assim mesmo, o aceitaria. O sentido tinha para ele ainda um sentido secreto e último.
. O homem é desafiado a sair de sua alienação e encontrar em Cristo a plena libertação de todo o mal em si.   
 
 
 
 
REFERÊNCIAS:
 
GRENZ, Stanley & OLSON, Roger E. A Teologia do Século 20 – Deus e o mundo numa era de transição. Ed. Cultura Cristã. 2003
GUTIERREZ, Gustavo. Teologia Da Libertação. Ed. Loyola. 2000
BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis, Teologia da Libertação no debate atual, Ed. Vozes, Petrópolis 1985
                BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis.  Como fazer teologia da libertação. Ed. Vozes.  9a Edição.  2007 
             BOFF, Leonardo.  Jesus Cristo Libertador.  Ed. Vozes. 19a Edição.  Petrópolis.  2003
             THEISSEN, Gerd. e MERZ, Annette. O Jesus Histórico: um manual, SP, Loyola, 2002.
 Hino Nacional Brasileiro, letra de Joaquim Osório Duque Estrada
 

 


GRENZ, Stanley & OLSON, Roger E. A Teologia do Século 20 – Deus e o mundo numa era de transição. Ed. Cultura Cristã. 2003. p. 260
GUTIERREZ, Gustavo. Teologia Da Libertação. Ed. Loyola. 2000.  p. 17
GUSTAVO, Gutierrez. Teologia da Libertação. Ed. Loyola. 2000. p. 17
Hino Nacional Brasileiro, letra de Joaquim Osório Duque Estrada
GUSTAVO, Gutierrez. Teologia da Libertação. Ed.Loyola. 2000. p. 41
BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis, Teologia da Libertação no debate atual, Ed. Vozes, Petrópolis 1985, p. 32
BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis.  Como fazer teologia da libertação. Ed. Vozes.  9a Edição.  2007.  p. 87
BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis.  Teologia da Libertação no debate atual.  Ed. Vozes. Petrópolis. 1985.  p 33
BOFF, Leonardo & BOFF, Clodovis.  Como fazer teologia da Libertação.  Ed. Vozes.  9a Edição.Petrópolis   2007. p. 88
Ibid. p. 89
BOFF, Leonardo.  Jesus Cristo Libertador.  Ed. Vozes. 19a Edição.  Petrópolis.  2003.  p. 54
Ibid. p. 74


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