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   > A sombra



Fábio
      CONTOS

A sombra

Uma rua toda ela feita de silêncio. Dos lados existem árvores, com suas folhas que ficam saindo dos seus galhos, querendo assim, nadar no “mar de ar” de outros lugares. Ficam brincando, agindo como facas, e tendo como desejo, o ato de cortar as ondas de outros ares. Pois bem, o que fazem é nadar na rua. Como se todos trabalhassem em conjunto, lá vem o vento, assoprando todos os revoltados. Assopra, para limpar, fazendo assim, um ato de imposição. Fazendo limpeza, o vento, para mais folhas deixarem os seus desejos.  
Enquanto isso, o rosto do sol fica apagado. Ouço o barulho do vento, barulho que faz dançar os galhos das árvores, querendo o vento, como sempre impor.  O céu também trabalha em conjunto com o vento. Todos parecem não querer mudanças, o que querem é manter o que é, isto é, um quadro.  Acredito que, enquanto olho pela janela, tem alguém que me olha, e o quadro, eu acho que está dentro de uma pinacoteca. Tendo dito tudo isso, como explicar: uma cama toda forrada de cor branca; tendo vários livros em cima de um móvel, o móvel, que foi presente de aniversário. No aniversário estava de blusa azul, azul claro; como acompanhante uma bermuda marrom. Uma foto minha em quadro com os tais pertences citados fica em repouso em uma das paredes pintadas por mim no mês do meu aniversário, vale dizer que, um par de sandálias que qualquer moleque recusaria hoje eu usava e fazia questão de usar em momentos assim. Certo desenho é o cenário do quadro, um cenário não tão igual do qual olho, pois, as pernas não são tão enrugadas quanto das árvores, mas sim, eu acho que são pernas de um personagem de desenho animado, em que, eu sempre assistia. Fico vendo o balanço das árvores, folhas querendo estourar essa bolha, e tudo fica em movimento; sinto-me como aquele menino, querendo mudar de posição, mas já não dá; será que é um quadro? Talvez a mesma pergunta o menino de sandálias faz, ao vê: portas do armário se abrindo, cama que desforra e forra. Luz que acende e apaga.
Perambula na rua um cachorro, um cachorro vindo de outro lugar, possivelmente tem uma continuação, o quadro; que só mesmo os frequentadores desta pinacoteca é que: são os donos do verdadeiro campo de visão. Fico surpreso, vendo seus movimentos de marionete. Lembro de brincadeiras, nas quais, tudo o que ele queria é só um passar de mãos. Rebolava de tal jeito que, queria sim, e não tinha duvidas: desejava de todos mais um olhar. Assim, de todos ali presente, tornava-se o cão, o queridinho de todos. Nunca se cansava, nunca mesmo. O seu tempo é o das crianças, assim, depois de muitas brincadeiras, restava sempre um pouco mais. Eu brincava, mas, como todo adulto, de modo fácil já dizia: chega. Enquanto isso, crianças se identificavam de tal jeito, sem deixar duvidas, de que, possivelmente nas suas cabeças percorriam tal imagem: é um brinquedo. Fica ele, neste instante, o seu corpo. O corpo de um cão pedindo para o marionetista ter habilidade suficiente, para que, o andar seja sim, realizado. Não, como que pode tudo isso, enfim, algo sai. O que está acontecendo! Rompendo sua estrutura, mas, daqui de cima, não consigo vê nada, tudo é tão perfeito, tudo é precisamente normal.  Uma ideia estapafúrdia assim mesmo surge: o dia certo pra ele fazer isso que vejo talvez seja hoje. Engraçado, eu até acho que, o tecido de que é feito o cão, também me constitui. Madeira de que é feito o seu corpo devo também ter sido esculpido. E a mão que faz os fios balançarem, que é notado por mim, até acho que é à mesma mão, que fez com que, menino de sandálias realizasse o movimento para posar na foto; todos os dizeres somem como nuvens. De onde vem à luz?! É de não querer acreditar no brotar de braços e pernas! , entretanto, o cão está parecendo que tá dando à luz a uma sombra, que é humana.  Como ato de recusa, não desejando, não mesmo: não quero dá os meus olhos ao fato. Assim como eu, que passo cada minuto em forma de uma figura ilustrada, quem sabe, o atual momento que presencio, seja e porque não, somente um grande nada; pois, ao encarar com toda à sua verdade, logo estarei no meu quarto abrindo portas do meu armário. Uma sombra humana não projetada, e sim, dá pra dizer: simplesmente nasceu. Com certeza eu sou tão irreal pra esse animal quanto ele é para mim.
 Muitas das vezes isso acontecia. Eu ficava brincado e muito, e quando suspeitava, e isso era aos poucos, de que, tudo que ali estava: bolinhas de gude, carrinhos, bonecos, tudo isso ia saindo, bem devagar, através de suas sombras; assim como naquela época, já que acho oportuno, então, com palavras bem parecidas daquela época, digo: vai fugindo, como se tudo não pudesse, mas ela, sombra faz. Eu acredito que é possível pelo menos para ela: a sombra irá escorrer como chuva para um lugar que tem o mesmo comportamento de um ralo.             


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