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   > Insolentes rabiscados



Thalles Simplício de Faria
      CRôNICAS

Insolentes rabiscados

Coisa desagradável, com a qual frequentemente me deparo, são os grifos nos livros emprestados pelas biblioteca públicas. Penso como seria uma biblioteca privada. Não aquelas de escolas ou qualquer instituição particular, restritas aos seus integrantes, e nem mesmo, e muitos menos, bibliotecas caseiras. Falo de uma biblioteca-empresa, função estritamente locação de livros, na qual o fim é o lucro. Existe? Bom, não sei. Se existe ou viesse a existir, seria interessante; possivelmente haveria livros mais bem cuidados, tratados, e isto somente por estar o usuário sujeito a sanções, como no caso em que, grifasse um livro que não fosse seu!
Eu falo isso pois não há coisa pior do que, o livro o qual você sempre ansiou em mãos e, na quarta página, você se depara com um parágrafo grifado! O autor gastou dias, meses, anos, para atingir o resultado final do seu todo, da sua obra, e quem é uma pessoa pra determinar, destacar o que é importante, interessante, do que não é? Se o livro fosse dela - quase - tudo bem.  Quase, pois quando o ler novamente, possivelmente não estará aberta a novas interpretações e idéias; pois o maldito grifado está chamando sua atenção e desviando-a das outras partes , também importantes, e inclusive acarretando - como diz o ditado - na procura de chifre em cabeça de cavalo (em trechos grifados). Mas o livro em questão é público!
Eu fico por entender como possa haver tamanha insensatez. Eu não quero ler livros com sublinhados em trechos que uma pessoa designou importante. Eu quero ler o livro estando ele da forma como o autor o concebeu, letras, palavras e linhas, sem nele essa marca completamente indesejável. Para, então sim, formar minhas próprias conclusões, e sem, é claro, rabiscar o que não é meu! ...Eu disse insensatez no início do parágrafo, pois não estou certo de que seja falta de educação. E isso é um mau sinal. Porque a não educação se resolve com educação. Já a sensatez, aprende-se por si próprio, e será bem mais difícil de lidar com a sua falta. O que corrobora minha inclinação à insensatez são os livros da Universidade Federal de Ouro Preto: um desastre! Mas como eu não consigo dizer que o nosso ensino superior seja lá grande coisa, tenho esperanças ainda de que o problema dos grifos seja a falta de educação! Está mais para insensatez: não estou lembrado de escrever num livro público pelo menos desde a quarta série...
O bom e engraçado nisso tudo é que os riscos não ultrapassam a página cinqüenta (considerando-se livros de médio a grande porte, obviamente).  Fosse um “O Pequeno Príncipe”, não passariam da página quinze (com o empurrão das ilustrações). Nessa hora eu sinto uma ponta de prazer. De raiva que sinto quando vejo estas impertinências.
Imaginando que não sejam dessa estirpe os que até aqui leram, sentir-me-ia embaraçado se por essas bandas lançasse um pedido. Mas podem acreditar. Se um dia alguém vier falar sobre esperança e perspectiva, redarguirei : Os livros estão limpos?


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