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   > a casa do fim do mundo



felipe jonas da silva
      CONTOS

a casa do fim do mundo

Lá estava eu, novamente olhando como um bobo para ele, do meu lugar lá no fundo da sala eu observava cada gesto seu, se ele ao menos retribuísse o olhar com segurança seria suficiente para me deixar feliz, mas nem isso fazia, ele dava muita atenção aos estudos, diferente de mim que preferia gastar meu tempo o observando. Mal sabia ele que eu nutria um grande amor por sua pessoa. Esse era o terceiro ano que estudávamos juntos e ele mal falava comigo, sempre fui apaixonado por ele, no começo foi mais fácil disfarçar, mas agora eu me pegava todo tempo o observando.
Quando o sino tocou recolhi minhas coisas e coloquei na mochila, logo depois fui almoçar junto com os outros alunos. No almoço também o observei, como sempre ele estava sentado junto com seus amigos do outro lado do refeitório, ele era tão bonito, tão masculino, o modo como ele segurava os talheres tão delicadamente era tão bonitinho. Durante todo o almoço dei umas olhas disfarçadas para ele, fico imaginando o que ele falaria se soubesse tudo o que eu sinto por ele, provavelmente seria coisas que iriam me magoar, ele nunca me aceitaria.
No fim do almoço fui ao banheiro e ao pegar caminho de volta vi a placa de piso molhado no chão, como sempre não dou ouvidos a regras nem conselhos fui com tudo, quando estava no meio do caminho levei um tombo, caí sentado, em apenas alguns segundos alguém me segurou pelos braços  e me ajudou a levantar, quando olhei fiquei surpreso, ele, Daniel Abranches.
-está tudo bem com você?-indagou ele.
-está tudo ótimo, obrigado por me ajudar-fiquei com um pouco de vergonha por ter caído. Olhei nos olhos dele por alguns segundos.
-por favor não faz essa cara-pediu ele.
-que cara?
-essa que você faz sempre quando olha pra mim.
-isso te incomoda?
-não, eu só tenho medo de um dia não conseguir controlar.
-como assim?
Ele olhou para os lados pra certificar que não tinha ninguém nos olhando.
-preciso falar com você hoje,  logo após as aulas pode ser?
Balancei a cabeça dizendo que sim. Logo depois ele deu a costas e foi pra sala, eu fui logo em seguida.
Eu estava muito curioso, fiquei nervoso durante todo o tempo, esperei cada segundo ansiosamente . quando o ultimo sino do dia tocou meu coração disparou, olhei para o deniel, ele fez um sinal para esperar todos saírem da sala. Quando todos saíram fui até ele, minhas mãos tremiam um pouco mas não deixei transparecer.
-bom, eu preciso te contar uma coisa que já vem acontecendo um tempo comigo, eu sei que você vai achar estranho, mas eu preciso te contar, eu não consigo mais guardar  esse segredo-as palavras saiam da sua boca do mesmo jeito que sairiam da minha.
-pode contar.
-já faz um tempo que quando te olho sinto uma coisa estranha, uma coisa que não deveria acontecer pois somos dois homens.
- o que acontece? Acho que te entendo.
-eu não sei explicar, mas acho que estou apaixonado-quando ele terminou de falar foi como se uma bomba tivesse estourado em meu coração. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, só podia ser uma brincadeira.
-escuta Daniel, se isso for uma brincadeira pode parar.
Ele olhava hipnotizado para meus olhos, sem demora ele segurou minha cabeça calmamente  e seus lábios encontraram os meus, fiquei nervoso e assustado, ele segurou minha cintura e aprofundou o beijo, mas logo eu o empurrei.
-desculpe-disse ele.
Fiquei sem saber oque dizer, apenas olhei pra ele, seus olhos estavam eletrizados pela adrenalina que se passava.
-há quanto tempo isso acontece com você?-indaguei.
-desde o primeiro ano.
-impressionante comigo foi o mesmo, sempre gostei de você em segredo, sempre pedia a deus pra você me dar um oi ou bom dia. Mas você dificilmente dava.
-então você também sente o mesmo que eu?
-sim.
Ele me abraçou.
-desculpe por nunca ter tomado a coragem que tomei hoje de falar com você.
-daniel aqui alguém pode nos ver.
-é verdade, vamos, vou te levar a um lugar, lá te conto tudo que eu penso.
A minha mente estava confusa, eu ainda não acreditava, apenas deixei o Daniel me guiar naquele momento. Estaria eu fazendo a coisa certa?
O Daniel me levou até seu carro, ele abriu a porta pra mim entrar, sem pensar duas vezes entrei, lá dentro ele voltou a me olhar nos olhos.
-eu não consigo controlar, eu sinto uma vontade louca de te beijar.
-eu também tive esse desejo durante todo esse tempo.
Sem demora ele voltou a me beijar, seus lábios eram doces, ele me beijava feroz e calmamente ao mesmo tempo, me deixei levar pelo momento, aos poucos ele foi se deitando sobre mim, de repente ele rompeu.
-desculpa, mas eu não quero que isso aconteça assim.
-eu também não.
-vamos, vou te levar a um restaurante, lá poderemos conversar melhor, aqui eu vou acabar perdendo o controle de novo.
Ele ligou o carro, olhei as estrelas lá fora, o céu estava lindo, o Daniel estava ao meu lado, e tudo por causa do meu tombo, se eu soubesse tinha caído a tanto tempo atrás[...]




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