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Amarilia Teixeira Couto
      ARTIGOS

A inveja

A inveja

Há muito que o desejo de falar sobre a inveja me inquieta o pensamento.É que falar de um sentimento tão camuflado, tão “varrido para debaixo do tapete” não é nada fácil.Principalmente quando o tapete em questão é o nosso,ou de cada um de nós,posto que é algo estritamente individual,particular.

E se hoje resolvi falar a respeito, não foi à toa.Por ser véspera do dia dos namorados,quis aproveitar a oportunidade para tocar num ponto que desperta facilmente a inveja alheia: a pessoa que ama e é amada.

Então peço licença aos meus já queridos leitores ( poucos mas bem especiais) para deixar de lado tantas outras possiblidades e tratar a inveja e abordá-la nesse particular: o das relações amorosas.

Alguém já prestou atenção no comportamento de um grupo de amigos? Se todos estão acasalados e felizes,tudo bem,quase não há entreveros.Mas se a turma está solteira e cada um busca o seu amor, a situação muda radicalmente.Se uma das pessoas conhece alguém e se afasta do grupo,quase sempre isso é motivo de cobranças que chegam ao absurdo.É nessa hora que se percebe o quanto se é imaturo nas relações de amizade.Entre mulheres então,a coisa é ainda mais séria.A amiga que deu um tempo,que se afastou para viver idilicamente, para conhecer melhor um possível amor, passa a ser crucificada.Raramente se vê alguém defendendo a colega de verdade.Nos comentários sempre há uma torcida velada para que a mesma se dê mal e retorne ao grupo.É que no grupo a solidão é escamoteada,fica mais fácil levar,então é bom que todos continuem coesos.

Já perceberam que um casal apaixonado,feliz,amoroso, o quanto de inveja desperta?Perguntem às pessoas  solitárias sobre o que elas mais querem na vida.Ninguém vai dizer que queria estar no lugar da Dilma.Que seu grande sonho de é ser famosa e ganhar muito dinheiro.Por mais que fama e poder também despertem a inveja.Mas esse sentimento é mais humano que se possa imaginar.Ele sobrevive das pequeninas ( e fundamentais) questões existenciais.A inveja que todo mundo atribui ao outro: É o outro que me inveja,que deseja o que eu tenho,que quer me prejudicar.... Sempre o outro.

É aquela pessoinha que está sempre feliz, que é espontânea,que desfila a sua leveza em todas as passarelas, que fala de seu amor,que se revela em tudo o que faz,enfim, que é aliada da felicidade,que desperta a maior inveja.

Durante muito tempo esse sentimento não me incomodou. Nem conseguia também me incluir entre os invejosos.Até que depois de muito ler e ouvir a respeito desse sentimento,passei a dar a ele a devida importância.

Foi através de um antigo namorado que passei a pensar sobre a inveja e nos males que ela provoca.

Numa ocasião,quando fomos a uma festa, aproveitei que havia muitos colegas de trabalho e amigos reunidos, para apresentar o meu namorado.Num dado momento,deixei-o conversando com uma colega minha e fui dar atenção a outras pessoas.Depois de um certo tempo, fomos os primeiros a ir embora, pois tínhamos outro compromisso social.No final da noite,quando fui deixada em casa pelo meu namorado, antes que eu saísse do carro, ele me fez uma pergunta: Lembra daquela sua amiga com quem fiquei conversando enquanto vc dava atenção às outras pessoas?Você acha que ela é sua amiga de fato?Quando ele me disse isso, fiquei bem apreensiva e surpresa.É que sabia muito bem de quem ele estava falando.Ela nunca fora minha amiga, muito pelo contrário.Ela fazia questão de demonstrar o seu desafeto por mim em nosso ambiente de trabalho.Mas o que me deixou surpresa foi o fato desse namorado, tão tímido,quase um antissocial,ter percebido isso num contato de minutos.

Quis saber como ele percebera essa antipatia da colega por mim, sobre o que eles haviam conversado.Ele apenas disse que foi através do olhar dela em minha direção.Disse que percebeu uma maldade que nunca havia percebido em outra pessoa.Gelei.

Então depois desse episódio, passei a prestar mais atenção no olhar das pessoas. Hoje consigo detectar as nuances do bem-querer e do mau-olhado.E não dá pra achar que o “olhar de seca- pimenteira não existe”.Como existe.

Se pegarmos a etimologia da palavra inveja,teremos os étimos latinos “in”(dentro de) e “videre” (olhar).Por extensão podemos dizer que inveja “é um olhar para o outro,de forma devastadora,invasiva.É quando alguém não consegue revetir o seu olhar de amorosidade,ternura,bondade.Até porque o invejoso, pelo menos momentaneamente,desconhece tais sentimentos,pois a inveja é devoradora,engole os demais sentimentos.

Mas e quem é o invejoso? Apenas o (a) outro (a )? Aí que está o X da questão.Somos todos invejosos,de uma maneira ou de outra.E sem essa de inveja boa, pois essa não existe, apenas no discurso.Dos sentimentos humanos talvez seja a inveja o de mais humanidade, até pelo fato de ser o mais negado.Quem pode se dizer isento da inveja,totalmente imune a ela? Seus tentáculos têm super-poderes e alcança qualquer um, mesmo o mais digno, o mais gentil, o mais solidário, o mais santo.

Creio que a grande diferença entre os cultuadores do “olhar de seca- pimenteira”, do “olho-gordo” e os demais, é que aqueles se reconhecem e não tentam ou não querem sair da condição de invejosos ( e serão eternamente infelizes e farão também a infelicidade de outrem), e os do outro time, a grande maioria talvez, que são acometidos de momentos de inveja, são conscientes dessa fragilidade e buscam formas saudáveis de melhorar a sua autoestima e se fortalecerem contra esse sentimento.Ou alguém duvida que a inveja é fruto de um “ não-se-gostar-verdadeiro”,de uma baixa autoestima?

E eu que sei o quanto uma relação de amor é um bem na vida da gente,quero mais é que todos aqueles e aquelas que já têm o seu amor sejam sempre imensamente felizes e os que não têm, encontrem dentro de si a alegria mais genuína ainda, que é o amor que se deve ter por si mesmo(a).Somente quem aprende a se amar pode viver uma vida amorosa de fato.


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