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Gutyerrez Oliveira Monteiro
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Epílogo

Epílogo
                                                                                                                                                                Gutyerrez Oliveira
As últimas horas do dia, ao entardecer, é o momento em que o sol vai ganhando um novo tom na cor; amarelo  dourado da cor de ouro nobre e vai se escondendo bem devagar por detrás das ilhas, na cabeceira do rio.  È o  por - do- sol, nos finais de tarde, às margens do grande rio que banha                                                    as praias da pequena  cidade onde um dia  fui morar quando ainda muito criança. Eu ficava sentado em um banco da pracinha mais linda daquele lugar, “a praça do relógio”  olhando de frente para o rio que refletia o dourado do sol e as sombras das árvores da outra margem em suas águas reluzentes. Como criança que era, ficava admirado, enamorado, olhava e esquadrinhava os detalhes, os ângulos daquele encontro das águas barrentas do rio com o céu azul. Aos meu olhos, as nuvens brancas e acinzentadas lá no alto, formavam enormes desenhos de homens, profetas barbados, montanhas gigantes, cobras grandes, Honoratas , dragões, anjos, sacis  e curupiras, corsas e cavalos enormes. Nas águas, via os reflexos ondulosos do dourado refletido, com fachos de raios do sol descendo das nuvens por detrás das árvores lá muito além das cabeceiras do rio. Isso tudo como uma tela que eu não tenho palavras para descrever, um quadro vivo, impar, imediato e divino, pintado  a  mão com todo amor pelo maior e melhor pintor do universo, O grande Jeová.
Pelas manhãs, em bandos alegres de curumins e cunhatãs estávamos sempre  aprontando brincadeiras e aventuras no sitio onde morávamos , e em outras fazendas vizinhas também , ora subindo em árvores, colhendo e comendo frutas trepados no pé, ora correndo pelos roçados,  pelo meio do curral espantando o gado e brincando com os bezerros mansinhos,  pescando de caniço e tomando banho no lago , ou tentado ver a Iara, a mãe do olho d água como diziam as pessoas do lugar  [...Contavam que a Iara era uma mulher muito linda, uma princesa encantada que aparecia nua andando sobre as águas...] e chamava os senhores , os rapazes e meninos para ficar com ela. Aparecia como por encanto ao seu escolhido, que era fisgado  na emoção e imediatamente   obedecia ao seu chamado nadando  em direção a ela, que na miragem para o nadador , ia cada vez mais distanciando-se da margem para o centro do lago ou do rio. A  imagem da Iara  ficava mais bonita e continuava chamando com acenos de mão; como isca satânica, ela envolvia , insinuava-se tocando seu próprio sexo. O encantado, nadando cada vez mais para o meio do rio, cansava, e afogando-se, morria nos braços da pseuda mulher sereia encantadora e estranha.  Conta-se que muitos já haviam sumido no lago e nunca mais foram encontrados, outros apareciam de bubuia, afogados,  mortos. Os poucos, que por acaso escaparam ou foram salvos por    pescadores, afirmavam ter visto um brilho muito estranho, em seus olhos.
Lembro que por muitas vezes estávamos brincando no quintal da fazenda, quando me vinha à lembrança  dessas estórias contadas pelos mais velhos; era como se eu visse a imagem da Iara me chamando! Alguma coisa muito forte  me impulsionava,  então fugia das brincadeiras e sem ninguém notar, ia até a beira do lago sozinho, minha intenção era encontrar    e falar com ela. Quando eu tinha quase certeza que a Iara ia aparecer, já sentia o seu encantamento, e envolvido por um estranho instinto sexual  queria me atirar no rio para ir ao seu encontro, neste momento, quase sempre, alguém que eu nunca tinha visto no povoado aparecia e  me mandava  de volta pra casa, então, desapontado e triste, sem responder nada, voltava correndo.
 Hoje, quero entender  que eram anjos enviados de Deus,  apareciam para me salvar da morte certeira. Era uma armadilha do passarinheiro ,  que fertilizava  a imaginação de alguns anciões  e pessoas que contavam essas estórias , para vestir de fantasias, construir imagens ilusórias ,fascinar , causar grande atração e sedução despertando  na mente  o desejo sexual em meninos , rapazes e senhores  que os ouviam, formando imagens da Iara e outras estórias  para atraí-los  á morte, principalmente quando estavam embriagados, por bebidas alcoólicas.                                                                                            Eram lendas do povo da região, que envolviam as pessoas  em fantasias eróticas.
Os curumins e cunhatãs  muito cedo, largavam suas brincadeiras de menino...
                                                   ***
 
 


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