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   > O DIA MAIS LONGO DA MINHA VIDA



Aldefran Melo da Silva
      CONTOS

O DIA MAIS LONGO DA MINHA VIDA

Quando eu tinha uns dez anos de idade e minha irmã sete, não obedecíamos à nossa mãe... já com nossa avó, Biia, a coisa era diferente. Ela guardava uma tira de couro, sobra de uma reforma do nosso sofá a qual chamávamos de "a sola" ou carinhosamente "a solinha".
Quando aprontávamos, o couro literalmente comia.
Certa vez vacilamos feio e escondemos a solinha dentro do forno pra não apanhar com ela. Isso foi pior porque enfureceu ainda mais a nossa avó (acho que ela tinha um carinho muito grande por aquele pedaço de couro). Pra nosso azar ela tinha uma sola reserva. Quando a vimos com o terrível objeto de tortura, partimos para a rua apavorados.
Dá pra perceber que a coisa só engrossava pro nosso lado. Mas era de manhã ainda e naquele momento não nos preocupamos muito. Outras crianças estavam na rua e achamos que poderíamos brincar com elas enquanto o tempo passava e a velha esquecia o ocorrido. 
Deu meio-dia, nós, cheios de fome, fomos pra casa. Qual não foi nossa surpresa quando encontramos dona Biia de sentinela na varanda, nos aguardando. Tivemos que voltar pra rua deserta, pois as outras crianças estavam em suas casas, almoçando. O tempo começou a se arrastar.
Lá pelas duas as crianças voltaram. Começamos a brincar, meio sem ânimo, é claro, por causa da fome. Deu três, quatro, cinco horas e a cada vez que íamos verificar, lá estava ela tal qual o imortal Heimbdall na ponte do arco-íris. 
A noite chegou e as crianças foram embora jantar, enquanto eu e minha irmã fomos pra casa, já antevendo o pior. De fato, lá estava ela inabalável, no mesmo lugar.
Infelizmente naquele tempo os jovens respeitavam os idosos.
Olhamo-nos aceitando a derrota, entramos, levamos uma surra e depois tomamos um delicioso prato de sopa de feijão.


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