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   > UM FATO NO MOVIMENTO



William Augusto Pereira
      ARTIGOS

UM FATO NO MOVIMENTO

 
A POBREZA DO  MOVIMENTO SOCIAL NEGRO CONSTRUÍDO COM A RIQUEZA DA LUTA DE UM POVO NEGRO OU EM BUSCA DE QUE VALE ESSA LUTA
William Augusto Pereira
A luta do movimento negro não é de hoje. A trajetória é longa. E hoje estamos nós em cada canto deste país tentando construir algo diferente para nosso povo. Não foi fácil chegar até aqui. Não é fácil construir o que denominamos de Movimento Social Negro.
 A construção do movimento negro no Brasil parte da valorização do ser negro, a princípio. Não se construiu uma teoria social  apriori para depois incorpar um ser desbotado e transgredido. Não se bordou conceitos, modos, meios  ou definiu  trilhos para que o movimento negro seguisse em uma só direção e para um só sentido. A edificação é coletiva e com todos. Não importa como guiar essa teia social ou em que direção tomar ou para onde ir e que rumo tomar.
Assim sempre se respeitou as diferenças, tratando-as diferentemente. O respeito se edifica com exemplo e não com autoritarismo. A autonomia é um dádiva e não uma imposição.  Uma democracia é o fruto de conquistas de um povo que clama por participação e conquista essa vontade de fazer juntos e separados cada instante da vida. Pois, a riqueza material, todos podemos partilhar, acumular ou sonegar, mas a vida não se negocia, não conta no balanço do processo político. Ela é inegociável.  O governo Brasileiro não pode apagar uma luta do povo negro, em troca de barganha política. O Movimento  Social Negro só sobrevive se contar com a luta de cada negro e negra desde pais. Ele não é um movimento de classes, ou um movimento sindical ou político partidário. É, sim uma ação política coletiva de caráter contestador, no âmbito das relações sociais, objetivando a transformação ou a preservação da ordem estabelecida na sociedade. O Movimento Social Negro procura enxergar ou traduzir a teoria da tradução intercultural localizando as identidades comuns que possuem e a necessidade de autonomia para as especificidades de cada movimento, o que pode contribuir para o aprofundamento democrático no Brasil. Com isso, o objetivo é o de indicar que esses movimentos podem ter pautas comuns sem perder  as suas da luta.
 
O movimento negro contemporâneo
O movimento negro contemporâneo é um movimento social identitário que agrega entidades, associações, organizações não governamentais (ONGs), núcleo de estudos universitários, fundações, associações culturais, agentes pastorais negros (APNs), redes, blocos afros, famílias. Esta atuação ocorre em diversas frentes seja nos partidos político, nos conselhos de bairros, em secretarias da administração em governos municipais, estaduais e federal, através da participação de seus quadros técnicos, tais como: o Conselho do Negro, a Fundação Cultural Palmares e a Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), dentre outros. Os ativistas negros geralmente consideram-se como um grupo unificado, apesar da multiplicidade característica desse movimento social (CARDOSO, 2008b, p.11-28).
O movimento social negro no Brasil, ou simplesmente movimento negro, insere-se, no contexto local e global, no que se convencionou denominar Novos Movimentos Sociais (NMSs). Os NMSs surgem na década de setenta, a partir do enfraquecimento da classe como elemento chave e agregador na definição identitária da luta dos grupos sociais consequentemente, as organizações políticas de massa fragmentaram-se em vários e separados movimentos sociais, entre eles: o movimento feminista, movimento lésbica, gay, bissexual e transgênero (LGBT), movimento anti-racista, movimento anti-belicista. Esses movimentos se caracterizam, dentre outros fatores, por serem monotemáticos e apelarem de modo frequente para uma política de proteção e promoção da igualdade e do reconhecimento da diferença (SANTOS 2006b, p. 259-293; GOHN, 2004, p. 119-132).
Ao aproximar o fim da ditadura, com a redemocratização política, a relação entre o Estado brasileiro, e a pressão política exercida pelo movimento negro reflete-se na atual Constituição, que criminalizou a prática de racismo; na criação da Fundação Cultural Palmares − fundada em 1988; e na institucionalização de Zumbi dos Palmares como herói nacional em 1995. A relação Estado nacional e movimento negro expressasse também na criação do Grupo de Trabalho Interministerial para Valorização da População Negra, em 1995; e recentemente na criação da Secretaria Especial para Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2003 (COSTA, 2006, p. 246).
Nossa história foi muito influenciada pela ideia de harmonia racial, em grande parte resultante do esforço de construção da identidade nacional por parte do Estado. Durante o regime presidencial de Getúlio Vargas (1930 a 1945 e 1951 a 1954) havia a declarada orientação para que as diferenças se integrassem em uma única identidade mestra – a identidade nacional (MUNANGA, 2004, p.137).
O caso da pertença étnico-racial, o próprio Estado tornava público e notório a ideia de que o Brasil era um “paraíso racial”, um modelo a ser seguido pelo mundo, principalmente após as atrocidades racistas praticadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Somente após os vinte e um anos de ditadura militar no Brasil (1964-1985) é que o Estado brasileiro tem caminhado no sentido de reconhecer as clivagens existentes no conceito de identidade nacional.
Neste momento cabe-nos uma análise crítica e autocrítica acerca do movimento negro, porque habitualmente costumamos apontar somente sua força, particularmente em cenários de disputas políticas. Porém, sem desconsiderar as necessidades e os tempos dos discursos do momento de embate na práxis social, consideramos ser importante e necessário pensar, apontar, resgatar e renovar algumas das críticas direcionadas ao movimento social negro. Críticas que consideramos também como seus desafios atuais.
Para começar diríamos que existe uma crítica antiga da década de cinquenta. Ela corresponde ao fato de que a militância negra não atinge os negros que pertencem à massa. Essa é uma crítica que parte do sociólogo Luis Aguiar Costa Pinto endereçada aos intelectuais do movimento negro Abdias do Nascimento e Guerreiro Ramos (PINTO, 1998, p. 235-270).
 De fato a crítica ainda se aplica, poiso ativismo negro promove eventos que giram em torno de si mesmos, na maioria dos casos.
        Consideramos importante o diálogo com negros que não pertencem e até rejeitam a militância, é uma necessidade para a sobrevivência e renovação do próprio grupo. Seria produtivo ampliar o diálogo para pessoas de outras pertenças étnico-raciais, especialmente, os brancos. No caso do diálogo com outros negros seja feito sem preconceitos advindos da classificação a priori: “negro consciente” e “negro inconsciente”. Para abreviar diríamos que o discurso repetitivo e quase sempre dirigido ao mesmo público da militância negra é uma de suas maiores fragilidades.
 
EQUIVOCOS DA DEMOCRACIA NO BRASIL – UM CASO RECENTE
 
 Gilberto Leal, da secção baiana da Coordenação Nacional de Entidades Negras, e um dos líderes cuja participação na reunião com a Presidente Dilma Rousseff teria sido vetada pela ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, a quem Leal tem feito críticas, considerou que a autonomia do movimento negro como movimento social “foi gravemente ferida”.
“O elemento mais agravante foi o movimento não ter indicado seus representantes, ainda que houvesse polêmica entre eles. Tudo isso tem a ver com autonomia. A autonomia do movimento social foi ferida. Qualquer movimento no mundo, que se respeite, por mais revolucionário que seja o dirigente daquele setor no Estado não pode jamais negociar a sua autonomia e decidir pelos seus próprios destinos, sob pena de estar violando valores inegociáveis de um movimento social, entre os quais sua autonomia”, afirmou.
Ao final do encontro com Dilma, convocado pelo Planalto como estratégia para dar respostas às manifestações de junho, a ministra da SEPPIR – que o  articulou e definiu quem deveria ser convidado – apresentou os resultados da reunião em nome do movimento negro.
Dos 19 membros presentes a reunião com Dilma, 12 integram o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão de assessoramento da ministra.
Bandeira inegociável
Segundo Leal, a autonomia do movimento social “é uma bandeira inegociável”. “É preciso saber disso e estar disposto a pagar qualquer preço por isso. É preciso que, depois disso se faça a pergunta ao movimento negro: protagonismo é valor negociável ou descartável?", indagou.
De acordo com o dirigente da CONEN “neste caso foi descartável”.  “Governo é Governo e sociedade civil é sociedade civil. Em qualquer lugar, até na guerra. Eu gostaria de ouvir o movimento negro falando sobre isso. Não estou cobrando nada de Governo. O movimento deve ser autônomo para questionar qualquer Governo. Qualquer um. Nós fomos derrotados no protagonismo, independente do conteúdo da reunião. De ter ido ou deixado de ir. Se ficou "démodé" ser autônomo não é comigo”, acrescentou.
Veja a lista de quem esteve na reunião divulgada após o encontro no Palácio do Planalto; 12 dos 19 são membros do CNPIR órgão de assessoramento da ministra.
1. Ana Flávia Magalhães Pinto – Coletivo Pretas Candangas / Campanha A Cor da Marcha; 2. Angela Maria da Silva Gomes – CNPIR; 3.     Arilson Ventura – CONAQ/CNPIR; 4. Cida Abreu – Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT; 5. Cledisson Geraldo dos Santos Júnior – ENEGRECER/CNPIR; 6. Edson França – UNEGRO/organização com assento no CNPIR; 7. Estela Maris Cardoso – Fórum de Mulheres Negras/CNPIR; 8. Flávio Jorge – CONEN/organização com assento no CNPIR; 9. Frei David – EDUCAFRO/CNPIR; 10.  Helcias Roberto Paulino Pereira – APNs; 11. Ivanir dos Santos – CEAP/organização com assento no CNPIR; 12. João Carlos Borges Martins – ANCEABRA; 13. José Vicente – Faculdade Zumbi dos Palmares; 14.  Marcos Rezende – CEN; 15. Maria da Conceição Lopes Fontoura – Maria Mulher/AMNB/CNPIR; 16. Paulino de Jesus Cardoso – ABPN/CNPIR; 17. Sueide Kintê – Instituto Flores de Dan /Articulação Mulheres & Mídias Bahia; 18. Valdecir Pedreira do Nascimento – Instituto Odara /CNPIR; 19. Valkiria de Sousa Silva – CENARAB/CNPIR
ESSA É A DEMOCRACIA QUE BUSCAMOS?


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