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   > De óculos na encruzilhada



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

De óculos na encruzilhada

Eis o encontro de quatro pessoas, todas usando óculos escuros, três  mulheres  e o único homem desse grupo com a sua inseparável pasta abarrotada de  livros, propagandas de promoções de outros carnavais,  livretos, folhetos disso, daquilo e daquele. Uma bagagem pesada para ser carregada desnecessariamente, mas sempre com pressa, nunca a esvaziava, pelo contrário cada dia mais pesada. Apressados quase se esbarram, param por alguns segundos, mesmo sem tirar os óculos, encaram uns para os outros e...
_ Oh, você aqui? Queria te ver minha amiga!
_Amiga, quanto tempo! Se não fosse essa encruzilhada não teria te encontrado, precisamos conversar, botar as fofocas em dia... Você sabe, não é? Odeio fofoca, mas se falam da gente, temos que falar dos outros também! Não é?
_ Fofoca! ( diz a terceira, sorrindo) Eu não suporto fofoca! Mas, qual é mesmo a nova... Se for para me falar da filha de... Já é velha, amiga! Ah, e só for de... também  já tô sabendo... É nova, mesmo? Estou morrendo de pressa, mas tenho alguns minutinhos, senão não me atualizo... Saiu no face?
_ Desculpe senhoras, mas ouvi vocês falando de... não me leve a mal por está me metendo, pois também não gosto de fofoca, mas eu ouvi uma pessoa dizendo...
E nesse disse-me-disse do universo fofoquez às pessoas ficaram, unidas e perdidas no tempo, espaço e encruzilhada.  Até que um se lembra que tinha que se  apressar pois já estava sendo esperada no emprego, outra recordou do horário que havia marcado para um compromisso, e cada um foi se lembrado dos próprios afazeres atrasados da vidinha medíocre que construíam. A primeira ao se despedir, ainda ouve trechos da conversa trazida pelo vento: “Essa vive uma vida de cão com...” Mas, nem se preocupou em voltar para dá uma resposta, pois estava atrasada mesmo.  Os três  resistiam sair, pois sabiam que seriam alvo dos dois amigos restantes, é sempre assim, fugir do vício é difícil. E blá, blá, blá,blá... _ Não posso mais ficar nem um minuto, tenho que fazer o almoço, senão meu marido... Bye-bye! Também, ouviu fragmentos dos inimigos da fofoca: “_ Nem feira ela faz, fazer comida...fazer comida...”
Um casal, naquela encruzilhada, esticaram por alguns minutos o blá, blá, blá... e  cada qual pega seu rumo.  Ele segue até a uma barbearia, lá  apimentaria todo o blá, blá, blá. Ela vai para casa onde o esposo tranquilamente a esperava, carinhoso a chamava de “musa da língua solta”.
 _ Amor, não te conto, sabe quem encontrei numa atitude mais que suspeita na encruzilhada?
Amor, ciente e paciente não espera o veredito, a conduz até o quarto do casal, diante do espelho, tira-lhe suavemente os óculos escuros, onde escondia alguns hematomas das encruzilhadas da língua e diz: _ Não precisa me contar, conte a você mesma!
 
 


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