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   > Os passos saem do córrego e para lá voltam



Luiz Antonio Polli
      CONTOS

Os passos saem do córrego e para lá voltam

Era noite de lua cheia, se aproximando das vinte horas, dois amigos revolvem ir ao circo que estava instalado em uma comunidade vizinha, onde os espetáculos estavam acontecendo, nenhum deles tinha carro, e não conseguindo corona, resolveram ir a pé. Zé era o mais bagunceiro, não tinha se quer nem uma crença, e tudo para ele era motivo de piada. Acreditava no dizer das pessoas mais antigas, que onde existia assombração no meio do mato haveria uma panela de ouro enterrada, se ele fosse corajoso de enfrentar a assombração ela o levava até onde estava enterrada a panela.
Estavam caminhando a algum tempo, quando começaram a entrar em um trecho em que a estrada ficava fechada pela mata, no caminho tudo começou a ficar mais escuro, a lua no céu não aparecia, pois as árvores fechavam tudo, quando começaram a subir, no meio da subida havia uma bifurcação, no lado esquerdo havia uma descida que levava para um córrego e logo na frente terminava a rua e no lado esquerdo ela dava continuidade até eles chegarem ao circo, então Zé fala para Tonico:
_Nesse lugar todos falam que tem uma panelinha de ouro escondida e é hoje que vamos desenterrar ela, tenho certeza que vamos mudar de vida.
Tonico era pessoa com uma crença e um temor muito grande em seu coração, e fala para Zé:
_Não devemos abusar, não sabemos se essa história que falam é verdadeira, melhor continuarmos caminhando e assistirmos ao espetáculo.
Zé não deu ouvido ao que seu amigo falou e já foi dando um grito e falando:
_Se tiver alguma coisa aqui, que ela apareça, porque hoje eu quero deixar de ser pobre, quero desenterrar essa panelinha de ouro que tanto as pessoas falam, hoje eu quero ver se ela existe ou não.
Falando isso, parecia que as árvores começaram e se mexer com um vento forte que vinha sobre elas e as folhas caíam sobre os seus chapéus, parecia ser um sinal de que não deveriam mexer ou abusar dessas histórias antigas. Zé não se conformando continua a gritar e nesse momento parecia que os barrancos da estrada estavam se desmoronando sobre seus pés. Tonico pede para Zé parar com essas coisas porque não estava gostando do que estava acontecendo. Zé não parou, continuou gritando e de repente os barrancos pararam de cair, o vento foi parando lentamente e do córrego parecia vir um baralho, eram passos que vinham em sua direção e logo subiram o barranco. Os dois amigos ficaram com medo e foram caminhando, o barulho dos passos os acompanhava, parecia que uma pessoa estava em cima do barranco, então eles aumentaram os passos da caminhada e aquele barulho também passava a andar mais rápido, logo foram saindo daquela estrada de mata fechada, a lua começou a aparecer novamente no céu. Na frente deles havia uma ponte, pela qual eles passaram, mas os passos continuavam atrás deles na estrada e continuaram a segui-los até chegar na ponte,  eles passaram e logo na frente havia uma cruz na estrada, era um cruzeiro que representava que logo à frente havia uma igreja, eles passaram pela cruz e os passos que estavam os seguindo parou em frente a cruz e ali ficou. Os amigos foram para o circo, assistiram ao espetáculo e quando estavam saindo Zé estava com muito medo e comentou com Tonico:
_Será que aquele bichinho está nos esperando para nos levar até a panelinha de ouro enterrada?
Tonico não gostando do comentário que Zé fez, fala:
_Se o barulho dos passos estiver nos seguindo, prometa que não vai falar nada, vamos caminhar quietos e sem comentários.
Passando pela cruz, o barulho dos passos continuou a segui-los e os foi acompanhando até a bifurcação de onde saíram, eles seguiram o caminho para suas casas e os passos desceram e terminaram no córrego de onde ele saiu.
No outro dia, Zé sem comentar com seu amigo, vai ver se as estradas tinham desmoronado, quando chegou no lugar levou um grande susto, a estrada estava limpa, sem nenhum sinal de desmoronamento. Depois daquele dia, Zé passou a ter um temor e um respeito parecido com o de Tonico, prometeu nunca mais fazer piadas com o que não conhecia. E nunca mais teve coragem de passar caminhando por aquele lugar.

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