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   > ENTRE O ÓDIO E O AMOR...



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CRôNICAS

ENTRE O ÓDIO E O AMOR...

         
 
O amor e o ódio andam de mãos dadas? Que nada! Eles andam lado a lado, mas com objetivos opostos.  Quem ama respeita, quem odeia nem sabe o significado dessa palavra. Quem ama constrói, confia. E todo desconfiado traz em seu coração a sede de vingança movida pelo ato da destruição. Quem ama, ama-se e ama-te. O oposto,odeia o mundo e a si mesmo. E se tem algo que faz um estrago a sociedade é o mal-amado. Por quê?
A pessoa que não se ama não consegue amar ao próximo, até aí tudo bem, abraçando solitariamente  com o seu desamor... O problema é que toda pessoa mal-amada quer destilar o seu veneno nos outros.  Todo mal amado tem a mania de propagar a sua crença. E o pior que essas pessoas pensam que todos precisam ser cordeiros.  Se uma pessoa trava um relacionamento com um ser desprezível ,  problema dela. Quer ser saco de pancada em nome de um amor doente ...há quem prefira um “ódio” saudável.  Não temos obrigação de ficar ouvindo: “ Os homens são todos iguais!” ou “ Mulher nenhuma presta!”
Homens são diferentes uns dos outros.  Mulheres também são diferentes. Colocá-los (as) numa mesma forma por conta de uma revolta é no mínimo uma atitude infantil. Atribuir fracassos pessoais a terceiros é de uma violência sem limite. A vida é cheia de altos e baixos,tem momentos que uma tempestade nos faz sorrir, mas em outras situações um pingo é simplesmente a gota que faltava para transbordar os nossos sentimentos mais nobres ou mais abomináveis. Essa dualidade faz parte do caráter humano.
Como dissera o poeta Augusto dos Anjos “ A mesma boca que beija é a mesma que escarra” . Retruco dizendo que o mesmo coração que odeia é o mesmo que ama.  Só que esses sentimentos estão tão próximos, que às vezes brota o amor, mas por teimosia insistimos que é ódio. Porque o ódio cria uma capa de proteção enquanto o amor... despe-nos de todas as capas. E isso fragiliza-nos diante dos outros, tornando-se mais fácil propagar o ódio para esconder o amor.
Essa crônica surgiu de uma necessidade...  falar sobre um jovem que me parou na rua para falar do seu ódio pela vida._  Ódio? Questiono. O que a vida lhe fez? E antes que me responda, o que você devolveu para ela?
E a resposta é a mesma que qualquer outro jovem de cidadezinha de interior da Bahia...pobre, com um diploma  debaixo do braço, desempregado, homossexual, negro e mais uma montanha de cargas carregadas por opção ou imposição social, responderia:
_A vida é uma droga! Ela é boa para a senhora que está “feita”... Eu odeio essa vida medíocre! Essas pessoas medíocres! Essa cidade medíocre!
Foi tanta mediocridade ouvida, que não escapei de já está “feita” como  eufemismo para dizer que estou velha.  Com certeza, aquele jovem estava falando da idade, porque dinheiro...   A sociedade é cruel com as mulheres, passou dos quarenta, já está caducando. Se tem uma coisa que nunca tive foi crise de identidade, não terei quando chegar a terceira, quarta ou quinta idade...Isso porque desde a mais tenra idade busquei dá um sentido a minha vida. Na infância aprendi que o meu lamento só afastaria as pessoas do meu lado. Quem tem que miar pelo leite derramando é o gato desastrado que virou a tigela. Eu? Surfar numa onda de derrotismo?! Curto  ondas literárias.
Sempre me relacionei bem comigo mesma, sem nunca ser mal-amada.   Encaro as rugas numa boa e nem costumo brigar com o espelho nem com fotógrafos. Aliás ,depois das máscaras da tecnologia  evito fazer caras e bocas diante das câmaras. Deixo a foto no espelho para as adolescentes.
Olho para aquele jovem, e digo não estou feita, eu faço acontecer a minha história a cada dia.  E quando a minha vida também está uma droga, dela eu não bebo. Porque não quero ser uma viciada em mediocridade. E aconselharia ele fazer o mesmo.  Transformar cada droga em jardim.
E a sua resposta, não me surpreendeu pela revolta que havia em seu olhar:
_ Eu odeio a vida! Eu odeio seus textos!Eu odeio a sua respostinha  na ponta da língua!
Ele descarregou toda a frustração no primeiro que viu, e quem foi o alvo? Ele esperava de mim uma crise igual a dele? Não seria eu. Deixei enumerar tudo que ele odiava em mim. E ele com olhar vidrado, desafiando-me a questionar:
_ O que achou do livro LITERATURA DESMONTADA?
_ Li todos os contos, mas não gostei de nenhum. Por sinal eu até falei de alguns deles para meus amigos. Teve uns que li duas vezes.  Mas, sinceramente eu não gostei. Odiei!
_ E quanto os textos que disponibilizo em espaços de literatura, como o da Editora Protexto, por exemplo?
_ Um horror! Já li todos,mas não gosto de nenhum. Odeio!  Escreve muito mal. Eu gosto é de romantismo, beijo na boca, algumas pegadas... E seus textos? Carentes, coitados!
Fiquei radiante com aquela informação. Aquele rapaz totalmente revoltado com a vida e buscava nos meus textos um consolo... Tranquilamente, disse para ele:
_Que bom! Você está aprendendo a amar... Você já pensou em escrever textos “não carentes”? Seria legal... Tem muita gente que gosta desse estilo “caliente”... ( só não disse mais coisa sobre beijo na boca e as “pegadas” para não deixa-lo mais irritado)
_Eu? Tá louca? Eu odeio... Eu te odeio! Eu odeio tudo nessa cidade!
_Pois é, você me odeia e acompanha todos os meus passos.  Eu tenho certeza que o sentimento é o outro... Sabe de tudo que escrevo, lê todos os meus textos e consegue fazer uma crítica sobre eles que as pessoas que me amam não conseguem... O seu ódio por mim, está lhe fazendo um bem enorme.  Pois, com o seu ódio você está aprendendo a AMAR A LITERATURA!  
 



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