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   > Reconstrução da aldeia



Luiz Antonio Polli
      CONTOS

Reconstrução da aldeia

Quatro amigos combinam de ir caçar à noite e resolvem se encontrar na casa de Carlos, como era sempre de costume, ali eles ficam conversando e rindo, então, resolvem tocar e cantar algumas modas de viola antes de sair para caçar.
Casa do interior, coberta de sapé, chão batido, um pequeno fogo no meio, sentados ao redor, com banquetas improvisadas de tronco de árvores, eles tomam chimarrão e vinho, enquanto isso, em cima do fogo, as carnes de porco penduradas em um varal assavam, a fumaça saía e ia defumando-as, e essa era a forma que eles encontravam para conservar a carne, pois não havia se quer luz naquele lugar.
Eles cortavam algumas fatias daquelas carnes e iam improvisando espetos com varas finas, então espetavam as carnes e colocavam-nas sobre o fogo, e assim já iam comendo, enquanto isso, os cachorros deitados no chão ficavam esperando que jogassem um pedaço para eles, e assim, eles passavam horas se divertindo, tocando e cantando, até que resolvem sair para caçar.
Os quatro amigos pegaram as espingardas, o facão, as lanternas, deram um assobio para os cachorros e seguiram por aqueles carreiros escuros da mata, andaram por horas e não havia sinal de nenhum animal, eles atravessaram a mata e chegaram a uma lagoa, e ali se ouvia muito barulho de rãs e sapos, desanimados, eles sentam e ficam olhando para o céu, naquele momento acontecia uma mudança de lua, as estrelas foram sumindo, a noite começou a ficar mais escura e um vento forte começou a soprar, os cachorros que estavam juntos começam a uivar, alertando que viria uma forte tempestade.
De repente, os cachorros parecem ter visto um bicho e saem correndo, latindo, os amigos ficaram ouvindo os seus latidos para saber até onde iria a corrida, os latidos subiam o chapadão e no alto terminaram, assustados por nunca terem visto nada parecido, eles resolvem ficar por mais algum tempo apenas observando, os cachorros não davam se quer um sinal e o vento soprava cada vez mais forte, as folhas eram arremessadas em suas direções, e o medo aumentava.
Sem ouvir nenhum sinal, eles resolvem ir atrás dos cachorros e, então, começam a subir o chapadão, de repente ouvem os cachorros latirem, era próximo de onde eles estavam, com cuidado foram caminhando, se agarrando em árvores e nos cipós que haviam pelo caminho, pois as pedras eram escorregadias, qualquer descuido poderia ser fatal, quando eles chegam até onde os cachorros estão, eles tomam um susto enorme, nunca tinham visto nada parecido, os cachorros latiam, mas não havia nada, as suas espingardas naquele momento não funcionavam, pois estavam molhadas com a tempestade que estava caindo, as lanternas quase apagadas, os relâmpagos clareavam aquela noite escura, havia muito vento e chuva. Os cachorros saem correndo novamente, e eles vão atrás, um dos amigos se descuida e cai no penhasco, a queda foi fatal. Os outros descem e encontram o amigo todo ensangüentado, com muitos ferimentos, percebem que ele estava morto e o carregam, logo em frente eles encontraram um monjolo abandonado. Chegando nesse lugar, percebem que os cachorros estavam cavoucando e as raízes que encontravam cortavam em seus dentes afiados, os amigos com medo não se aproximaram, ficaram somente observando, perdidos, sem saber o que fazer, eles resolvem enterrar o amigo morto.
A noite estava fria, muito escura, parecia que nunca iria amanhecer e a temperatura caía cada vez mais, com isso, Carlos e os cachorros acabaram sendo os únicos sobreviventes, seus amigos não resistiram à forte queda de temperatura e acabaram morrendo.
Os primeiros raios de sol começaram a aparecer, e Carlos observa que logo a frente havia uma cabana, ele chegou mais perto e encontrou lá uma mulher de idade bem avançada, contou tudo o que havia acontecido, ela o acolheu e cuidou de seus ferimentos, contando que há alguns anos atrás, na sua aldeia, os homens saíram para caçar um tigre que matou a sua filha, mas, eles nunca mais voltaram, e as esposas não agüentando o sofrimento da espera de seus maridos, acabaram ficando todas doentes e morrendo, restando apenas ela e a sua neta. Quando a mulher apresentou a sua neta ele ficou impressionado com os seus olhos escuros que brilhavam, o seu olhar penetrou no olhar da moça e não sabendo o que falar ou fazer, ficou a olhando por alguns minutos e sentiu em seu coração que aquele era o seu lugar. Ele resolve ficar ali e ajudar a senhora nos trabalhos, os dias passaram, e ele foi gostando cada vez mais da moça. Em uma manhã, a avó da moça amanheceu muito mal e chamou Carlos para conversar, pedindo para ele cuidar de sua neta, pois ela estava partindo, falando isso, ela fecha os olhos e morre, Carlos conta para a linda morena dos olhos escuros, tudo o que havia acontecido e ela se joga em seus braços e começa a chorar, então, eles enterram a  sua avó.
Naquele lugar triste começou a nascer uma esperança, Carlos e a neta da mulher se casaram e começaram a vir os seus filhos. Com o tempo, eles fizeram amizade com as pessoas da aldeia vizinha e acabaram formando uma grande aldeia. Onde foi lugar de tristeza por muitos anos, passou a ser um lugar de muita alegria e paz, pois, onde não existia mais vida, passou a existir uma grande aldeia.



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