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   > AS DUAS VIDAS: A MINHA E A DOS OUTROS



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

AS DUAS VIDAS: A MINHA E A DOS OUTROS

                            
 
 
... à caça dos viventes de uma vida só, porque às vésperas de completar a maior idade, olha a identidade com aquela foto horrível do tempo da Maria-fumaça e pega a estrada.  Aliás,  os trilhos rumo ao sertão. Passa por Rio do Antônio, cidadezinha hospitaleira, Brumado, Caculé e chega ao destino: Licínio de Almeida.
 Que lugar frio! Lá revisitou a infância. Passa um filme totalmente inusitado para os tempos pós-modernos dessa era digital em que vivemos: crianças brincando de pega-pega,  triscou-pegou, picula, linha, esconde-esconde, sei lá o nome das brincadeiras... Em cada canto o nome é modificado, signo, você já sabe que é arbitrário. Uma corrida desembalada montanha acima e montanha abaixo. Era uma festa! A avó morava na Rua da Montanha e sair da Rua da Linha para Rua da Montanha era uma felicidade!  No alto, mais perto do céu e dos pães deliciosos feitos na padaria do padrinho. Orgulhoso, ele dizia: -Essa é a minha única afilhada, depois dela não batizei mais ninguém.  Onde estão as raízes?
Temos duas vidas?!  Uma sei que é a bem vivida... é aquela que conduzimos, planejamos , caímos, levantamos e prosseguimos sem jogar a responsabilidade dos nossos fracassos em alguém. Na vida vivida encontramos flores e também espinhos.  E o que vale a pena carregar em nossa bagagem?  Na vida bem vivida escolhemos os nossos amigos, companheiros de estrada.  Formamos ou não outra família, envolvemos ou não com pessoas do mesmo sexo ou sexo oposto, temos ou não filhos, são opções e mais opções que surgem. Cada qual cuidando da própria vida vivida.
Na infância a criança corre, pula, dança, grita, dorme, faz tudo no tempo dela. Quem interfere no tempo de uma criança? E do lado de cá,  o trem passa. Barulhento. Não ouvia os gritos de liberdade daquela meninada da Rua da Linha.
“_ Te peguei! Te peguei!  Se triscou pegou! Tá na linha! “
“_ Cai no poço!
_Quem tira?”
 Os bombeiros porque o poço é fundo. Na vida vivida a profundidade é estímulo para se aprender a nadar e ir para a outra margem. A segunda, a terceira ou até a quarta se assim aparecer. E quem preferir busca refúgio nas Margens da Literatura. A vida vivida tudo é construído e valorizado.  Há quem economiza um ano para ter uma vida vivida em dois, três dias fora do país sem falar uma palavra do outro idioma, mas um yes e um bye-bye são suficientes, thank you, my love. E aqueles que desfazem de um bem para viver um momento em um estádio torcendo pelo seu time, ídolo predileto. É vida! É vivida! É vida vivida!  Vida que te quero vida!
“_ Anelzinho passou, passou e em que mão ficou?”
_ Na minha não está, não gosto de anel!
A vida vivida tem espaço para “Ciranda, cirandinha/ Vamos todos cirandar/ Vamos dá uma meia volta,/Volta e meia vamos dar”, sabe por quê?  Porque quem nunca atirou o pau no gato não percebeu na infância que tem um cravo que insiste em brigar com a rosa. E na vida vivida os dois passarinhos caíram no laço e correram para o Tororó, mas não beberam água porque não era potável.
Na vida vivida uma, duas, três, quatro, cinco derrotas não são suficientes para jogar a toalha. Por que tudo é questão de tempo, lugar, “táticas” como dissera Michel de Certeau na Invenção do cotidiano. Quantas vezes acreditamos que os planos estão perfeitos, e a vida vivida nos mostra uma sequência de marquinhas vermelhas. Não recordava às vezes que tinha certeza de uma aprovação que não acontecera. Que as vaias sobressaíram mais que os aplausos...  Não aceitamos as injustiças sociais. Não aceitamos os preconceitos. Não aceitamos o “Não”! Na vida bem vivida, cada “não”é estímulo para encontrar um “sim” e fazer com que a nossa cara pintada pelo outro ganhe uma outra cor.
Em cada vida vivida há uma presença de espelhos.  Os espelhos revelam muito mais que as rugas, mas a alma. A pureza e a sujeira. O que temos e o que merecemos. O desejo e a conquista. A árvore e os frutos. O sorriso e a dor. A luta e os sacrifícios pela vitória. O passado e o presente.
No passado as lembranças se perdem e se acham envolvidas no barulho do trem. O trem que passava e acordava toda a gurizada da Rua da Linha. No passado das brincadeiras infantis, elétricas crianças, pareciam que tinham sebo nas canelas, corre daqui e correm de lá. Ou ficaria melhor ,correm de lá para cá? Sertão frio, aquecido pelas brincadeiras. E cá?
Cá os frutos são outros, também valiosos. Frutos de uma vida vivida. Presentes e presente. Porque a vida vivida é aquela que traz como bandeira: paz, solidariedade, respeito e amor.  Em todas as ações prevalecem na vida vivida tais sentimentos. E são eles que conduzem e valem a pena investir.  Na vida vivida cada um é condutor dos próprios passos.              
                                                               ***
_ Ah, chega de falar da vida vivida, passe para vida imaginária!
_ Vida Imaginária?
_ Sim, idealizada, imaginária, fantasiosa... faz diferença?
­_Ah, tá bom! Cada ser humano é capaz de traçar os próprios passos da vida vivida...
_ E a idealizada?  Fale da  I- DE- A-LI-ZA-DA!
_A vida idealizada é aquela que você não tem porque perde tempo em vigiar a vida que os outros construíram.  E vida dos outros não me interessa.
                       



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