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   > SENHOR LOBISOMEM E O PRONOME DE TRATAMENTO



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

SENHOR LOBISOMEM E O PRONOME DE TRATAMENTO

Sexta-feira 13, noite de lua cheia. Compadres e comadres sentam  num daqueles passeios para contar os causos de assombração. Mesmo da  varanda ouvia que a  conversa girava em torno de lobisomem, mula-sem-cabeça, negro d’água, mãe d’água e todas as figuras folclóricas que aquelas pessoas tinham sempre alguém que já vira ou ouvira dizer que existiam naquele povoado.
Toni  Marc ouvia tudo em silêncio. Jovem de 23 anos, corpo atlético, o trabalho no campo proporcionara aquela pele dourada. Naquele momento tinha que buscar a namorada professora de uma escola municipal ali próximo, não era nada supersticioso, mas medroso podia dizer que sim. E quanto mais aproximava o horário de buscar a namorada, mas Toni Marc se apavorava. Até então não havia se lembrado da tal sexta-feira treze, mas aquelas pessoas foram lembrar... _ Será mesmo que esses seres atacam nas sextas-feiras de lua cheia?
Bem, como não tinha jeito mesmo, Toni Marc coloca uma lanterna  no bolso, senta-se em sua bicicleta  azul e começa a pedalar, assoviando para disfarçar o medo. Quanto mais se aproximava de uma estradinha de chão, próxima ao milharal de Dona Sofia, local  de passagem obrigatória, mas suas pernas pareciam mais pesadas.
Gelado, percebe a presença de uma daquelas figuras folclóricas que há pouco ouvira falar. Só pode ser o lobisomem que abriu os braços para me agarrar – Pensa desesperado Toni Marc.  Aumenta as pedaladas e a lua cheia resolve pregar uma peça e se esconde por alguns minutos entre as nuvens ... Foi o suficiente para desequilibrar o Toni Marc ao se chocar com a fera, derrubando-lhe da  sua bicicleta.
No chão  de cara na areia, aterrorizado, numa escuridão repentina evita olhar para o bicho  se desespera dando pernadas, distribuindo socos afastando aquelas mãos peludas... e trava  um monólogo gramatical para  pedir para não ser devorado, mas de repente se lembra:
_ Que pronome eu uso para falar com um lobisomem?
_ Sr. lobisomem, não me morda , não me coma...
_Ué, lobisomem come homem? E por que tenho que chamá-lo de senhor?
_Você! Você seu lobisomenzinho de meia tigela não se  atreva  a encostar em mim! (Acho que esse pronome marca que sou muito macho e não vou me render a um lobisomem qualquer, sou medroso, mas deixar um lobisomem me tocar, não!)
_ E se esse lobisomem não gostar de ser chamado de você? Só falta querer ser Vossa Excelência! Desse modo poderá se confundir com as autoridades e não fica bem. Acho que ele está fingindo de morto para quando eu levantar me atacar, pois dizem que lobisomem só atacam assim, pelas costas...
_Vossa Alteza?! Não! Não pode ser. Olhe aqui, você pode ser até o príncipe dos lobisomens, mas nem pense que renderei, morrerei lutando. E trate de se levantar para brigar com um macho!
Enquanto Toni Marc ficava monologando de como tratar um lobisomem a sua namorada termina a sua atividade e como não o encontra na saída, vai ao seu encontro.  A distância percebe aquela  imagem grotesca no chão. Não o reconhece de imediato, mas se aproximar lentamente e vê-lo sentado naquele chão, bicicleta jogada ao lado em plena noite de lua cheia e para completar numa sexta-feira treze...  Passa a observá-lo e ouvir aquele terrível monólogo, com uma voz totalmente disfarçada da habitual ouve seu namorado Toni Marc falando:
_ Ei, moço! Mas respeito comigo! Sou um lobisomem de presença! E lobisomem como eu, precisa ser chamado de senhor. É isso, Senhor lobisomem!
Apavorada, Anita não quer esperar o desfecho daquele monólogo, sai desesperada:
_ Lobisomem! Ele é um lobisomem! E está agarrado com Pedrão...
No entanto, o gesto de Anita foi suficiente, para despertar a atenção de Toni Marc que imediatamente se levanta e grita:
_ Espera meu bem, eu vou botar  ele para correr!
Quanto mais Toni Marc gritava, mais Anita corria gritando:
_ Lobisomem! Lobisomem! E ele está dizendo que vai me comer!
Ao chegar desesperada  na casa do vilarejo onde ambos moravam ela fala aos prantos que havia visto o lobisomem...
_   ... Toni Marc estava no chão se espojando... na estradinha.... ele está com fome... tive que correr! Fiquei com medo, gente! O lobisomem atacou Pedrão... Estou com medo!
Foi o suficiente para  os compadres e comadres se armarem de porretes  para tocaiar o bicho, com lanternas saem em festa, pois aquele assunto renderia semanas naquele povoado. E ai de quem mexesse com um deles. Só não entenderam o porquê o Pedrão entrara na história, mas iriam descobrir. Em algazarra foram para a estradinha salvar o Toni Marc...
_ O que será que o Toni fez para deixá-la Anita em estado de choque?
E cada compadre dava um palpite provocando riso geral. E as gozações alimentavam o imaginário daquelas pessoas simples e solidárias...
_ Menina, Anita ficou muito assustada... Será que...
Novas gargalhadas.
E logo vêem Toni Marc empurrando a bicicleta , todo sujo com algumas palhas espalhadas pelo cabelo. E o bandeo que foi ao seu encontro logo silenciaram ao avistá-lo:

_Psiu! Lá vem a fera! Parece que lutou contra mil lobisomens... E de imediato interrogam:
_ Toni Marc onde está o lobisomem? O que foi que ele fez com você, rapaz? Você está todo sujo!
_Acalme-se pessoal está tudo bem. Vamos esquecer esse assunto.
_ Esquecer? De forma nenhuma, nós queremos saber para que lado ele correu...
_Gente, por favor ( já meio sem graça), deixe para lá. Agradeço a atenção de todos, mas vamos esquecer... Cadê Anita?
_ Se você estiver protegendo alguém... Vamos descobrir. Mas sua namorada viu você lutando com um lobisomem. Ela está lá em prantos, sem saber o que aconteceu com você!
_Eu?! Lutando... Não foi bem assim. Mas, voltemos.
_E de onde vieram tantas palhas em sua roupa? Você está todo sujo! O que o bandido desse lobisomem fez contigo! Conte! Nós não vamos sossegar enquanto não descobrir. Ele tentou te... te... pegar?
_ Ei gente! Sou homem! Já disse que não quero mais ouvir falar dessa história.
Dizendo isso. Três compadres se afastaram mais um pouco procurando um sinal das pegadas do bicho... E começam a seguir as palhas pelo chão...
Enquanto Toni Marc pensava numa forma de levar aquele segredo para o túmulo, mesmo correndo o risco de perder a namorada... Ouve a gargalhada dos compadres:
_ Pessoal, Anita tem razão em ter corrido do lobisomem. O bicho estava tão faminto que atacou até o Pedrão, o espantalho do milharal de Dona Sofia!


 
                            
 
 
 



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