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   > O FILHO DA LAVADEIRA



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

O FILHO DA LAVADEIRA

          Samuca é um garoto esperto, bom filho e bom amigo. Via em sua mãe um exemplo a ser seguido.  Na verdade a idolatrava, pois reconhecia os sacrifícios que Lucivanda havia feito para a sua criação. Chegar aos 10 anos de idade, filho de mãe solteira e ter muito orgulho do caráter daquela jovem de 29 anos de idade, por onde passava  despertava os olhares para aquela linda lavadeira.
         Como a instituição familiar é o alvo de ataque dos  "sem família", logo a recusa de Lucivanda em não querer nenhum relacionamento pessoal com aqueles “bons de papo” do bar da esquina, buscam-se motivos para atrapalhar aquela relação tão bem estruturada entre mãe e filho. Uma  mãe solteira que não quer outros parceiros, torna-se arrogante, desnaturada, santinha do pau oco, fingida... é isso, Lucivanda deveria ter um caso oculto. Inadimissível numa sociedade  machista aquela heroina brilhar sozinha nos palcos da vida. Busca aqui, acolá e nada!
Todos da Rua Liberdade conheciam Lucivanda e percebia sua beleza incomum... magra, alta, olhos castanhos, cor de cravo, seios fartos, corpo desejável pela galera do bar da esquina, mas todos tiveram que se contentar com um “Bom dia, senhores!” ou “ Boa tarde, senhores!”.  Todos? Não! Exceto, um...
Sr. Zefelino (esse aparece em tudo) não entendia o porquê a sua cantada que acreditara ser irrecusável,  não surtir efeito  em Lucivanda. Logo, passara a acompanhá-la as saídas da jovem à noite. E foi o suficiente para chegar a conclusão que o Samuca estava sendo negligenciado por conta dos casos secretos de Lucivanda. Claro, o seu veneno não teve efeito desejado. Pois os moradores da Rua Liberdade conheciam à luta de Lucivanda para criar aquele menino... E ninguém tinha nada para falar daquela criação.  Zefelino  não se contentou, muda de alvo. E passa a buscar no Sumuca uma razão para condenar a mãe...
E parece que tudo conspirava a seu favor, pois o Zé ao jogar a bituca de cigarro no chão percebe que Samuca rapidamente recolhe e coloca num pacotinho e sai correndo para dentro de casa. Aquilo logo foi criando uma história a ser divulgada. Mas, controlou a ansiedade de fazer o mal por algumas horas, poderia ser apenas coincidência. E passa a observar. E quando o menino surge a distância, ele espera a aproximar e novamente joga o resto do cigarro, dessa vez é acompanhado de mais um aliado que repetiu o gesto e servir de testemunha. De imediato, Samuca olha para os dois com um sorriso, rapidamente recolhe as duas bitucas e corre para casa.
Comprovado! Testemunha! O menino era um viciado. E a culpa era da mãe que não aceitava a sua ajuda para criação daquele garoto. E o veredito era logo definido e espalhado, sem nenhuma intenção de ajudar um “viciado”, se esse o precisasse...  E novamente espera que a sua semente do mal traga bons frutos para si, e fica a observar a reação de Lucivanda ao estrategicamente enviar um mensageiro, sutil como um elefante, falar sobre a condição do filho da lavadeira. Inalterada. Tranquila. Amada. A mãe naquela noite sai abraçada com o filho. Irritando-lhe cada vez mais. Precisava de algo mais contundente.
E de posse do seu celular,  joga a bituca novamente no dia seguinte, justamente no momento da passagem do Samuca... Ele para um pouco, balança a cabeça, fica pensativo e lentamente recolhe o cigarro e coloca num pacotinho que carregava em sua mochila. E Zefelino não perdeu um lance daquela cena. Simplesmente fotografa a ação da criança. A  prova do crime!
Naquele mesmo momento usa um perfil falso e posta a imagem do garoto num site conhecido com a mensagem “ABANDONO FAMILIAR...” Lucivanda, ainda estava na faculdade  quando fora alertada por uma colega se aquela criança na foto não era o seu Samuca. Ao observar ficara indignada. Apoiada pelos amigos  da sala, utiliza-se da mesma foto postada anteriormente e complementa:
“ABANDONO FAMILIAR... faz uma criança de dez anos catar bitucas acesas de cigarros  que os fumantes indevidamente jogam no chão para não queimar os pés das crianças pobres como ele,  como aconteceu na última quinta-feira com o garoto das iniciais S. M. P.  que estava brincando descalço na Rua da Liberdade, (porque  o único tenis que tinha estava molhado) enquanto a sua mãe Lucivanda Marques da Paixão, 29 anos, dedica seu tempo em lavar roupas da vizinhaça e estudar psicologia no noturno para garantir-lhe um futuro melhor,  já que essa criança, ao nascer, foi abandonada pelo pai”.
Naquela mesma noite  Samuca foi coroado “Pequeno Cidadão da Liberdade” com direito a três pares de  tênis e uma  caderneta de poupança, enquanto Zefelino se escondeu ao perceber que Deus... on line sempre!
 
 
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                                           Bahia/2013
                



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