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   > É CARNAVAL, MEU BROTHER! *



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

É CARNAVAL, MEU BROTHER! *

 

   Lentamente as estrelas vão perdendo o brilho enquanto o Sol timidamente pisca para aquela figurinha pequenina naquela praia deserta. Desnorteada sentindo muita dor, olhava para o corpo despido, claramente algumas marcas. Entre as pernas toda a confirmação da violência visível pelos vestígios de sangue. Por que estou sem roupa? Como cheguei até aqui? Com certeza aqueles beijos vorazes não faziam parte dos sonhos, mas dos piores dos pesadelos, não sabia se chorava ou se ia em direção ao mar tão convidativo naquele instante, seria apenas mais uma a desaparecer nas águas de Iemanjá.

   Recolhendo a calcinha, rapidamente olha de um lado para outro, ouvia claramente ao longe “...Oh! Que bom você chegou, bem-vindo a Salvador, coração do Brasil...” E as outras peças de roupa, onde estão? Como robô começa a agir mecanicamente, vê a blusa “tomara que caia” infelizmente, caída lá perto das pedras, seu short também, tenta correr, mas não há ânimo, levanta-se, mesmo sem ninguém por perto, cobre com as mãos os pequeninos botões , agora estupidamente feridos, ainda em fase de formação, pelos seus treze anos. Riscava bonecos na areia para aliviar a dor... Os castelos todos desmoronados. Como flash...

_ Neguinha, vá correndo trocar esse dinheiro com a sua tia, é para ontem! Daqui a pouco não terei mais troco, todo gringo só aparece com a nota de cem! E hoje está chovendo gringo. Pegue o atalho que não tem ninguém para chegar logo!

   Neguinha achou engraçado a mãe referir aos estrangeiros de “gringos” e sai sorridente repetindo a palavra “gringo! gringo!” E não é um gringo se materializou em sua frente?

           ...

   Tateia o bolso em busca da nota, com um certo alívio percebe que ainda estava lá, precisa da confirmação, surpresa em vez de uma, há uma outra de cinquenta reais fazendo companhia. Como duas notas? Se havia apenas uma? Quanto tempo se passou? Quanto tempo leva para se destruir uma vida?

   ...

_   Não moço eu não estava chamando o senhor, foi minha mãe quem mandou... Moço, não aperte meu braço! Eu não chamei, eu só es... Que cheiro hor..ri...vvvvvel

   _ Your mother after …after… I want you, baby, now! I like a little bitch! … She is very beautiful… I need…I want… I can!

                             …

     _Mãe, Oh, minha mãe aconteceu uma tragédia... Mas juro não tive culpa! Não me bata, eu não tive culpa! Ai,ai...a senhora está me machucando eu já disse... não ...tive culpa! Eu juro! Eu juro!

_    Vagabunda! Vagabunda! Eu trabalhando feito louca e você se rolando nas areias com os machos às minhas custas. Vou lhe acabar na porrada!

   _Eu não gastei seu dinheiro! Pare de me bater! Eu não gastei! Tome aqui, pode pegar todo!

   _ Aqui tem cento e cinquenta! Você não gastou? E qual foi a tragédia que aconteceu?

    _ Ai, ai, ai, não me bata mais! Não tem tragédia nenhuma só estava brincando! Por favor, não me bata! Caí e um gringo pisou em mim, mas acho que ele nem me viu... Ele não teve culpa e me deu esse dinheiro!

   _Ele se machucou? Você não se atreva a contrariar um turista!!!

       ...

   Enquanto isso, num camarote de luxo:

_   Você ouviu a história da noitada de Richard? Pegou uma neguinha a noite toda e só pagou cinquentinha...E ainda deu uns tapinhas nela pois estava dando uma de difícil. É carnaval, meu brother! É carnaval!


*Esta publicação aconteceu  para atender a pedidos...  Este conto encontra-se no livro LITERATURA DESMONTADA, editora Protexto, caso goste leve para casa e não gostando, indique-o para seu inimigo, mas leia antes! Veja o sumário:

 1. A escola dos sonhos
 2. É carnaval, meu brother!
3- A filha do ventre livre
4-Adulto tem cada uma
5- Literatura desmontada
6-Cadê a minha esperança
7- Treze de maio às avessas
8- As faces do trem
9- Professoras inventoras
10- Alma gêmea
11- Último gole

 Ah, cada leitor se identifica com um texto, leia e faça a sua escolha.

 

 



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