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   > PAPAI, QUERO MUDAR DE NOME!



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      INFANTIL

PAPAI, QUERO MUDAR DE NOME!

 

       Naquela pequena família formada por dois membros, o pai Reparildo Waner e o seu filho que não poderia ter outro nome, senão Reparildo Waner Filho. Fato que incomodava aquela criança era como o seu nome inquietava tanto os adultos. Pois para os seus primeiros colegas de escolinha maternal era normal chamá-lo de Reparildo, porque ninguém queria chamá-lo de “Filho”. Na verdade para os colegas o estranho era o último nome e não o primeiro.

        Reparildo, cresce, 10 anos, gordinho, resultado das goloseimas fora de casa, pele clara, cabelos lisos, olhos graúdos, um menino falante em casa na companhia do pai, mas passando de uma escola para outra, fase ginasial, Reparildo Filho fica cada vez mais quieto. A aula que mais gostava era aquela que o professor esquecia de fazer a chamada. Porque assim ele era poupado dos sorrisos, piadinhas dos novos colegas. Se pelo menos a sua mãe tivesse presente...

      Sr. Reparildo muito atento com o filho, desde que perdera a esposa assumira a dupla função, sendo além do pai o grande amigo do seu filho. Percebe a tristeza do garoto. E sem descuidar da educação, questiona o menino sobre o motivo da tristeza. Reparildo Filho pelo respeito e grande consideração que tinha com o pai, imaginou que ele ficaria contrariado com o seu desejo de mudar de nome para evitar as agressões dos novos colegas. Então, preferiu omitir o principal motivo e dizendo, sem mentir também, que estava  saudoso da presença materna.

       E o pai pacientemente fala também da sua saudade, mas a vida é assim mesmo. Todos nós estamos de passagem neste mundo, uns vão para o outro mundo mais cedo, outras demoram um pouquinho mais _ dissera o pai._  A sua querida mãezinha, partiu mais cedo. O importante é saber  que o período que ela esteve presente em nossas vidas ficará gravado para sempre.

       Reparildo Filho ouvia o pai atentamente com orgulho daquele homem. Enquanto ele pudesse esconder o seu problema com o nome,  esconderia. Pois seu pai não merecia se aborrecer.

      Só que na escola o bullying prevalecia. _ Reparildo gordinho! Vai reparar o quê? _ Reparildo quando você vai reparar a sua gordura? _ Reparildo, cadê a reparação?
      Reparildo cada vez mais fica calado. E a sua vingança era comer e comer mais doces, frituras, cachorro-quente... E cada dia  ficava mais pesado. Calado. Sofrido. Sem querer sair da sala, isolado-se aos poucos.

       O pai ao observá-lo mais atentamente, revê um filme antigo, percebe que algo o incomodava e telefona para a escola , e a direção o convida para informar a situação do garoto. Assim é comunicado sobre isolamento da criança, a apatia e a falta de participação. Estranha, pois o garoto sempre tão saudável e brincalhão... Agradeceu a direção e prometeu acompanhar de perto para sanar aquele problema.

       Ao chegar em casa, fica aguardando Reparildo Filho chegar, e observa que ele vem como se tivesse um mundo em suas costas. E o aborda de maneira incisiva:

      _Filho, o que está acontecendo? Fale, qual é o seu problema? Não adianta negar!

      _Papai, quero mudar de nome!

       O pai deu uma gargalhada gostosa. Pensava em mil coisas que havia acontecido para deixá-lo naquele estado, mas o problema era o mesmo...Um nome! E fala para o seu filho toda a gozação que ele passou por conta do nome e da gordura na sua adolescência... _Cheguei a pesar quase 70 quilos... dissera. E o filho que nunca havia imaginado que seu pai também havia passado pelos mesmos problemas  questiona:

        _ Como o senhor resolveu?

_ A primeira mudança é aqui dentro ( e pega do lado do coração do filho) só quando mudamos por dentro que conseguimos mudar por fora. Vou lhe explicar. Eu era revoltado com o meu nome, mas a minha revolta com o nome fez com que aumentasse o meu peso, comia muitas bobagens e engordava e engordava. Assim, meus colegas que riam do meu nome passaram também a sorrir da minha gordura, do meu andar desajeitado, da minha timidez... E cada dia aumentava mais os problemas. Decidi resolver um problema de cada vez, e passei a investir na minha saúde primeiro. E comecei a fazer caminhadas, pedalar, jogar bola... No início era uma gozação aquele adolescente gordão correndo desajeitado atrás da bola, depois percebi que era bom goleiro. Quando emagreci já tinha feito tantas amizades que o problema do nome ficou tão pequeno que nem pensei mais em mudá-lo. Mas eu me permitir a mudança... Não me isolei porque precisamos uns dos outros.

      E daquele dia em diante Reparildo Filho começa a sua dieta e maratona de exercícios, pois seu pai lhe ensinou uma bela lição. Não adiantava querer fugir dos problemas porque eles iriam acompanhar. E estava superfeliz consigo mesmo, e a sua felicidade foi percebida pelos colegas que logo disseram:

    _ Olhe para “Repara”, pessoal, parece que viu um passarinho verde! Será que já está namorando? Reparildo, está virando homem!

     Realmente, Reparildo estava diferente, aprendeu a amar a si mesmo e encarar os problemas de frente. E quando isso acontece a mudança é notável. Se ele mais tarde irá mudar de nome, não se sabe, porque seja Pedro,  Tadeu, José, Manoel, Ricardo, Joaquim, Alfredo, Marcos, Afonso, Lucas, Eduardo, Levi, João, Marcelo, Edmilson, Felipe, Eliaquim, Francisco,  Daniel, David, Samuel, Israel, Frederico, Raimundo, Abel ou Caim... naquele momento era o Reparildo que estava se divertindo com os colegas no jardim.

 



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