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   > ANDANÇAS COM SALVADOR BAHIA



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      RESENHAS

ANDANÇAS COM SALVADOR BAHIA

 

SAMPAIO, Antonio Possidonio. Andanças com Salvador Bahia. Santo André/SP: Alpharrábio Edições, 2006.

 

 

O escritor Antonio Possidonio Sampaio é baiano de Morro Preto, local que pertence ao município de Iaçu,  Bahia desde a emancipação política, 1958. Nasceu em 1931, e a partir de 1949 reside em São Paulo, onde se formou pela USP em Direito. Exerceu o jornalismo profissional e em 1965 começou a advogar na região do ABC .

      Estreou na literatura em 1970 com a crônica "A arte da paquera" e em 1976 ganhou o I Concurso Escrita de Literatura, com o livro "Sim, Senhor , Inhor Sim, Pois Não..". Autor de "Galeria da solidão", "Vendedores de ilusão", "Vamos empinar papagaio", "A Capital do Automóvel", "Lula e a greve dos peões", "Em Manhattan do Terceiro Mundo", "ABC Cotidiano", "Andanças na Contramão", "Em busca dos companheiros", "ABC dos peões"... No entanto é Andanças com Salvador Bahia que irei discorrer.

    "Andanças com Salvador Bahia"  de certa forma é um registro   literário de viagem,   comprobatório de  que a literatura baiana não foi enterrada com Jorge Amado, Herberto Sales... Há muitas produções que precisam ser escavadas e apresentadas.

      O livro em questão inicia com um questionamento sobre a real condição do “Salvador Bahia” na narrativa. Seria um personagem ou co-autor? Cabe com essa indagação, informar ao leitor que Salvador Bahia, personagem do texto do autor, Em busca de um companheiro, tornou-se uma representação tão forte a ponto de confundi-lo como o próprio autor. Fato que o autor deixa essa abertura para que o próprio leitor tire as conclusões.

      Em Andanças com Salvador Bahia o leitor precisa ter fôlego para acompanhar o rítmo acelerado do personagem-narrador. Trata-se de um livro de memórias no qual é resgatado um encontro do escritor(?) talvez, ficaria melhor substituí-lo por Salvador Bahia, com um grupo de amigos e familiares para a virada do milênio. Algo que já havia sido cogitado, mas por questões outras só foi possível acontecer no dia 31 de dezembro de 2000. E como não poderia ser diferente o primeiro capítulo da narrativa ou a primeira crônica de viagem é “ Na virada do Milênio”.

     Assim, “Na Virada do Milênio” Salvador Bahia consegue reunir os companheiros e numa Pousada "Cabanas Aruá" exibem as camisas de 'cores distintas feitas especialmente para o momento, com a charge do personagem e seguida de versos de poetas brasileiros. O grupo em comboio percorre a costa do Sauípe e seguindo para Salvador- Bahia. E o personagem-narrador ou o narrador que virou um personagem traça o roteiro percorrido na capital baiana. Apresentando as belezas e os problemas da grande metrópole e da mesma forma o intinerário feito para chegar na cidade de Iaçu, onde os parentes e amigos moram. E numa espécie de diário de bordo, cada dia é marcado com pequenos registros.

       A segunda parte do livro em análise o personagem-narrador apresenta o seu mundo em “ No meu pedaço”. Tratando-se da ocasião em que trocou de morada São Paulo por Santo André. E de uma forma surpreendente mostra como em nossa vida as mudanças são necessárias, para não rotinizar e até robotizar as ações. E com isso, é mostrado as ruas das caminhadas, os trajetos modificados, as inquietações com as mudanças de nome das ruas percorridas. Momento em que personagem e escritor se mesclam tornando um só ao avaliar a importância da inovação, já que “ o roteiro era frequentemente alterado, pois a exemplo de outras atividades libertárias, mudar é necessário.”

    Como a viagem da Bahia foi interrompida por problemas pessoais, ele fecha o livro no terceiro momento com o título “ Viagem interrompida, Viagem continuada”, e volta a traçar a partir do primeiro dia de janeiro de 2002, novos registros em seu diário de bordo durante todo o mês em que esteve na terrinha. Dessa vez, em férias na Bahia onde vários locais são percorridos e visitados, incluindo nesse roteiro a querida e hospitaleira cidade de Iaçu.

     Com as “Andanças com Salvador Bahia” é possível conhecer um escritor baiano, engajado nas lutas político-sociais, mas com uma preocupação gritante, em toda obra, com o destino da cultura literária da Bahia. Pois a cada local percorrido, há uma curiosidade em conhecer as livrarias, biblioteca, os locais de cultura. Manifestando-se o desejo de implementar um espaço cultural na cidade de Iaçu, apoiado pela sociedade civil.  Fato se concretizou através do Espaço Cultural Antônio Possidonio Sampaio, apoiado pela associação de moradores que visam um cidade melhor através da cultura (AMAI- Associação dos Moradores Amigos de Iaçu). 
      Com um olhar atento para as manifestações culturais da grande metrópole e como a “Emídia” é eficiente nesse jogo de convencimento, o personagem-narrador brinca com os gêmeos críticos que saem de si e persistem em não se calarem diante dos fatos; “Outrossim e Outrassim”. E são eles que na festa da virada apresenta a cena descrita: “ Manada quase toda de branco, na observação de Outrassim, que vê carneiros ao longo da avenida Oceânica, tangidos pela venerada dona Emídia, tachada de piranha imperial e o braço direito do Gigante Mercador pela irmã gêmea de Outrossim” ( p. 90)
      Enfim, o livro traz uma linguagem fácil, mas extremamente crítica, com as andanças percebe-se a indignação do personagem-narrador diante das violências sejam elas sutis, como o ocultação de um "Dona"  no nome de uma rua paulista enquanto as outras "donas" permanecem inalteradas, ou escancaradas como a morte de um prefeito paulista.  



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