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   > NÓS E NEPOMUCENO: um encontro com as narrativas orais



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      ENSAIOS

NÓS E NEPOMUCENO: um encontro com as narrativas orais

     Qual a criança é estimulada a sentar-se para ouvir de seus pais, avós, tios  histórias inventadas nesse mundo midiatizado e globalizado pelas TIC e Internet?  A facilidade de acesso e prontidão de resultados nas redes contribuem para que muitos adultos percam os hábitos saudáveis  de contação de histórias infantis. No entanto, as escolas  deveriam preservar essa política cultural estimulando a criatividade e fazendo circular projetos  como esse que resultou no livro “ Nós e Nepomuceno” cuja autoria é de uma escritora baiana,  professora aposentada Angelita  Maria Lima de Aragão, afinal, há ganho maior para educação do que formar leitores e escritores?
       Em “Nós e Nepomuceno” a escritora Angelita Aragão através de uma pesquisa qualitativa, com base nas narrativas orais ajudada pelos registros da própria memória  resgata algumas histórias que foram contadas  em um período distante. Para tal ela utiliza-se de passagens resgatadas da infância e adolescência, e como uma grande colcha de retalhos vai unindo cada “pedacinho” e dando vida aos personagens apresentados ao longo das narrativas como uma representação dos  próprios parentes.
       O  livro em destaque é divido em três partes, sendo a primeira dedicada ao protagonista “Nepomuceno”,  um senhor, grande contador de histórias e apaixonado por animais e as artes. Espécie de ídolo para  o personagem –narrador,  o seu gosto por animais é tão acentuado que nomeavam  os gatos, galinhas, galos, maracanãs com nomes próprios. No entanto, preservando algo que justificasse aquele nome. Uma galinha arisca, por exemplo, era a “Selevera;” a que perdeu uma visão era “Sinhá Doca”; o galo que perdeu as penas “Berto Pelado”.  Essa parte é um convite a imaginação infantil, tão presa a coisas prontas que chegam em nossos lares via internet.  E o personagem-narrador busca justificar cada nome, arbitrário ou não, para conduzir o leitor a embrenhar num mundo que a escritora diz ser “pedacinhos” da  própria vida.
         Já na segunda parte, o leitor passa a ter acesso as histórias inventadas pelo protagonista “Nepomuceno”.  A autora resgata das narrativas orais duas histórias  que possivelmente ela tenha ouvida na infância, fazendo parte de um grupo de crianças que paravam para ouvir o que os mais velhos tinham para ensinar. Já que cada história contada vinha sempre com um fundo de moral, espécie de  ensinamento, bem presente nas fábulas.
        A primeira fábula resgatada  trata-se de “ O casamento da filha do vento” na qual o vento Nicolau em suas andanças acaba se encontrando com um sapo muito esperto como genro, mas o vento mostrou-se bem mais esperto e a narrativa traz no final essa moral “ Nunca ponha em dúvida a esperteza dos outros”. Sendo que a segunda narrativa traz a advertência final “ A ganância nunca foi uma boa companheira” para justificar as ações de um casal ambicioso ao descobrir que  havia cabaças encantadas num roçado e carregá-las as maiores por ganância e inveja do vizinho que havia encontrado ouro nas “Cabaças cantantes”.
       A terceira e última parte a autora resgata através da personagem  “Iaiá”, as narrativas contadas por ela  para as crianças. Um dado interessante da história é como a personagem Iaiá é apresentada; uma mulher forte, líder do lar, pulso firme com as crianças.  Extremamente consciente de seu papel de administradora do lar, mas sem abrir mão de fazer o que gostava, como assistir novelas pelo rádio e contar histórias para toda a criançada. Assim, histórias de duendes que ajudam os mais necessitados,  casa mal-assombrada na qual o fantasma também ajuda o pobre personagem,   Kamunzê um monstro estranho que engolia as pessoas, mas se desfez diante de uma negativa,   povoavam as mentes das crianças, sem perder a lição de moral em cada uma delas. Sempre voltada para ensinar a respeitar  ao próximo, não cobiçar o que é dos outros, se preparar diante das negativas e assim por diante.
 
        A linguagem é fácil, com ilustrações feitas pela própria autora que além de escritora é artista plástica.  Após registros de todas as histórias, os personagens representados assinam no final do livro, numa espécie de autorização do uso do nome, mesmo tratando-se de  narrativas com base na oralidade. Essa atitude  revela uma ética que precisa ser aplaudida  não apenas pelo o público infantil ou infanto-juvenil a quem o seu livro destina, mas pelo  adulto também. E quem sabe a partir da iniciativa dessa escritora, outros e outras possam também buscar nas memórias as histórias ouvidas e contadas numa época que cada vez mais se distancia da infância dessas  crianças “digitais” da pós-modernidade.
                                                                                         
 
                      Obrigada pela leitura!

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Bahia, 2013
Produção/2012

 
 
 



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