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   > O HOMEM QUE NÃO VESTIA JALECO BRANCO



Geovani Silva
      CONTOS

O HOMEM QUE NÃO VESTIA JALECO BRANCO

Sentou-se num banco de madeira de um hospital publico um homem de camisa listrada. Aguardava sua vez para ser atendido. Vagueou a mente, como se ao seu redor tudo estivesse sendo fechado. Como se todas as janelas estivassem fechando-se bem lentamente, as imagens ficando difusas. Como se ele também se trancasse. E estava. Somente para si mesmo, como um egoísta. Pouca coisa o tirava daquele seu estado absorto. Naquele corredor comprido iam e vinham, passos e passos de pessoas vestidas de branco. Forçadamente uma pergunta o arrancava do seu estado total inércia: o que eu sou? Devia de haver algo de misterioso por trás do ar daquela gente. Pareciam falar outra língua— A linguagem dos vestidos de branco. Porque moravam todos em um lugar branco. E começou a surgir dentro de si um desejo de estar ali vestido de branco. No vai e vem dos corredores, mais do que isso talvez, um hospital é mais que um lugar de passagem, é a sua casa quando se esta de olhos fechados. Ele queria mesmo era abrir seus olhos e escutar somente uma vez: “Doutor Marcos, por favor, compareça a sala cirúrgica”. Que dor é esta, meu Deus, que sobe do peito rasgando o interior e apertando o coração? Precisava se encontrar, mas estava se perdendo toda vez que buscava não ser ele mesmo. Entrou infeliz no consultório medico. Era uma medica de aparência jovial ainda, mais nova que ele: usava óculos, vestia um jaleco branco e uma calça transparente também branca. Consultório bem arrumado com toque e charme bem feminino. O ambiente exalava um odor de perfume que era uma mistura de uma sensação boa, indescritível— O de estar presente ali. Sensação esta que era ao mesmo tempo agonizante para a única pessoa que inevitavelmente ali que não vestia branco. Começou a observar os objetos em cima da mesa. Ele achou individualidade em cada pertence que era muito pessoal: um bichinho rosa com branco num canto, porta lápis com adesivo de gatinhos colado, uma agenda que não se parecia com a de uma medica e um celular personalizado de cor forte. Marcos ficara espantado ao surpreender-se que aquela médica vestida toda de branco tivesse algo em comum aos mortais. E que a medica atendeu-o com um largo sorriso e isso o fez sentir-se melhor. Quando ela lhe perguntava o que sentia, ele começou a medir as palavras externando o melhor de sua pronuncia, enquanto medica que era pouco se importava como pronunciar palavras. Mal o celular tocou e ela fora atendê-lo como algo necessário a vida: adotou uma pose peculiar ao falar—era uma conversa fragmentada de duas pessoas fechadas dentro de um circulo. “... estou com um paciente agora”. De repente toda aquela individualidade desaparecera dos objetos. Quem é esta mulher? De onde veio? Que tipo de vida ela leva? “... esta bem Tatiana vamos marcar então. Até mais, beijos”. Quando falava ao celular era ainda mais desconhecida para ele, mas em um instante quando voltou sua atenção para o homem, ela voltou a ser uma medica e ele, alguém que queria fugir de si mesmo. Notara que havia uma leve mudança de expressão no canto dos lábios da medica. Chateara-se com aquela ligação e o trabalho já cansativo e estressante. Colocou a mão sobre a testa tapando metade dos olhos— queria fechar os olhos para tudo e não ver paciente na sua frente. Fugidia mirou por uns instantes à sua frente o paciente que logo sairia pela porta e estaria solto para a vida lá fora. Saiu da sala, o homem, deixando alguns pedaços seus pelos blocos cirúrgicos, pelos corredores e com cada um dos que vestiam branco. Deixando o hospital um mendigo pediu-lhe dinheiro para comprar um lanche. Ele pagou-lhe um almoço, que ficou extremamente feliz e disse que queria ser como ele. Surpreso, o homem perguntou-lhe por que. Que queria vestir-se assim como ele, com uma calça, e uma camisa listrada e bonita. E um par de sapatos. O homem de camisa listrada atônito ficou em silencio. E foi-se. O mendigo falou em voz alta: este homem de camisa listrada que é feliz.

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