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   > CORDEL DO PAIZÃO NAMORADOR



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      POESIAS

CORDEL DO PAIZÃO NAMORADOR

_Esse meu filhão...
 Está muito devagar!
Era a fala daquele pai
Muito orgulhoso de ter um herdeiro
E por nascer cabra macho
Queria  vê-lo namorar.

 
Enquanto o menino, coitadinho
Não podia o pai satisfazer 
Porque era ainda um garotinho
Via a escola como  lazer
Para os seus  6 aninhos.
Já não sabia o que responder.

 
_ E ai filhão,  cadê a namorada?
Não me diga que não tem!
Você nasceu homem, rapaz!
Se a menina vacilar
Chegue perto, dê um beijinho
Você nasceu para namorar.

 
_ Papai,  namorada eu  não tenho
Estou ainda bem pequeno... Por sinal
Falei com a minha professora,
 
Que achou seu discurso bem  tradicional,
Contraditório e sem graça
Ela disse que isso é mal.
 
_ Sua professora, pensa assim, é?
Porque a coitada nunca se casou
Mas  você é meu filhão
Que não vai dá ouvidos o que ela falou
Se sua namoradinha está na sala...
Você encontra  na outra, namorador!

 
_ Papai, não fala assim da minha pró.
Ela ainda  não se casou
 Porque não quis  sofrer de novo
Ela  no passado  se decepcionou
Preferiu a solidão a língua do povo
Então, respeite  a sua dor.

 
O pai assombrado
Com aquela revelação
Pois sabia ser o responsável
Causador da decepção
Só não sabia que o seu caráter
Já foi o assunto em questão.

 
Era muito namorador
Galanteador de carteirinha
Não podia ver mulher
Já pensava na farrinha
E agora,  o que fazer?
Aquela mulher voltando de Serrinha...

 
Ficou doidinho para perguntar:
O que aquela “maluca” lhe falou?
Mas, não podia usar uma criança
Para sua curiosidade saciar
Fica a pensar naquela noite longínqua...
Em que a magia reinou.

 
Como não queria compromisso
Estava saindo de uma separação...
Disse para aquela jovem, esquecê-lo
Que foi tudo ilusão !
Ela sumiu da cidade por muito tempo
Só voltou no último verão.

 
Depois daquela conversa ouvida
Com outros olhos,  viu o seu filhão
Um menino de apenas 6 anos
E com um bom coração
E não teve mais coragem de questionar
Quando a criança iria namorar.

 
No entanto, um mês se  passou
E eis o filhão sorridente!
Papai,  tenho uma surpresa
Minha namoradinha virá jantar com a gente...
Você irá conhecer no seu aniversário...
E com certeza, ficará contente.

 
_Namorada? Filhão...
Você é ainda pequeno
Mas menino tem quer ser machão
Ela é bonita ? É legal? Onde mora?
Não quero ser sogro de canhão...
Estou doidinho para conhecer a minha nora.
 

_Calma, namorador! Ah, paizão...
Hoje o senhor irá conhecê-la
Ela não é canhão!
O senhor se encantará quando vê-la
Lembre-se de que ela é minha namoradinha...
Que o senhor tanto me chama a atenção!
 

 
À noite, o filho esclarece
_Papai, a mãe dela também vem
Por que não é recomendável
Uma criança sair sozinha...
Quem sabe o senhor namora também...
A mãe é tão bonitinha.
 

Mãe e filha descem  animadas ,
com duas fotografias das crianças na mão...
O pai que cobrava  uma namorada
Observa a cena  sem ação
Era a linda professora!
Com  uma criança... olhos, cabelos, sorriso...Filhinha!  filhão?
 
Oh! Fruto de uma paixão!
 
Não precisava olhar duas vezes
Nem exame de paternidade
Aquela princesinha era sua
Aqui ou na eternidade.
Quando vê seu filhão encantado!
_Essa não! Filhão... Ela não! ELA NÃO!
 
O menino  sorrindo questiona
Para o pai apalermando:
_ O que realmente quer que eu faça?
Que eu arranje um namorado?!
Essa garotinha não é linda, papai?
Por que  ficou contrariado?

 
O paizão gagejava sem ação
Não sabia o que dizer
Tanto cobrou uma namorada
Mas aquela não poderia ser
Como explicar o filhão
Uma situação difícil de resolver...

 
-Não fique triste, papai
No tempo certo, vou namorar
Ainda estou tão novinho
O senhor é quem precisa se casar...
Tudo tem sua hora
Momento e lugar.

 
_ Já sei de tudo! E agora vou te falar
Eu não posso namorar Thainá
Porque ela é minha irmã
              Trago para lhe apresentar
 Feliz  aniversário, papai!
Queríamos lhe agradar.
 
 
O pai não esconde o pranto
Do presente que ganhou...
Aprendeu também  com o filhão
Respeitar os gêneros, sim, senhor...
Ele queria o filhão namorador
Mas  a sua  filhinha... Não, senhor!
 
 
 
 
 
 


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