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   > A PEQUENA POLLY



Geovani Silva
      CRôNICAS

A PEQUENA POLLY

 
            Lá estava ela, parada. Olhinhos fixos e ansiosos na grande expectativa como uma miniatura de gente. Sua carinha carente esperava ser compreendida. O cabelinho com lãs de coberta, embaraçado que eram pretos e curtinhos pareciam ter saído de uma noite bem dormida ate tarde.
            Em suas mãos de dedinhos pequenos e delicados, uma boneca era pendurada pelos cabelos loiros que mais pareciam uma boneca de milho verde. A felicidade era-lhe estampada no rosto. Aguardava paciente a sua amiguinha sair pela porta da cozinha. Mas saia a mãe da coleguinha já olhando para a pequena aos gritos que na mais pura inocência de criança não entendia aquela cara fechada, irritada. Quando ela o que mais queria era brincar de boneca.
            Enquanto dentro de sua casa tocava musica evangélica falando de amor ao próximo, a mulher gesticulava, alvoroçava e dizia coisas as quais aquela pequena jamais ouvira um dia. As palavras eram duras, humilhava a menininha que só queria começar seu dia que custara a chegar. De uma noite longa, a mais longa de sua vidinha. A boneca era um presente. O mais lindo que ela já ganhara desde quando não vira mais o pai ausente. “Mamãe, amanhã vai demorar a chegar?” “Um pouquinho, meu amor. Por quê?” “Quero que a Lila veja a boneca que papai me deu!”
            Estremecia ao ver um monstro na sua frente, carrancudo sem nenhum olhar solidário.
            — Olhe para você! Coisa imunda! Não esta me escutando? Você é feia, esta me ouvindo?
            Mas a pobrezinha mal entendia aquela grosseria toda, a não ser o tom de voz, bruto, ríspido e com aquele dedo lhe apontando na cara. Assustada tentava em vão dizer alguma coisa, gaguejava olhava para o presente em sua mão. Os olhinhos arregalados ficaram vermelhos, as sobrancelhas acompanhavam a reprimenda humilhante que seus ouvidos eram submetidos.
            Um ódio me consumia ao ouvir tudo aquilo. Quem consegue ficar na indiferença?
            — Vai embora para sua casa! Lila não vai mais brincar com você! Vem aqui sujar a minha casa com essas besteiras! Porca nojenta!     
            Ah! Mas como tive vontade de lhe sacudir por inteira! Aquela mulher só se preocupava com a vida mesquinha que levava com o próprio umbigo. Como quis dar-lhe algumas lições pedagógicas, abrir-lhe os ouvidos para lhe perguntar para que serviam-lhe as musicas que ouvia todos os dias.
            Em soluços a pequena Polly esfregava os olhos e as lagrimas desciam inconsoláveis. O pezinho riscava o chão a sua frente, a porta batia na sua cara enquanto alisava a boneca e cantarolava sem saber as musicas de amor que soavam de dentro da casa.
 
Geovani Silva- Contos e Crônicas 2013
 


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