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   > GLEIDSON



Geovani Silva
      CRôNICAS

GLEIDSON

Quando o vi pela primeira vez, logo percebi que ele não tinha infância. E quando digo que não tinha, na verdade quero dizer que nunca tivera.
 Aquela rua fazia parte do meu trajeto de todos os dias e esta rua, nas tardes de verão haviam inúmeras crianças brincando de bola, correndo e pulando.
            Mas debruçado no muro pelo lado de dentro com uma alegria disfarçada no rosto e trepado sobre um monte de tijolos, Gleidson torcia, gritava e se agitava.
Mas ninguém lhe dava bola, ninguém sequer o ouvia, quem sabe nem lhe via?
Era raro haver algum dia em que eu não via aquele garoto empoleirado naquele muro. Mas numa sexta-feira qualquer havia um pesar imenso no rosto daquele garotinho, mais do que qualquer dos dias em que o via ali. Parece que tinha perdido a razão de alguma coisa. Estava debruçado no muro e com o queixo apoiado sobre os braços, os olhos fundos e sem alma. Parei um pouco para observá-lo, como faz parte dos meus hábitos, observar sem pudor e discretamente. Aproximei-me e por alguns segundos vi que aquela carinha estava desapontada com a vida que tinha, e tão novo, tão imaturo e ingênuo.
Os olhos, eles me chamaram