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   > O CANARINHO PERDEU A VOZ



Geovani Silva
      CRôNICAS

O CANARINHO PERDEU A VOZ

Do que ele mais gostava? Vou refazer a pergunta: o que mais o fazia feliz? Estudar ele gostava, apesar de ser ainda pequeno raquítico e franzino caminhava sozinho ate a sua escola. Mas o que o fazia feliz mesmo era em sua caminhada pedir balas de caramelo aos vizinhos.
— Oi dona Dé! A senhora tem uma balinha de...não, duas de caramelo?
— Uai! Por que hoje você quer duas e não três de caramelo?
— É que a bala três era para Camilinha, só que hoje ela não vai pra escola.
— Ah, é? O que aconteceu com ela, esta doente?
— Não! É que hoje ela vai no dentista com a mãe dela...
— Ora! E não é a mesma coisa?!
— Não Dona Dé! Dentista cuida dos dentes... e o médico da saúde da gente.
— Ah! Agora entendi... e para quem é a outra bala então?!
— É para a minha professora! Gosto muito dela!
— Então ta bom, meu filho, vai com Deus. Estuda direito.
Todos tinham amor por ele, era simpático e muito obediente. Certa vez lhe perguntaram o que ele queria ser quando crescesse, então dizia que o seu maior sonho era ser um piloto de avião. E não é que quando só ouvia o som estridente de um sobrevoando ele corria ate perder o fôlego e ficava olhando ele sumir de vista?
Não faltavam as aulas. No quarteirão, todo já se acostumara com ele. “olha lá vem fulaninho, vai lá no pote pegar as balinhas de caramelo...”
Quando não estava na escola você podia vê-lo correr para lá e para cá só de cuequinha. Ele não era filho único havia mais cinco irmãos. A mãe cuidava dos filhos sem a ajuda do marido que deixara a família quando viu um decote menor passar em frente a sua casa. Enquanto Sonia trabalhava fora como faxineira, o mais velho que cuidava dos outros quatro irmãos.
Dona Dé tinha-lhe um afeto tão grande como de mãe a um filho. Aguardava-o ansiosamente todos os dias e não saia da janela enquanto não passasse para dar-lhe as balinhas de caramelo.
— Dri se você for ao mercado hoje não esquece das balas de caramelo do Canarinho.
— Que mania, mãe chamar o menino de Canarinho!
— Ah, mas parece um. Você já viu como aquele cabelo loirinho dele é igualzinho?!
Certo dia o Canarinho não apareceu, não fora pegar as balinhas de caramelo, nem passou pela rua em direção a escola. Alguns acharam que ele estava doente, outros que ele não queria mais bala ou que apenas faltara a aula.
Talvez ele nem sequer tenha pensado que faltaria a aula naquele dia. O dia fora passando e a preocupação de todos ia só aumentando. Passou-se o meio-dia, chegara-se a tarde e se deram conta de que ele tinha sumido.
Veio então um garoto correndo, sem fôlego e chorando aos tropeções naquela viela esburacada. “Vem... q-que... a-acharam ele...”
Dona Dé com o coração em pleno desespero já pressentindo o pior saía correndo mais a filha. Não havia como passar de tanta gente que se acumulara em questão de pouquíssimo tempo. Tanta gente gritando justiça, tantos prantos, tantos carros, tantas viaturas de policia e acelerando de forma violenta uma ambulância do SAMU.
Numa casa na elevação, uma faixa zebrada em amarelo e preto indicara que o local estava interditado. A partir daquele dia não haveria mais um garoto alegre pedindo balinhas, não haveria sonho de piloto de avião e muito menos o brilho que se vê nos olhos de uma criança.
Porque saindo daquela casa com as mãos algemadas, um maldito pedófilo.
 

(Baseado em fatos reais na vida de um garoto, Canarinho que teve a sua infância barbaramente interrompida.)
Vamos proteger as nossas crianças!                                                                
                                                                                                                Geovani Silva— Contos e Crônicas 2013


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