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   > Uma Carta Para a Dor



Paloma P. O.
      CONTOS

Uma Carta Para a Dor

 Querida Dor...

Gostaria de falar contigo a respeito daqueles tempos passados, quando andavas à minha espreita. De quando seguravas as minhas mãos e me ajudavas a caminhar pelas escuras e  vazias ruas do meu coração.

Lembro- me vividamente de quando me achastes em um canto, sozinha, e me dissestes palavras amargas com doçura. De quando me atrevi a seguir-te e tu me lançaste em uma profunda agonia.  Agonia esta que me fazia bem.

Tu me causavas profundas feridas, minha pele ficou rasgada em muitas partes por causa do teu canto de ninar. Meus olhos se fizeram rios por me incentivares a desistir. Mas, acima de tudo isso, era a ti que eu devia a minha existência.

Digo isso, dona Dor, pois foi por estares ao meu lado que pude esquecer-me de outras amarguras. Contigo eu conseguia deixa-las de lado, conseguia desconsiderar a tristeza ou a decepção.

Sei que estas, que são tuas companheiras, ainda vivem por aí, em busca de novos sofredores. Porém, tu eras a única que, junto com o desejo de morte trazia o alívio para se querer viver mais um pouco.

E foi assim que fizestes a mim. Com tuas fortes garras, com teus gritos de desespero, me motivastes à vida. E, depois de ter buscado outros companheiros à parte de ti, percebi que podia me aliviar de um outro modo. Um modo que me traria satisfação.

Agora ando com a felicidade e o contentamento. Eles dizem serem teus irmãos, mas são diferentes de ti. São o teu total oposto, tudo o que nunca fostes.  Eles me fazem bem. Não que tu não fazias. O teu bem porém, era mau. O bem destes é bem.

Mesmo assim, nunca me esquecerei de ti. Tu me fizeste passar tempos e tempos pensando no que fazer de minha vida. Por tua causa renasci, revivi, sou nova por dentro e por fora. Só me restaram realmente as cicatrizes de teus cuidados. Essas nunca saem, como se já fizessem parte de mim. Talvez isso de dê para que eu sempre seja grata por teu esforço. 

E é por isso que te escrevo hoje, para que te lembres de mim. Pois eu, com este agradecimento cortante, envio-lhe minhas lembranças.
 
                                                                       
                  De quem machucastes profundamente... com amor.  


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