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   > A AMIGA



Geovani Silva
      CONTOS

A AMIGA


 
“Sempre juntas”. Este era o lema que criaram para impedir o desenlace da grande amizade. Amavam-se tal qual um amante fomenta a desejada. Estudavam na mesma sala de aula. Saiam de mãos dadas e onde se via uma lá estava a outra. Para uns, uma amizade estranha. Os comentários que se ouvia não eram nada agradáveis.
                — Lá vêm as duas. Igual carne e unha.
                — Sei não. Acho essa amizade meio esquisita...
                — Pois é. Tão bonitas... será que têm namorados?
                — Claro que não! Que cara que vai querer carregar uma vela?!
                — Acho que não gostam de homens.
                Não bastasse os de fora, agora ate os da família. “você não esta exagerando Berê? Esses falatórios dos vizinhos...”
                Mas ela se defendia aos gritos que esse pessoal, bando de intrometidos que não tem nada melhor para fazer alem de querer cuidar da vida dos outros. E que não se importava. Não deixaria de ter amizade com Isolda por causa de gente fofoqueira. E como isto a atormentava! Vontade tinha de cortar a língua desses imbecis!
                Talvez fosse mesmo por pura inveja. Porque as duas eram lindas. Os homens as queriam inteiras, quando passavam com roupas curtas, cabelos longos. Os de Isolda eram pretos ate azulados quando o sol insidia em todo o seu comprimento. Berenice era loira de cabelos encaracolados e com aqueles olhos verdes matava qualquer um. Mas as outras mulheres morriam de inveja. Não eram tão bonitas quanto, mas as casadas temiam pelos seus maridos que fingiam de bobos ao vê-las. Mas o sorriso era um castigo sem igual. O que poderiam ter destas mulheres senão meros espectadores da beleza daqueles amáveis rostos deslumbrantes?
                Um dia no recreio da escola se aproximou um rapaz. Era de atitude positiva, despretensioso, mas se apaixonou por Isolda. Conversavam, riam, brincavam. E nesse ínterim, Berenice já não tinha mais o lugar que era dela, o de uma amiga confidente. Sentindo que Isolda dividia as surpresas, e ate um pedaço do seu lanche com o intruso. Mas tivera a idéia de um passeio pelo parque. Marcado o encontro. Aí sim! Teria tempo com a amiga, colocariam todos os assuntos em dia. Os segredos guardados de algumas semanas, em suma, uma tarde agradável. Mas quando Isolda apareceu de mãos dadas com Eduardo tudo caíra por terra. Um grande tremor de decepção tomava conta de Berenice.
                — Mas você não me contou nada.
                — Amiga, nem tudo vou sair te contando.
                Berenice tremeu por dentro. Ódio, ciúme e paixão avassalaram seu corpo inteiro.
                Não se sabe o que a feria mais: o namoro repentino ou a facada que levou nos ouvidos. Deram beijos, se abraçavam e mesmo assim foram ao parque. Tentavam se divertir os três, mas os risos a dois do recente casal os faziam desaparecerem do mundo. A intimidade criava um novo laço. Não havia mais espaço para terceiros. Berenice falava pouco por não encontrar uma greta de passagem. Nem para sair, nem para entrar.
                Os dois passavam mais tempos juntos. A caminhada para escola era marcada pelos afetos trocados. E juraram amor eterno. Eduardo esperava todos os dias a sua amada em uma esquina próxima a uma padaria. Isolda se renovava a cada dia mais com seu novo amor. Começou a pensar em planos para o futuro, imaginava-se em um vestido cheio de brilhantes e rodado com aquelas camadas sobrepostas, as meninas segurando a cauda atrás e o escolhido a sua espera lá no altar. Virou a rua e não sabe dizer a continuidade daqueles pensamentos quando seus olhos estremeceram com a sua melhor amiga travada em beijos e caricias com o seu noivo.
 
Geovani Silva — Contos e Crônicas
 
 


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