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   > A EXPECTATIVA DE BRENO



Geovani Silva
      CONTOS

A EXPECTATIVA DE BRENO


Levantou-se cedo. Não dormiu direito. Dobrou direitinho o cobertor, e afoito escovou os dentes. Desceu correndo as escadas e foi direto a cozinha. Tomou o café as pressas.
 — Cadê o papai, mamãe?
 — Seu pai foi trabalhar. Já esqueceu?
 — Ah! É mesmo! Vai chegar tarde hoje?
 — No mesmo horário que chega todos os dias.
 — Ande logo com o café. Se não vai se atrasar para escola.
 — Sabe aonde meu pai vai me levar hoje à noite?               — Não, não sei. Aonde ele vai te levar?
 — Não vou te contar. É segredo.    
Breno teve o dia mais longo da sua vida. Na aula as horas não passavam. A de matemática era a pior de todas. Os ponteiros do relógio pareciam colados aos números. E fazia tudo se misturar naquela cabecinha ansiosa. Ele não falava de outra coisa senão que o pai prometera lhe levar ao Mineirão para ver o jogo. Os olhos saltitavam úmidos de tanta emoção quando perguntava:
 — Você já foi?!
 — Eu já e você?!
 — Eu não. Vou à primeira vez hoje à noite.
 — Breno! Vire-se e preste mais atenção a aula.
Dora amava dar aulas. Apesar de ter de chamar a atenção deles uma vez ou outra, Breno era muito aplicado aos estudos. Mas ela conhecia muito bem seus alunos. Sabia que era difícil dar atenção individual. Mas em todos estes meses nunca vira o quanto aquele garoto estava animado. Ele não se agüentava em ficar um minuto sequer sem falar que seu pai iria levá-lo ao Mineirão. Fez todos os deveres sem fazer corpo mole. Durante o trajeto a sua casa, a mãe só ouvia partes e mais partes do segredo revelado.
— Eu já sabia seu bobo.
— Ah! Porque não me disse?
— Para não estragar sua surpresa!

Ajudou à mãe a tarefa de casa também fez o dever escolar, depois jogou vídeo-game sem nem se chatear que perdera todas as partidas. É que ele não conseguia se concentrar.
— Meu pai ta demorando, né?

Breno ainda não entendia coisa alguma sobre jogos, mas a sua emoção estava na magia daquele lugar, grande, cheio de gente e tão falado. Aquele craque que fazia “horrores” com a bola como falava seu pai e se tornara um ídolo também para o garoto. Breno não via hora de chegar ao outro dia à escola e contar aos seus coleguinhas como foi. Ainda melhor: passear só com o pai. Os dois iriam comprar alguma coisa para comer. Talvez pipoca e um refrigerante. Duas Cocas-Cola para ser exato. Ele ia gritar bem alto junto com o pai quando o time preferido mandasse a bola e balançasse a rede.
— Ele está quase chegando, não é mãe?
— Daqui a mais ou menos meia hora, meu filho.
— Já vou ficar de banho tomado para não atrasar.
Correu tropeçando nas coisas pelo corredor.
Tomou então banho, escovou os dentes, foi até seu guarda-roupa vestiu o uniforme do time.
Neste instante o pai entrara, cansado do serviço, do transito barulhento. Avistando o garoto em pé na porta com a chuteirinha na mão, com sorriso largo no rosto na expectativa.

O pai parado segurando o paletó no ombro em estado de choque com os olhos arregalados com a iminente surpresa que se esquecera da promessa e não comprou os bilhetes para o jogo.
 
Geovani Silva — Contos e Crônicas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


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