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   > A RELAÇÃO ENTRE A ORALIDADE E O PROCESSO DE ESCRITA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS ESTADUAIS DE ARAGUAÍNA



Luiz Augusto Gonçalves Bezerra
      ARTIGOS

A RELAÇÃO ENTRE A ORALIDADE E O PROCESSO DE ESCRITA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS ESTADUAIS DE ARAGUAÍNA

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A RELAÇÃO ENTRE A ORALIDADE E O PROCESSO DE ESCRITA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS ESTADUAIS DE ARAGUAÍNA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARAGUAÍNA – TO
SET – 2013
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
            O ser humano é um animal distinto dos demais sobre vários aspectos, dentre os quais o que será tratado nesse projeto: sua capacidade de registrar tudo o que se relaciona a sua própria vida e tudo que o cerca. Ele não é só capaz de se comunicar verbalmente, mas consegue representar o que pensa, sente, deseja, através de diversos símbolos gráficos, transmitindo aos demais. Desse modo as linguagens, oral e escrita são estreitamente ligadas, pois uma depende da outra.
            O desenvolvimento da humanidade está intimamente atrelado a comunicação no campo oral e, sobretudo, a representação gráfica dos seus pensamentos, ideias e sentimentos. A aprendizagem da escrita se dar, de modo geral, na infância, quando as crianças estabelecem seus primeiros contatos com símbolos gráficos através de desenhos e rabiscos (GOMES, 2007).
A escrita representava, em seus primórdios, em muitas sociedades status de poder aos detentores desse conhecimento. Surgiu da necessidade de registro e controle da produção agrícola e comércio entre nações. RODRIGUES (2004) faz o seguinte questionamento: “Será possível educar para a emancipação do homem, para livrá-lo de toda a opressão que o esmaga?”. A partir desse questionamento, comparando com o pensamento inicial do parágrafo pode-se deduzir que ao dominar o processo de escrita e consequentemente de leitura, o indivíduo adquiri condições de melhorar seus status em diversos aspectos.
            Como foi descrito, o desenvolvimento humano mostra-se mais evidente quando a pessoa passa se expressar por meio da escrita, contudo, da mesma forma que o humano se desenvolve com a escrita, está também sofre alterações evolutivas em muitos pontos, como na forma de grafar cada letra dependendo de cada contexto em que são inseridas, sofrendo inclusive influencias históricas e geográficas.
            A escrita possui a função de representar os sons da fala, mas apresenta certas regras que a “padronizam”, não sendo permitidas algumas variações como ocorre na linguagem oral. No Brasil, por exemplo, existe uma variedade de sotaques que não devem ser transferidos para a escrita de textos em situação formal. Na medida em que se desenvolve a pessoa vai construindo habilidades referentes a linguagem escrita e necessita dominar regras formais pré-estabelecidas para seu uso.
            A menor unidade de um idioma é o fonema. Atualmente o alfabeto da língua portuguesa possui vinte e seis fonemas, cada letra tem pelo menos um fonema, algumas possuem mais de três. Essa variedade fonética das letras confunde muitas pessoas, sobretudo, as crianças em processo de alfabetização, levando-as a cometer equívocos ao escrever.
            Devido à diferença entre o grafema e o som que esse representa dependendo da palavra, torna-se fundamental o estudo da fonética e da fonologia, disciplinas didaticamente divididas, mas dependentes uma da outra. A fonética ocupa-se em estudar os sons da fala e a fonologia estuda os sons e a diferenciação entre diversos significados de cada palavra (GARCIA, 2000).
            As crianças aprendem inicialmente as vogais, seus grafemas (maiúsculos e minúsculos) e os seus fonemas simples que esses apresentam, em seguida passam a conhecer as consoantes, novamente lhes é apresentado os grafemas (maiúsculos e minúsculos), sem aprofundamento ao estudo dos fonemas que cada um pode representar, internalizando, por vezes, um único som que será atribuído sempre aquele grafema específico.
            Essa desatenção dada a fonética acaba confundindo a compreensão do aluno, uma vez que na fala emite-se o fonema de uma letra no lugar de outro, como ocorre em palavras terminadas com “l”, pronuncia-se “u” em vez de “l”, daí é grafado “varau”, quando o correto seria “varal”.
            Ferreiro & Teberosky (1999) tratam a questão da aquisição da leitura e da escrita relacionando-a com a construção da fala, descrevendo a metodologia empregada para o processo de alfabetização seguindo a progressão clássica (começar pelas vogais, seguidas da combinação de consoantes labiais com vogais, e a partir daí chegar a formação das primeiras palavras por duplicação dessas sílabas).
            As autoras realizam crítica a esse método, pois consideram equivocada a associação realizada entre o ato de ensinar a ler e escrever como se esse fosse idêntico ao processo da aprendizagem da fala. Nesse sentido mostra-se evidente a busca de metodologia alternativa que atribua ações especificas voltadas para o ensino e aprendizagem da escrita, a fim de evitar os frequentes “erros” apresentados no momento de grafar certas palavras pela relação estabelecida entre os sons e os grafemas que o representam.
            Escrita e fala se completam, a primeira transforma a segunda, e a segunda influencia a primeira pelo aparecimento de “traços da oralidade”, imprimindo suas características neste. A relação entre as duas precisa ser compreendida para que os alunos sejam capazes de produzir textos coerentes, coesos, adequados e sem erros ortográficos (Parâmetros Curriculares na Prática).
A escrita apresenta-se mais complexa que a fala, pois precisa de uma gama de recursos para representar aquilo que é “natural” na fala, além do que nem sempre a palavra grafada representa fielmente a fala, por isso é necessário que se tenha acesso a uma diversidade de textos para que haja familiarização com as palavras e sua correta grafia.
Outro fator relevante entre escrita e leitura é o contexto de produção e contexto de uso abordado por KOCH; ELIAS (2008). Eles estabelecem que depois de produzido, o texto ganha uma independência de seu autor, sofrendo influências espaço temporais, tendo significado diferente daquele pretendido ao ser escrito, nesse sentido o aluno precisa compreender que o texto será lido por alguém que dará a própria interpretação das palavras que ele utilizou, portanto deve ser grafado de acordo com a norma padrão, para que o leitor compreenda a mensagem, subentende-se que todos devam conhecer as normas para que haja um bom entendimento.
A Secretaria da Educação do Estado do Tocantins disponibiliza aos professores da rede pública estadual um material de apoio chamado Referencial Curricular, com o intuito de auxiliar o trabalho docente e padronizar o ensino, atribuindo diretrizes a serem seguidas. Segundo esse material o ponto culminante do trabalho realizado em Língua Portuguesa é a produção textual, pois é a partir dele que o aluno demonstra o seu conhecimento a respeito da língua materna, portanto é dado enfoque aos tipos e gêneros textuais.
Segue-se agora um breve panorama sobre as algumas “recomendações” do Referencial Curricular a cerca do ensino de português para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental primeira fase.
No primeiro ano é recomendado trabalhar com a linguagem oral, abordando também akguns gêneros textuais no âmbito da oralidade, ditados com sílabas simples, “produção textual” através de desenhos, uso das letras maiúsculas e ao fim do ano letivo escrita de pequenas frases.
Para os alunos do segundo ano também se recomenda o trabalhado com gêneros textuais, mas já com pequenas produções escritas, uso de sinais de pontuação e acentuação gráfica, escrita de palavras e frases mais complexas, estudo de dígrafos e encontros consonantais, palavras grafadas com a letra “h” e as letras “m’ e “n” no meio das palavras e palavras sinônimas.
No terceiro ano a produção dos gêneros textuais já deve ser intensificada, uso dos tempos verbais, estudo de algumas classes gramaticais, além dos demais conteúdos trabalhados nos anos anteriores. Para o quarto ano o texto deve ser abordado mais detalhadamente, estudando-se a coesão, distinção entre autor r narrador, interpretação, formas verbais, classes gramaticais, oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, concordância, aliteração, assonância, verbetes de dicionário, uso das letras “r”, “rr”, “u” e “l” no fim das palavras, “e”, “i”, “o”, “u”, “j”, “g”, “s”, “ç”, “ss”, “z”, “x” e ch”, estruturas sintáticas entre outras.
Para o quinto ano abordam-se os gêneros, fazendo leitura, escrita, interpretação, análise de características, acentuação gráfica, concordância verbal e nominal, revisão e reescrita do próprio texto, classes gramaticais gerúndio, bem como outros assuntos já citados.
Em contrapartida com as recomendações do uso das normas padrões da língua portuguesa tratado no Referencial Curricular do Tocantins, vê-se a disseminação de uma linguagem particular, própria das redes sociais, onde nota-se uma desatenção as regras gramaticais e os textos são desprovidos das normas gramaticais, predominando a informalidade e uso abusivo de abreviações que também não estão de acordo com as normas estabelecidas pela linguagem culta, embora exista uma “netiqueta” (etiqueta de uso dos recursos próprios da Internet, inclusive a comunicação) que diz que se deve verificar a ortografia ao estabelecer interação entre outras pessoas e postagens de mensagens (VIANA, 2012).
Viana (2012) diz que o uso exagerado de abreviações, símbolos gráficos e o não respeito às normas ortográficas, sintáticas, semânticas prejudicam, mesmo que em nível de interação informal, a compreensão da mensagem que se pretende enviar, por exemplo, querer indicar uma idéia adversa e utilizar o advérbio “mais” em vez de “mas”. Há uma dinâmica especifica de comunicação nas redes que muitas vezes são levadas para situações de produção formal ou para o ambiente escolar, interferindo na forma correta de grafar as palavras.
A capacidade de comunicação é inerente ao ser humano, existem diversas formas de promovê-la, uma delas é transformar o que se pensa e sente em símbolos gráficos que possuem significado pré-estabelecido com o intuito de disseminar informações, configurando-se como uma maneira de representar a oralidade através das letras.
A escrita aliada a leitura pode ampliar as perspectivas do indivíduo, fazendo com que ele descubra novas formas de interagir com o mundo e as pessoas que o cerca, bem como promover o desenvolvimento da sociedade como um todo, através das ciências e tecnologias.
Mas para que isso seja possível é necessário que no decorrer dos processos de alfabetização e letramento seja feita precisa distinção entre o falar e o escrever, dependentes um do outro, porém com suas peculiaridades, tomando cuidado com as diferenças existentes na linguagem oral de cada região e a estreita relação entre fonema e grafema.
No estado do Tocantins os professores contam com um material de apoio que norteia os conteúdos, competências e habilidades que devem ser trabalhadas para desenvolver, com êxito a aquisição e aperfeiçoamento da leitura e escrita, tornando o ensino uno em todas as escolas pertencentes a rede estadual de ensino.
Atualmente não se pode pensar em processo de interação, leitura e escrita sem lidar com as tecnologias (computadores, laptops, tablets, Internet entre outros), pois as pessoas mostram-se cada vez mais “conectadas” a essa realidade. Não se pode deixar, contudo de relacionar as normas gramaticais às “conversas” e troca de mensagens veiculadas nesses meios.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JUSTIFICATIVA
A ideia da elaboração do seguinte projeto de pesquisa surgiu a partir da observação da produção textual realizada por alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental de escolas estaduais na cidade de Araguaína. Através da leitura de muitos textos foi possível identificar muitos erros ortográficos semelhantes entre vários alunos.
Mesmo identificando diversos erros referentes a ortografia os alunos, em sua maioria, conseguiam ler com certa fluência (de acordo com o nível de cada um) os textos que produziam, demonstrando que compreendiam o que estava escrito, embora a grafia estivesse em desacordo com as normas padrão da língua.
Após estabelecer comparação entre a produção e a leitura que faziam dos referidos textos ficou evidente a associação que os alunos realizavam entre o som daquilo que pensavam para produzir seus textos e a forma que grafavam nos cadernos.
Os erros mais frequentes estavam relacionados aos sons vocálicos no final de palavras, acréscimo ou falta de letras em algumas palavras (como “r” indicador de verbo no infinitivo), bem como erros dessa ordem que prejudicavam a concordância verbo-nominal.
Há uma grande dificuldade das pessoas, de modo geral, em grafar corretamente aquilo que escrevem, tornando ás vezes, complicada a tarefa de quem irá ler. Buscar identificar os erros mais comuns e tentar desenvolver um material ou método pedagógico para corrigi-los, impulsiona a realização do presente trabalho.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS
O presente projeto tem como objetivos principais a identificação dos erros mais frequentes na escrita, a fim de estabelecer a relação entre eles e a oralidade, para construir em seguida direcionamentos metodológicos de intervenção no processo de ensino e aprendizagem da leitura nos anos iniciais do Ensino Fundamental do 1° ao 5° ano.
Com o projeto busca-se também realizar pesquisa referente ao nível de leitura e escrita dos educandos dos anos iniciais do Ensino Fundamental das escolas públicas estaduais da cidade de Araguaína, no que diz respeito ao domínio da ortografia, segundo os padrões da norma culta da língua portuguesa, estabelecendo parâmetro comparativo com os dados oficiais apresentados pelos órgãos estatais, por meio das avaliações externas a escola.
Além desses, é proposta desse trabalho analisar as metodologias e recursos didáticos e pedagógicos empregados pelos professores para alfabetizar e desenvolver as habilidades e competências no campo da linguagem em seus aspectos oral e escrito, bem como estabelecer se há consonância entre as diretrizes estabelecidas pela secretaria da educação estadual e o trabalho docente, observando se eles valorizam o emprego da fonética e fonologia no ensino da língua.
Identificar o emprego dado a palavra grafada pelos alunos em seu cotidiano, buscando conhecer onde ela é utilizada, se há conhecimento das normas gramaticais e se há preocupação em seguir tais normas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA
            Inicialmente será realizado um estudo bibliográfico sobre a temática, buscando identificar os conceitos de fonética, fonologia, oralidade e escrita, alfabetização e letramento, a fim de estabelecer uma visão mais ampla do assunto para alicerçar a pesquisa e facilitar as etapas seguintes do trabalho.
            Após realização da pesquisa buscar-se-á observar o trabalho realizado em escolas da rede pública estadual da cidade de Araguaína com os professores que atuam no Ensino Fundamental do 1° ao 5° ano, fazendo relatórios das metodologias empregadas em sala de aula para trabalhar a leitura e a escrita no processo de alfabetização e letramento.
            Posteriormente serão realizadas leitura e análise dos cadernos de produção textual dos educandos inseridos nos anos citados, elencando os erros de ortografia mais frequentes, listando-os em seguida para observar se há semelhança entre os equívocos cometidos pelos alunos, observando se a raiz do problema na escrita decorre da oralidade.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRONOGRAMA
ATIVIDADES JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO
Escolher o tema a ser abordado X      
Levantar os tópicos a serem abordados na pesquisa X X    
Pesquisar as fontes bibliográficas para desenvolvimento da fundamentação teórica X X X  
Ler os materiais coletados, destacando os pontos relevantes para a pesquisa X X X X
Digitar e formatar as informações obtidas através das leituras e destacamento dos pontos relevantes     X X
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana; trad. Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
GARCIA, Maria Cecília. Minimanual compacto de gramática da língua portuguesa: teoria e prática. São Paulo: Rideel, 2000.
GOMES, Eduardo de Castro. A escrita na história da humanidade. Disponível em: (acesso em 15/08/13)
KOCCH, Ingedore Vilaça. ELIAS, Vanda Maria. Ler e Compreender os sentidos do texto. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2008.
             Parâmetros Curriculares Nacionais na prática. São Paulo: Editora Didática Paulista.
Referencial Curricular do Ensino Fundamental das escolas públicas do Estado do Tocantins: Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano. 2ª Ed. Tocantins: Secretaria de Estado da Educação e Cultura, 2009.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da educação, ed. 6., Rio de Janeiro: Lamparina.
VIANA, Neilane de Souza. A linguagem escrita na era da tecnologia: Investigando a informalidade nas comunicações on line. N. 02. Ano I. Minas Gerais: Revista Vozes dos Vales: Publicações Academicas.
 
 


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