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   > Sociedade e Identidade Individual: Algumas Considerações



Luiz Antonio Polli
      ARTIGOS

Sociedade e Identidade Individual: Algumas Considerações

De acordo com o sociólogo Bauman (2005) o mundo de hoje acaba por oferecer a cada ser humano inúmeras possibilidades de identidade, possibilidades essas que levam cada indivíduo a ter a ilusão de que possui a liberdade de escolher quem ele é, ou seja, cada pessoa, supostamente, é levada a acreditar que tem o poder de decidir a que grupo pertence e assim a trocar de identidade quando se sentir entediado da mesma. Dessa forma, conclui-se que “a fragilidade e a condição eternamente transitória da identidade não podem mais ser ocultadas” (BAUMAN, 2005, p.22). 
[...] a ‘identidade’ só nos é revelada como algo a ser inventado, e não descoberto; como alvo de um esforço, ‘um objetivo’; como uma coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre alternativas e então lutar por ela e protegê-la lutando ainda mais — mesmo que, para que essa luta seja vitoriosa, a verdade sobre a condição precária e eternamente inconclusa da identidade deva ser, e tenda a ser, suprimida e laboriosamente oculta (BAUMAN, 2005, p. 22).
 
Com isso, Bauman (2005) mostra que atualmente o mundo vem tendo grande influência sobre a liberdade de escolha de cada pessoa, sobre a sua busca por uma identidade, assim, cada vez mais, os seres humanos acreditam que estão decididos por si mesmos a ter determinada atitude, mas sem perceber, acabam sendo influenciados pela globalização, pela mídia, pelo contexto social em que estão inseridos, dentre tantas formas de coação, que mascaradas, contribuem para a alienação do homem.

A partir do descrito por Bauman (2005) passa a se perceber o surgimento de novos estilos de vida, estilos esses, que acabam por afetar o dia-a-dia de cada pessoa. E então, “os valores se transformam e tornam-se obsoleto para hoje aquilo que valia ontem, da mesma forma que o futuro próximo pode desmerecer aquilo que valorizamos agora” (AUGUSTI, 2013).
Conforme Bauman (2005 apud Augusti, 2013), “a busca ávida e sem fim por novos exemplos aperfeiçoados e por receitas de vida é também uma variedade do comprar”. Assim, a sociedade impõe ao homem a necessidade de ser o “melhor”, o “perfeito”, bem como, o torna cada vez mais consumista, sem que na maioria das vezes, ele saiba porque está comprando determinado produto, o que contribui para que ele vá perdendo pouco a pouco a sua identidade.

Segundo Bauman (2005), a busca pela identidade individual se torna cada vez mais importante, assim, as relações acabam por interferir nas construções cotidianas de cada pessoa, bem como, em suas práticas sociais, contribuindo para o seu entendimento do mundo. Dessa forma, as identidades, que antes eram consideradas como seguras e estáveis, iniciam, hoje, um processo de fragmentação.

Com isso, pode-se concluir que nesta era globalizada, pela qual estamos passando, há um grande número de carências, ansiedades, dúvidas e preocupações presentes na vida cotidiana do ser humano, que muitas vezes, perdido em meio às suas inseguranças, tem a necessidade urgente de fazer parte de um grupo, de um lugar, ou seja, de se sentir acolhido, de alguma forma.

Assim, a questão da identidade, em nossa sociedade, vem se intensificando cada vez mais, de forma perturbadora, já que, estamos vivendo em um mundo possuidor de inúmeras alternativas, sendo que elas acabam por inibir o sujeito muitas vezes, ou até mesmo, o forçando a omitir o que ele é, por medo de mostrar suas fraquezas para os outros.

A televisão vem sendo um instrumento para a atual concepção da identidade em nossa sociedade, pois, de acordo com Monte (2012), com o advento da televisão, ela vendo sendo cada dia mais incorporada no convívio familiar, assim, as propagandas, novelas e reality shows veem revelando inúmeras identidades estereotipadas aos milhares de telespectadores e influenciando-os, ou até mesmo, moldando-os conforme o “modelo” que apresentam em seus programas, que podem modificar de forma positiva ou negativa a identidade de cada pessoa.

Além da televisão, pode ser exemplificado, ainda, a internet, como um meio que captura as pessoas em uma “relação” virtual, fazendo com que as mesmas cheguem, muitas vezes, à criarem novas identidades, máscaras, tendo atitudes que dissimulem o seu verdadeiro “eu”, a sua realidade, conforme alerta Bauman (2005), que também complementa afirmando que: "hoje em dia, nada nos faz falar de modo mais solene ou prazeroso do que as “redes” de “conexão” ou “relacionamentos”, só porque a “coisa concreta” — as redes firmemente entretecidas, as conexões firmes e seguras, os relacionamentos plenamente maduros — praticamente caiu por terra" (BAUMAN, 2005, p.100).
 
Assim, percebe-se, com base na afirmação de Bauman (2005), que muitas vezes, com o objetivo de fugir da realidade em que se encontra, o indivíduo passa a viver uma “realidade” criada em ambientes virtuais, para que com isso, possa construir os relacionamentos, que muitas vezes não consegue, a partir de sua própria identidade, ou seja, sem utilizar máscaras. E com isso, a pessoa deixa de amadurecer, e consequentemente de viver um relacionamento maduro.

A partir destas ideias percebe-se que a sociedade vem convivendo cada vez mais com a modernidade líquida, que segundo Bauman (2005), se caracteriza pela “mutabilidade” de relações, como citado anteriormente, que resultam em desprendimentos e levam ao ser humano a vivenciar um ciclo de consumo, que acaba por se tornar, na modernidade líquida, a principal forma de se obter a satisfação individual.
Com isso, as pessoas passam a perder o controle sobre as suas decisões, e muitas vezes, chegam ao ponto de culpar outras pessoas, por seus problemas e dificuldades.
 


REFERÊNCIAS:
AUGUSTI, Alexande Rossato. O individualismo contemporâneo e a comunicação sob a perspectiva da coabitação cultural. Disponível em: www.ufpel.edu.br/ifisp/ppgs/eics/dvd/documentos/.../gt2alexandre.pdf‎. Acesso em: 12/10/2013.
 
BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

MONTE, Sheila da Silva. A identidade do sujeito na pós-modernidade: algumas reflexões. Itabaiana: Gepiadde, ano 6, volume 12.  Julho-dezembro de 2012.
 



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