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   > A BALA DE OURO: entre o real e a ficção no romance de Pedro Calmon



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      ENSAIOS

A BALA DE OURO: entre o real e a ficção no romance de Pedro Calmon

      Inegavelmente os muros fronteiriços separando a História da Literatura estão cada vez mais frágeis. O fio condutor e separatista entre as duas ciências imblicado na veracidade dos fatos, com a eclosão  das ciências sociais o mundo passou a conhecer outras “verdades”.
      Ideologias à parte, mulheres, índios, negros , gays, lésbicas contam para o mundo novas histórias, não restam dúvidas, permeadas também de subjetividades, afinal é da posição de conforto ( ou desconforto) que o veu da neutralidade se desfaz.
     Em “A BALA DE OURO: história de um crime romântico”  romance de  baiano da cidade de Amargosa, Pedro Calmon( 1902 – 1985)  publicado em 1947, resgata a história de um crime passional ocorrido na cidade de Salvador  no século XIX ( 1847) envolvendo duas famílias tradicionais de origens européias ( Fetal e Lisboa)  e dividiram opiniões do público e da política local no período ocorrido. Entre os mistérios que levaram um conceituado professor assassinar friamente uma jovem de 20 anos, contribuíram para  a realidade se ficcionalizar em lenda: A BALA DE OURO.
       Entre versos, prosas, controvérsias resgatadas de narrativas orais e documentais de viajantes da época,  Júlia Fetal protagoniza a novela Júlia, de Antônio Carigé Baraúna, circulada em folhetins, além de inspirar poetisas como Adélia de Castro. A sua história sob a ótica de Calmon ganha novos e surpreendentes discursos, de uma Salvador presa aos costumes  europeus.
        No entanto é através das pesquisas realizadas pela professora Dra. Neuma Maria Mascarenhas Paes, professora adjunta da UNEB, Campus II que passamos a conhecer os discursos míticos, históricos, sociais sobre a capital baiana expressos na obra de Calmon.
      Em um país onde a violência vem se rotinizando, reclamar de uma conta por exemplo, poderá se transformar em uma tragédia, faz-se necessário um toque de recolher nesse estado de exceção em que vivemos. Mas o que diferencia esse crime do passado com os atuais? Por que o assassinato de Júlia Fetal até hoje chama a atenção da literatura e da história?
      Júlia Fetal, apesar da criação rígida, foi uma jovem que rompeu com a tradição e com isso pagou com a própria vida. A  literatura ( ou seria a história) conta que a quebra de compromisso de noivado com o professor  João Estanislau Lisboa irritou-lhe a ponto de mandar fazer das alianças uma bala de ouro, invadir a casa da jovem e acertar-lhe no peito.
      Enquanto as opiniões se dividiram sobre o real motivo do crime, o assassino confesso não esclareceu o real motivo, aceitando indiferente a pena de reclusão de 14 anos no Forte do Barbalho. Enquanto esteve preso, continuou exercendo o magistério, dando aulas particulares. No entanto o silêncio do acusado sobre o fato, contribuiu com a imaginação  criativa do povo baiano em apimentar mais ainda o ocorrido. Com isso, há quem tenha colocado um estudante de Direito para um possível triângulo amoroso e pivô da tragédia, outros viram na mãe da jovem Júlia Fetal um obstáculo para a relação do casal, uma vez que ela era presa aos costumes  franceses e não via  a relação como algo benéfico para a filha... Mas a história que se consolidou e ganhou uma proporção maior foi a tal da “ bala de ouro” que o professor havia mandado fazer para alojar no peito da amada, transformando-a em uma lenda.
     O que realmente aconteceu para o professor João Lisboa assassinar Júlia Fetal?  Como separar a ficção da realidade? Júlia é uma lenda ou vítima de um crime passional? Será que a vaidade machista foi tão forte que ouvir um “não” provocou toda a tragédia? A oralidade enriquece o fato cada vez que é contado...
     Bem,  do lado da literatura  não temos compromisso com nenhuma  verdade, daremos a versão para esse romance... Evidente que houve um rompimento e Júlia Fetal, aos 20 anos resolve não mais se casar com João Lisboa.  E  por ser rejeitado, o professor, possivelmente dispara um tiro usando uma bala comum e fecha-se em copas durante todo o tempo que permanceu preso. E enquanto o “coitado” exercia as mesmas funções de antes do fato ocorrido, ganhando um dinheirinho extra das aulas particulares, a “rebelde” Júlia Fetal por ousar romper com um noivado jaz no túmulo das Carmelitas, com direito aos versos de Adélia de Castro em sua lápide, num protesto silenciosamente gritante.
       Ei, esse final é literário!  O fato realmente aconteceu, mas será que o professor  mandou fazer mesmo um bala de ouro?! Essa resposta ele também levou para o túmulo. Se ele quis o seu nome junto ao de Júlia Fetal, conseguiu e para sempre.
       
 
 
 



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