Busca: 

Apelido:

Senha:


Esqueci minha senha
 
  Área do autor

Publique seu texto
  Gêneros dos textos  
  Artigos (651)  
  Contos (939)  
  Crônicas (730)  
  Ensaios (169)  
  Entrevistas (35)  
  Infantil (204)  
  Pensamentos (640)  
  Poesias (2501)  
  Resenhas (129)  

 
 
Enredos do Meu Tempo
Roberto Villani
R$ 30,50
(A Vista)



Natureza-03-181
Airo Zamoner
R$ 104,00
(A Vista)






   > O Pagador de Promessas



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      RESENHAS

O Pagador de Promessas

DIAS GOMES. O Pagador de Promessas. Peça teatral, 1959.
 
 
     Alfredo de Freitas Dias Gomes ou simplesmente DIAS GOMES, nasceu em Salvador em 1922 e vítima de um acidente de automóvel, faleceu em São Paulo em 1999. Pertenceu a Academia Brasileira de Letras o romancista e dramaturgo, destacou-se internacionalmente ao escrever e adaptar telenovelas e minisséries para Rede Globo.
     Autor de O Bem Amado, Saramandaia, Roque Santeiro, Carga Pesada, Mandala... Mas em O Pagador de Promessas, Dias Gomes ganhou entre outros prêmios, a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
     A peça teatral O Pagador de Promessas inspirou o filme homônimo em (1962) e chamou a atenção da crítica e do público por retratar uma Salvador em vias de mudança, mas ainda muito presa a intolerância religiosa e a discriminação.      De que forma Dias Gomes desnuda a sua cidade natal? Quem é o pagador de promessas ?
     Escrever sobre “O Pagador de Promessas” vem a tona três palavras que marcam a trajetória do protagonista da peça( filme): mentiras, corrupção e a ganância.  É a vida de um pobre sertanejo Zé-do-Burro que por ter uma afinidade muito grande com a terra e o seu animal de labuta diária, um burro chamado Nicolau, faz uma promessa para salvá-lo. E o que movimenta todo o enredo é justamente a promessa feita em favor do seu burro, ao ser atingido por um raio e conseguir sobreviver, o seu dono Zé-do-Burro promete levar uma cruz nas costas até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Andaria algumas léguas e depositaria a cruz no altar, e na volta, dividiria parte da sua terra com pessoas carentes.
     O problema  se armou por conta dessa promessa  ter sido feita num terreiro de candomblé, já que no povoado em que o Zé morava não havia a igreja, mas a imagem de Iansã... E só foi o padre saber do local de origem da promessa, não aceita a entrada de Zé-do-Burro na igreja. E a partir daí, cada qual começa a usar a situação do sertanejo para tirar vantagem e assim defender interesses próprios.
     A imprensa vendendo e manipulando a notícia de um lado e do outro líderes religiosos aproveitam-se para alfinetar  procedimentos religiosos contrários aos seus. Com isso, tudo que Zé-do-Burro falava era deturpado conforme a vontade e ganância de cada um.
     Enquanto Zé-do-Burro tenta convencer ao padre a entrar na igreja, Rosa, sua esposa, cai na lábia de um conquistador e aceita a sedução. Estimulado pelos curiosos a invadir a igreja para o cumprimento da promessa, a polícia é chamada e numa confusão, Zé-do-Burro é morto. Fato que choca os presentes e movidos por uma sede de justiça, invadem a igreja para que a promessa finalmente seja paga.
     Desde 1500 quando os portugueses aportaram  na Bahia, houve também um choque cultural imenso. O diferente precisou se adaptar, negar as origens, aculturar-se para ser “aceito”.  Infelizmente, estamos ainda vivenciando uma sociedade que agride o outro por ser homossexual, índio, negro, cigano, judeu, cristão... As mudanças caminham a passos lentos.
      Essa peça foi escrita há mais de 50 anos e denuncia essa não aceitação do outro... O quê mudou de lá para cá?
      Ainda causa inquietação no outro “diferente” quando alguém se diz ateu, adepto da maçonaria, evangélico, espírita, seguidor de um terreiro de candomblé, católico praticante, cristão, politeísta... Por quê?  Somos frutos de uma educação para respeito aos semelhantes, ao próximo e nunca ao diferente... Culturalmente somos reflexos dessa sociedade que o diferente é o índio, o selvagem, é o outro. Zé-do-Burro é apenas uma máscara que escancara para o mundo o nosso maior defeito: DISCRIMINAÇÃO.
      Respeitar as diferenças é a guerra interna que precisa ser vencida. Interna, porque muitos repetem os discursos de estranhamento do outro sem perceber como cada um defende o “seu pedaço”.  Você pode escolher o caminho que irá seguir a sua fé, ciência, intuição, superstição, lógica, incredulidade, ou até mesmo o acaso irá lhe conduzir nas tomadas de posição ou no pagamento das suas promessas. No entanto, a sua opção não é única nem universal.
 
 
 
 



CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Você poderá votar e deixar sua opinião sobre este texto. Para isso, basta informar seu apelido e sua senha na parte superior esquerda da página. Se você ainda não estiver cadastrado, cadastre-se gratuitamente clicando aqui