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   > A MULHER DOS SONHOS



Geovani Silva
      CRôNICAS

A MULHER DOS SONHOS


 
Escorado com o queixo sobre a própria mão sentado na cadeira da sala, Aldo ficou pensativo sobre as circunstâncias da vida. Sobre como as coisas acontecem e às vezes existem algumas que fossem melhor que não existissem.       Tentava em vão relembrar todo o trajeto que no dia anterior fizera até a entrada do shopping estação em BH. Foi a primeira vez que se deparou com uma mulher tão bela. Aldo nada fizera nada falara. Pois ele ficou em um estado de paralisia temporária. Todo seu corpo ficou num estado caótico.
Assim que manobrava seu Uno logo na entrada a mulher o surpreendeu parando o seu Picasso bem na sua frente impedindo-o de entrar. Ele nada entendeu no momento. Quando Aldo viu aqueles olhos enrubesceu todo. Olhos verdes claros quase uma folha seca. Ela gesticulava delicadamente com a mão esquerda chamando-o, não acreditou que fosse consigo. Nem em um milhão de vezes poderia ser aquilo mesmo! Pensou aterrorizado. Como uma mulher tão bonita, desconhecida, rica e com um carro desses me enxergaria? E continuou chamando com o dedinho de unhas grandes pintadas em vermelho. Só um pouco depois percebera que era também uma loira maravilhosa. Cabelos claríssimos fazendo um coque presos com hachis. Não conseguira deixar de ficar olhando para os lábios enquanto mexiam e soltavam palavras confusas, entrecortadas.
Aldo ficara realmente encantado. Imaginou naquele infindo momento que aquela loira era a mulher de seus sonhos. Ela devia achá-lo de certa forma atraente. Mas como assim queria falar com ele? Não era possível! Não. Não poderia ser com ele! Estava solenemente enganado. Um mulherão de tão bonita, uma deusa não conversaria com um reles mortal. Um cara como eu dirigindo um Uno! Não! Ela deve estar chamando alguém atrás de mim. Virou a cabeça. Mas não havia mais ninguém. Sim era o próprio Aldo a quem ela pedia que se aproximasse. Ficou tremendo no volante quando entendeu por fim. Era com ele mesmo que ela queria falar. Quando chegou perto ela esboçou um sorriso acalmando seus nervos enrijecidos, concretados.
 — Bom dia, querido. Como faço para chegar a Venda Nova?
Ela só precisava de uma informação.
Ela, mulher dos sonhos de Aldo se dirigiu suavemente a Av. Vilarinho sem deixar coisa alguma de sua adorável presença.  Alem apenas do perfume que nem soubera dizer qual era.
 Estarrecido e abobalhado respirava fundo com as duas mãos na cabeça como se a segurasse para não explodir.
 Ficou ali sentado naquela mesma cadeira na sala imaginando se um dia a veria novamente, quando o encantamento nostálgico fora interrompido, partido enfim perdido pelos gritos agudos de criança e por alguém que se aproximava.
— Mô. Segura ele um pouquinho pra mim. Não agüento mais esse menino chorando.
 
 
 
Geovani Silva — Contos e Crônicas
          


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