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   > HELENA



Geovani Silva
      CONTOS

HELENA

 
Quando a conheci realmente não pude resistir.
            Jovem e belíssima. Cabelos longos e negros iguais à noite. Noites as quais eu ficava a observá-la chegar pelas madrugadas frias de inverno. Via-a chegar quase escondida debaixo daquele casaco em marrom escuro aveludado. Botas pequenas exibiam pés finos e delicados. As vezes chovia e mesmo assim podia reconhecê-la pela elegância em como ela levava um pé a frente do outro. Isso a fazia mexer o quadril de maneira peculiar, uma modelo em passarela. Era uma mulher deslumbrante.
            Eu a olhava tanto que foi inevitável ela logo não perceber. Passei a notar que aquelas pupilas negras também me correspondiam.
            Era ainda cedo quando ela chegava do trabalho. Aquele seu jeito de andar era inconfundível. Quando ela se aproximava o suor descia pelo meu rosto como se eu já estivesse no limite e tinha a expectativa de ter que lhe dizer algo. Estava sentindo que uma força crescia dentro de mim e não havia mais espaço. Então ela se aproximava olhando. Sorria um sorriso tímido, mas ela não era tímida. Estava na metade do curso para se formar em advogada. Era extrovertida e falava muito bem. Mas engraçado seu rostinho corado...     
            Cada vez mais perto enquanto as palavras iam-se montando, as frases tomando a melhor forma para cativá-la. Fiquei tenso. Era minha chance, a única. Era a hora de falar aquela paixão travada que estava me matando. Lá estava Helena toda linda, tudo que eu queria ao meu lado, tudo que eu precisava ao meu lado. Vinha e já estava me olhando e agitando os cabelos negros. Ela parou bem perto, desinibida, selvagem. Sorriu. Suspirou o cansaço da rotina.
            — E aí. Trabalhando muito?
            — Muito.
            — Cansada, dia chato, ônibus cheio...
            — Cheio, oh! Lotado. Chefe pegando no pé... normal, né?
            — Essa vida agitada merece um descanso.
            — É, não vejo a hora de tomar um banho, água morninha, lavar esse cabelo suado e ficar cheirosa.
            — Você não precisa de banho. Já é cheirosa.
            — Ta louco? Olha só o meu cabelo! Todo suado! Monte de gente esbarrando. Argh!
            — Seu cheiro natural, só isso. Adoro!
            Ela sorriu como quem tivesse amado ouvir aquilo. Desconfiei e entendi que rolava há tempos um sentimento mútuo. Pegou uma bala Ice Kiss no bolso tirou a embalagem e pôs suavemente na boca carnuda. E depois fez um biquinho e passava-a de um lado para o outro.
            — Aceita?
            — Aceito.
            — Pega...
            A sensualidade soava na ponta da língua. Deixou a bala entre os dentes alvos, o batom vermelho contrastando.
            — Serio?!— Enrubesci todo. Pergunta idiota! Puxou a bala para dentro da boca e tombou de lado a cabecinha e fez um gesto, um olhar que não entendi bem. Acho que fiz uma besteira em ter perguntado se era serio. Aí eu insisti.
            — E a minha bala?
            — Te dei. Você não quis pegar.
            — Então me dá.
            — Pega!
            Tarde demais. Já se ia rebolando a maldita fazendo charminho e jogando os lisos cabelos negros, a bela Helena.
 
Geovani Silva — Contos e Crônicas
            


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