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   > Moça bonita, do sorriso de flores...



Samuel Ramos
      CONTOS

Moça bonita, do sorriso de flores...

 Dizem as boas e as más línguas que ela nasceu em um dia chuvoso. Eu custo acreditar nisso. Eu sempre preferi imaginar a sua chegada ao mundo em um dia de céu limpo e de sol radiante. Mas, se as boas línguas dizem o contrário, não tem por que desacreditar. Mesmo sabendo que tempo chuvoso e de céu escuro não combinam com ela.
Se parece mais com o verão, ou melhor ainda, se parece mesmo é com a primavera e toda a sua explosão de cores e perfumes.
Olhando bem pra ela, sem desviar os olhos, é quase possível enxergar margaridas no olhar e um girassol aberto no sorriso. Pensarás que é exagero meu. Juro que não é. Um dia, isso já faz muito tempo, eu me pus à fita-lá e enxerguei todo um jardim em seu rosto enquanto ela contava uma história engraçada e sorria.
Ninguém sorri tão bonito quanto ela. É tudo muito espontâneo, natural eu diria. Quando ela fala, ela não fala, ela canta. Uma melodia suave e gostosa de ouvir. Eu passaria dias e mais dias escutando ela falar.
Já ouvi gente dizendo que no dia do aniversário dela o sol não aparece. Ele não é bobo, sabes muito bem que nessa data, ninguém consegue brilhar mais que ela. E aí então, eu entendo a chuva no seu nascimento.
Poucas vezes a vi chorando, e cheguei mesmo a pensar que ela não sabia o que era isso. E quando ela me provou o contrário, eu chorei mais que ela. Chorei por que não queria que ela soubesse chorar, queria que ela só soubesse sorrir e sorrir e sorrir.
Mas, mesmo com o coração estraçalhado e não sabendo muito bem como fazer, eu a tomei nos braços, e ela era tão leve, que quase saia voando. Enquanto ela soluçava, eu ficava pensando: Como pode alguém tão boa saber chorar daquele jeito?
E então eu senti tanta raiva, mas tanta raiva de quem a fizera chorar, que me desconheci e me conheci naquele exato momento.
Foram dias de muito sol aqueles dias. O astro rei, em sua infinita bondade, sabia que alguém precisava brilhar por ela, e ele fez isso magistralmente.
Ela aos poucos ia murchando, desbotando e se curvando tal como fazem as flores no fim de suas vidas. E eu fui tomado pelo desespero. A idéia de nunca mais enxergar as margaridas em seus olhos e o girassol aberto em sua boca me consumia. Eu a reguei, adubei e todos os dias trocava sua terra da melhor maneira possível. E assim, como em um passe de mágica, um belo dia de chuva enquanto eu cantarolava alguma coisa baixinho, eu escutei ela me acompanhar. E eu fui aumentando, aumentando e aumentando o tom, até que em poucos minutos nós dois gritávamos juntos.
E nós cantamos, cantamos, e dançamos, dançamos até nos cansarmos e cairmos exaustos no chão. Olhamos um para o outro e lá estava o jardim mais belo que já vi em toda minha vida.
Ficamos em silencio por um longo tempo, eu com certeza, com cara de bobo. Já ela com margaridas, azaléias, orquídeas e mais um milhão de flores no olhar.
Enquanto isso lá fora, nada de sol...


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