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   > PITOCO*



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CRôNICAS

PITOCO*

Pitoco era um garotinho de 10 anos de idade. O pequenino carregava uma carga enorme em suas costas, porque era vítima do bullying devido uma terrível gagueira. Filho de pais pobres, ausentes no processo educacional da criança não perceberam o problema que o menino enfrentava na escola. Deixando-lhe cada dia mais retraído, triste e infelizmente mais nervoso e gago.
Certo dia o garoto tinha que responder uma atividade em parceria com outro colega, estudara bastante em casa, treinara as prováveis respostas, mas na hora da sua fala, ficou nervoso, as palavras se embaraçaram e eram risadas, provocações de todos os lados.  Sob a pressão Pitoco tentava:
_Eeeu  não  re-re-re-re...
_ Já sei Sr. Pitoco! O senhor mais uma vez não estudou e não respondeu a questão! Interrompe a professora com cara de poucos amigos. E ainda complementa:
_ Assim não dá, menino! Você nunca responde!
Pitoco que havia passado a tarde do dia anterior estudando, indiferente as gozações, retruca impaciente:
_Nnnnnão! eu...eu res...res...pondi. Eu ia di...dizer re-re-repeti essa ta-ta-ta...
_ Tá, tá, tá... já entendi. Corta a professora.
E o riso era geral porque a resposta de Pitoco sempre chegava após duas a três questões discutidas. A professora inexperiente, não tinha nenhuma paciência nem fora capacitada para tal situação. Os colegas se aproveitavam  da situação de Pitoco:
_ Pitoco, é verdade que o seu "Feliz Natal é pronunciado no São João? Perguntara sorrindo, Danilinho.
_Professora, Pitoco disse que quer responder todas as perguntas! Era a vez de Amala provocar.
Até que um dia, Pitoco chega mais cedo na escola.  Ele levava uma flor para a professora mas não queria que os outros colegas vissem e começassem novas gozações. Entra silenciosamente na sala e a encontra falando ao celular sobre as dificuldades de aprendizagens da turma. Surpreso, percebe que ela atribuia os problemas enfrentados  um "menino gago" que atrapalhava o tempo inteiro e dispersava a turma. E num suspiro de desabafo, a professora - que não havia percebido a chegada de Pitoco_ diz não saber o pecado cometido para ter que carregar aquela "cruz".
Isso foi o suficiente para deixar o garotinho arrasado. Lentamente, Pitoco sai da sala chorando e encontra com uma equipe de professores municipais de Iaçu, solidários tentam ajudar aquela criança. Ao descobriram a intenção de Pitoco  (o garoto queria escrever um bilhete  à sua professora)  entra em ação a EQUIPE PITOCO para ajudá-lo:

" Querida fessora,

Tô escrevendo em poucas linhas a minha desistência da escola, sinto muito, mas não estou aguentando as brincadeiras, as risadas dos meus colegas porque sou gago. Por isso vou abandonar. Até que gosto da escola, mas eles me deixam de fora de tudo, parecendo que sou palhaço.
Um beijo e um abraço,
Pitoco
  05/02/2014"

E com esse bilhete feito a várias mãos, Pitoco desiste. Só que o abandono escolar causa transtorno, pois perde a bolsa-família, a mãe fica irritada, agride a criança que se distancia mais ainda da escola.  A mãe fica sem saber como ajudar o filho e recuperar também o benefício. Cada um que sabe do problema de Pitoco dar sugestões diferentes: Vizinhos, porteiros, colegas, assistente social, zelador... Com isso cartazes, charges, anúncios, sermão religioso eram feitos para tentar trazer Pitoco de volta.   
Até que alguém alerta que o problema de Pitoco poderia ser resolvido se ele se sentisse amado por todos a sua volta. Ele era diferente, mas a sua diferença tinha solução. A mãe do garoto rapidinho  resolveu fazer a sua parte, e pede ajuda a quem? Quem? A EQUIPE MÃE resolve ajudá-lo fazendo uma poesia em sua homenagem:

"PITOCO

Pitoco meu filho querido
Tenho tanto amor para te dar
Tudo que aconteceu
Não foi para te humilhar.

Perdoa a sua mãe,
Que não soube te compreender
E no momento de fúria
Cheguei a te ofender.

Tenho certeza
Que tudo no mundo é diferente
Temos nossas limitações
Pois ser diferente é normal
Quero dizer-te, meu filho
Tu és especial.

Eu te amo e não sei viver sem ti.
    Equipe Mãe"

Pitoco continuava apático. Não comia direito, indiferente a toda a manifestação que estava acontecendo. No entanto, ao ouvir o poema da mãe, esboçou um sorriso tímido, alegrou-se por dentro. Mas não tinha ânimo para encarar os colegas e a professora.  Não queria ser visto como um transtorno. Preocupada a mãe da criança levou a um médico.
Ao saber dos problemas enfrentados, o médico decide pedir ajuda a EQUIPE MÉDICA de plantão porque o bullying para ser combatido todos teriam que ajudar. E conforme o diagnóstico, a Equipe Médica recomenda:

" 01 comprimido de autoestima de 6 em 6h durante seis meses.
01 comprimido de alegria de 8 em 8 h durante seis meses.
10 ml. de determinação de 12 em 12h durante seis meses.
10 ml.  de incentivo uma vez ao dia durante um ano.
Acompanhamento com fonoaudiólogo uma vez por semana ( um ano)
Não é necessário repouso.
Recomendo muitos momentos de lazer com a família.
EQUIPE MÉDICA"

Na escola, todos sentiam falta de Pitoco.  A professora do garoto fez uma reunião, ouviu o desabafo de outros funcionários e resolve também fazer algo para trazer o garotinho de volta às aulas. Claro, pede ajuda a EQUIPE PROFESSORA e fez uma carta:

"Iaçu, 05 de fevereiro de 2014

Querido Pitoco,

Estou lhe escrevendo para lhe dizer que eu e seus colegas estamos sentindo a sua falta durante às aulas. Já se passaram mais de duas semanas que você não frequenta à escola, estive conversando com sua mãe e a mesma relatou o motivo de você não querer estudar.
Devido aos fatos ocorridos percebemos que você ficou bastante magoado e resolvemos em reunião com direção e funcionários da escola rever nossas atitudes diante das diferenças e limitações que as pessoas apresentam.
Queremos através desta lhe pedir desculpas pois percebemos que a gagueira não é algo engraçado e oferecemos um acompanhamento de profissionais ( neurologista, fonoaudiólogo e psicólogo). Reconhecemos que você é um aluno que tem grande potencial e esperamos ansiosos a  sua volta.
Um forte abraço,
Sua professora, Maria."

Pitoco abre os olhos lentamente, olha o relógio... De um pulo sai voando para o banheiro...
As férias acabaram!

_____________________________________________
* Texto feito à várias mãos. A poesia, o bilhete, receita e carta são frutos da oficina: PRÁTICAS DE LEITURAS E ESCRITAS, ocorrida na cidade de Iaçu com professores do Ensino  Fundamental I e II.

                                Iaçu, Bahia/ fev. 2014







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