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   > LICOR



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      CONTOS

LICOR

                                                             Para amiga Belém
                                                Responsável pelo "O Bom de Gole"


         Não adiantou o olhar de raio X para aquele jovem tímido, ele fingiu não perceber e entrou rapidamente na Casa Lotérica Paraguassu.  Através da minha amiga Tote, moradora daquela cidadezinha baiana chamada Iaçu, descobri o nome dele: LICOR. Pôxa,  Licor... Estou com sorte! Já imagino o porquê da timidez. Acredito que temia alguém perguntar o seu nome e desistir da aproximação... Mas não era o meu caso, pois sofria na pele a arbitrariedade do nome,  queria experimentar daquele licor... Os olhos  dele diziam muito.

         Ah, esqueci de me apresentar, sou Amendoim. Não ria, é sério! Meus pais me presentearam com uma “Marthalitta Amendoim”, nem me pergunte como eles descobriram esse nome, acho que usaram uma mistura, e como meu avô era plantador de amendoim, resolveram homenageá-lo. Antes ficava furiosa com as piadas, mas hoje encaro numa boa e sinto-me honrada por carregar  o apelido de vovô em meu nome.    
             Comecei a imaginar que Amendoim e Licor daria uma dupla excêntrica legal. E fui à luta!  Daquela  praça principal, que mais tarde descobrir ser dos Ferroviários  fiquei à espera e quando aconteceu...

        Aproximei de Licor e joguei meu charme de adolescente moderninha que sai da capital para passear no interior. O coitado transformou-se  num pimentão. Aquilo me deixou mais animada, agora era questão de honra, não deixaria passar a vez, aquela primeira dose  teria que ser minha.

        _ Olá, você é o  famoso Licor iaçuense? Estou com sede...

        _ Eeeu?! Ssssim! Gaguejando e olhos colados em minha face à espera de um deboche.  Licor me respondeu, enfiando as mãos nervosas nos bolsos.

        _ Ei, calma! Só achei você um cara simpático e imaginei que precisava de companhia assim como eu, podemos sentar ali naquele Bar Eldorado? Ou na Sorveteria Maia... A não ser que você prefira comer um espetinho daquela Pastelaria... Dizem que é delicioso!

        Foi o meu mal. Essa mania de ser direta... Acho que Licor não estava preparado para ouvir que tinha uma jovem praticamente da mesma idade dele, 17 anos, interessada.  Simplesmente, tentou falar, pedir desculpas enfim, só conseguiu:

       _ Ãh,  ãh, vvvvo-vo-você... vvocê... eu? Ssssin- sinto... muito, com...com licença!

          E desapareceu meio que empurrado pela multidão de transeuntes que aguardavam a liberação da via férrea, pois naquele momento tinha um trem no meio do caminho.  Um trem que por muito tempo dividiu a pequena cidade em dois pólos: Centro e Depois da Linha.

        Ah, Licor! Você não sabe o que uma pessoa determinada é capaz de fazer... Investiguei, consegui a ficha completa. Sabia onde morava, com quem, o que fazia... Tudo! De imediato, fantasio o nosso reencontro. Em pleno período junino, a cidade em festa e aquele licor reservado...

         Na noite seguinte, orientada pela amiga Tote, visto-me especialmente para o Licor, minha roupa comprei na Charme Modas, uma lojinha em que fui apresentada a simpática "Lu". Encontrei-o  nu da cintura para cima, confesso, um belo rapaz.  Tínhamos algo a acertar e deixei claro:

       _ Licor, não gosto de ficar falando sozinha! E como não terminamos o nosso papo que iniciamos ontem lá naquela Praça dos Ferroviários, hoje venho finalizar.  E sem dá tempo para os gaguejos, abracei-o roubei um beijo.

        Percebi que estava trêmulo e o que começou com uma brincadeira de adolescente, tornou-se algo  sensual.  Licor dominava, a timidez evaporou. Dois adolescentes  entregues ao calor do momento e ao som de um forró gostoso com cheiro de canjica no ar. Licor sorridente diz:

_ Pensei que veio me perguntar se sou Licor Rebentão, Tradição ou O Bom de gole...

Sorri bastante e fiquei curiosa para saber mais sobre aquilo. Ele prontamente explica que naquela pequena cidade em que nascera, essas marcas de licor eram as mais procuradas. Diante da informação, respondo:

Tradição, Rebentão ou O Bom de gole? Acho que vou precisar de outras doses para saber. E ele prontamente atendeu cobrindo-me de beijos. Ouvia alguns estouros ao longe, o som confundia com as batidas aceleradas do coração... Não desgrudamos um minuto naquela noite. Parecia que os fogos, a algazarra lá fora eram para batizar aquele encontro.

        Fiquei  enfeitiçada por Licor e tenho certeza que ele também por mim, mas queria deixá-lo livre para escolher-me entre outros braços...E quem sabe a saudade impulsionaria a fazer o mesmo caminho que fiz para localizá-lo? Na manhã seguinte, fugi embriagada para a capital baiana, louca para ficar naquela cidadezinha e me tornar expert em licor, mas resisti bravamente a minha paixão... Mesmo sabendo o quanto me custou afastar daquele... Bom de gole, um Rebentão que por Tradição jamais me ofereceu uma segunda dose.

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 Bom carnaval! E uma semana de paz, saúde e alegria para todos!

                       Bahia, Brasil,  2014! 

 

 

                                

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                           



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