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   > Conquistando Com Fé



Valdívio Barbosa Rocha Filho
      CONTOS

Conquistando Com Fé

  •           Apareceu do nada, nem como, nem de onde veio sabiam, mas todos da família o amavam como se fossem do mesmo sangue. Emanuel já era homem maduro tinha casa e até mulher, um emprego de funcionário público na cidade que mal dava para comprar feijão e arroz. Quando pequeno corria atrás das vacas para o pai que lhe criou e buscava lenha para a mãe cozinhar o feijão do almoço.
  •                  A mãe de criação que ganhou, D. Rosa, não deixava que faltasse nada aos filhos. Criou-lhe como todos os outros sem distinguir o melhor do pior. Sem dar sapatos nem roupas novas e por isso habituaram-se pela pobreza a ser humildes. O que comiam vinha da roça do pai, Sr. José de Jesus. Capinava e plantava, dava uma segunda capinada e depois colhia. Assim viveu o tempo em que tinha sete bocas para dar o que comer. Matava porco quando a coisa apertava, colocava na dispensa e passavam um mês comendo farofa de feijão com torresmo. Cada filho tinha sua ferramenta e desde cedo aprenderam que deviam trabalhar.
  • Apesar de ser uma batalha a vida que levava, Emanuel era aberto às oportunidades que apareciam, por isso conseguiu o emprego de gari na cidade. Depois que juntou os panos com Benedita o pai deu-lhe duas vacas e pedaço de terra para construir um barraco. Juntou alguns amigos peões, fez uma gorda feijoada e iniciaram a construção. Alguns dias depois a casa estava pronta. As paredes de adobe e as estacas de baraúna foi presente do pai. A mãe teceu uma bela rede para lua de mel. Quando ele e Benedita inteiravam oito meses de entrelace, ela grávida de cinco meses, um amigo o convidou para trabalhar na cidade grande, São Paulo, disse das oportunidades de emprego e a quantia que ganharia se concordasse em ir. Emanuel sem pensar muito viu que era três vezes a mais do que recebia mensalmente trabalhando de gari. De mediata, recusou a oportunidade.  
  •          Naquela noite conversou com a mulher sobre a proposta, fez a ela pequenas comparações de planos que pudessem ser realizados com aquele dinheiro.  Benedita não queria ficar sem o marido, se achou descontente vendo que Emanuel estava entusiasmado para trabalhar na cidade grande. Tentou despistar as conversas falando do filho, que as simpatias não negavam que era um menino forte como o pai. Depois disse que era feliz do jeito que vivia.
  • Percebendo que Benedita não aprovava sua idéia, Emanuel fez sua escolha e anunciou-a para a família e o amigo. Mesmo que sua esposa não aprovasse, nem a mãe e nem o pai, ele queria ir para voltar bem de vida. Sabia trabalhar, tinha coragem e queria, na cidade do dinheiro ele conseguiria o suficiente para ajudar a família. Não esperou nem o filho nascer, e sua desculpa foi que queria dar futuro para o pequeno que vinha. Pegou uma das vacas, vendeu e comprou a passagem de ida e algumas coisas para comer durante a viagem. Enfiou algumas roupas num saco e partiu. 
  •         Chegou a São Paulo e logo tratou de conseguir emprego. Foi a um restaurante, mas seu perfil não se enquadrava ao cargo. Foi em uma barbearia, mas mal sabia fazer a própria barba. Seguiu de quadra em quadra até que conseguiu emprego de ajudante de pedreiro em uma das tantas construções que havia ali. Passaram-se dois meses e a saudade batia forte no peito. Todos os finais de semana Emanuel ligava do orelhão da Construção para uma tia que morava perto de outro orelhão lá na pequena cidade. Ali os dois conversavam por horas e ele desabafava. Passava o próximo mês, o quarto, o quinto mês e nada de dinheiro render. Tudo o que ganhava só dava para pagar as contas, o aluguel que dividia com meia dúzia de peões, a comida e pinga no fim da semana quando sobrava algum trocado. Permaneceu naquela desgraça sendo escravo do capitalismo, num sofrimento terrível, durante todo o tempo com as ilusões de ganhar muito dinheiro e se ver livre daquele inferno. Bom, o tempo de ganhar muito dinheiro nunca chegou, Emanuel pediu que a tia dissesse para o pai vender a outra vaca e mandar o dinheiro. Algum tempo depois ele foi até uma agencia e comprou a passagem de volta, pegou seus trapos enfiou em um saco e voltou para sua terra. Onde o que tinha, muito ou pouco, era seu.
  •                 Dez anos depois lá estava Emanuel capinando, o filho também, seu pai e seus irmãos, cada um com sua ferramenta. Benedita de barriga cuidando de mais dois bacuris, um de seis e outro de quatro anos. Trabalharam muito e compraram a terra do vizinho, com alguns investimentos compraram mais de quinhentas cabeças de gado, tinha galinhas e porcos no chiqueiro. Vendo tudo o que conquistou, Emanuel disse a seguinte frase: “o que é seu, é seu! Não precisa correr tanto, Deus trás em suas mãos”.


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