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   > Suindara, a corujinha pop star



Elisabeth Silva de Almeida Amorim
      INFANTIL

Suindara, a corujinha pop star

Numa linda tarde de verão as aves resolveram fazer uma grande festa de confraternização. Escolheram o local e uma ave avisava a outra, contanto que cada pássaro teria que levar o que ele tinha de melhor para socializar com os demais. E assim ficou combinado, escolheram uma árvore bem frondosa à beira da estrada e o evento ficou para o dia seguinte às três horas.

No dia da festa, desde o amanhecer as aves voavam para o local combinado. A copa da árvore ficou pequena para tantos pássaros, à tarde já não tinha mais espaço. E os pássaros ficaram sobrevoando, à beira da estrada, nas árvores mais próximas... Ninguém queria perder o grande evento. O gavião, organizador da festa, tomou a palavra, ao perceber a presença do urubu, fez logo uma piada:

_ O que um urubu tem de especial para nos mostrar?

O urubu, bem tranquilo sem querer perder o seu dia com as provocações de um gavião responde:

_Amigo, eu tenho a paciência. Eu sou tão paciente que espero você morrer de inveja para eu banquetear.

Todas as aves sorriram. E o gavião recolheu as garras de imediato, pois era o que ele tinha de melhor. E prossegue como se nada tivesse ouvido:

_Amigos, gostaria de saber qual a contribuição da águia para o nosso reino? Águia faz mesmo o quê?

E a águia, astúcia que só ela, responde:

_Amigos, socializo com vocês a minha persistência e inteligência. Nós precisamos ser persistentes, nunca devemos desistir dos nossos sonhos, não importa o tamanho nem o quanto os outros achem ridículos... Sejam persistentes! Eu sou tão persistente que ao envelhecer não faço biquinho, recolho-me e destruo o bico velho para que outro novo nasça! Ser persistente é sinal de inteligência!

Novos sorrisos e aplausos, dessa vez para a águia. Fato que deixava o gavião irritado, pois queria ser a ave mais aplaudida. Desistiu de provocar os parceiros. Achou que o seu gesto não tinha sido notado, ficou sem graça diante da resposta inteligente da águia, e resolveu fechar o bico.

Os pardais também falaram do belo canto, as araras mostraram o colorido das penas, beija-flores mostraram a agilidade no bater acelerado das asas. E assim, cada ave tinha a sua importância dentro do grande reino. E o título que seria dado ao pássaro que mais chamasse a atenção fora recolhido. Porque todos chamavam a atenção nos espaços ocupados e no que faziam. Saborearam os frutos que ali estavam e foram para os próprios ninhos.

A festa tinha sido um sucesso!

No entanto, ninguém percebeu a ausência da amiga Suindara, a corujinha rasga-mortalha. As três horas em ponto, encontram-se Suindara e seu bando à espera da festa. Elas não perceberam que a festa tinha acontecido às 15h ou seja 3 da tarde, horário em que elas dormiam. Olhavam de um lado para outro e a mata em silêncio! Até que Suindara viu os restos de frutos pelo chão, e vários vestígios de um grande banquete... Enfurecida, a corujinha disse:

_Manas, a festa aconteceu fora do horário para que nós não participássemos... Vamos nos vingar!

Pensa daqui, pensa de lá. Não tinha nada a ser feito.

_ E aí, Suindara? Você pensou qual será a nossa vingança?

_ É... manas, acho que só lamentar por ter perdido a festa.

E assim, Suindara e seu bando se abraçaram, voando baixo, deram um grande e terrível lamento. O choro de Suindara acordou todas as outras aves e assustou os humanos. Até o motorista que cochilava ao volante se assustou com a Suindara... E desde aquela noite, Suindara, a corujinha rasga-mortalha, tornou-se a pop star daquele reino. Ao ser entrevistada para falar o porquê do seu lamento ser tão assustador a ponto de atingir os animais racionais... Suindara, fazendo caras e bicos diante dos holofotes, responde:

_ Eu?! Sou a estrela do momento, não abrirei o bico sobre essa lenda, apenas brilho!

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Bahia/ 2014

 



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