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   > EU NUNCA PUDE TER UM CACHORRINHO



ADAN SMITH GONZAGA DE OLIVEIRA
      CONTOS

EU NUNCA PUDE TER UM CACHORRINHO

 
Eu nunca pude ter um cachorrinho. Isso era uma grande tristeza para mim. Meu pai não suportava animal de estimação, apesar disso, minha avó, que morava conosco, criava gatos. Meu pai aceitava, a contra gosto, até porque não queria criar problema com sua mãe, contudo havia também um limite para ela, que era não poder criar cachorro. Parecia que o problema dele não era com animais em geral e sim com cachorro.
A vida foi passando e minha vontade de criar cachorro foi diminuindo, até porque outros interesses iam surgindo. Quando adulto, minha namorada que mais a frente tornou-se minha esposa fez com que eu me aproximasse novamente dos cachorros, pois a mãe dela tinha esses animaizinhos em casa, inclusive uma cadela era criada dentro de casa, chegando a dormir na cama com ela. Até então, eu não sabia que poderia existir uma relação tão forte entre um ser humano e um animal, ao ponto deste ser tratado como uma pessoa. De início até estranhei e de forma oculta não concordava muito com isso. Eu até gostava de cachorro, mas sempre os vi sendo criado com um certo distanciamento dos seus donos, ficando fora de casa, comendo restos de comida. Contudo achei uma relação muito bonita.
Era muito bom brincar com os cachorros da minha sogra, de certa forma me trazia satisfação, pois, por não ter convivido muito com tais bichinhos, surpreendia-me bastante com a atenção que eles nos dispensavam. Outro fato interessante é que, a partir dessa interação, comecei a perceber que os animais têm “personalidades” diferentes uns dos outros. Eu achava que todos eram iguais, que ignorância a minha!
Brincar com os cachorros das outras pessoas era muito bom, mas eu não pensava em ter um, pois via o quanto de trabalho dava alimentar, mantê-lo limpo, levar para o veterinário, limpar sua sujeira, entre outras coisas.
Num período de final de ano, eu e minha esposa estávamos indo passar o final de ano na casa de minha sogra. Na entrada da cidade, vimos ainda de longe um cachorrinho de cor clara, porém muito sujo, cambaleando entre os carros, sem forças e sem orientação. Ninguém parava para ajudá-lo. Numa reação que sinceramente não esperava ter, parei meu carro e fui em direção ao cachorrinho. Ao mesmo tempo, um motoqueiro fez a mesma coisa. Este falou para mim que não teria como levá-lo para casa, mas que se eu cuidasse do animalzinho, Deus seria grato a mim.
O cachorrinho, que era peludo, tinha cocô e carrapatos por todo corpo. Seu cheiro estava insuportável, ainda mais quando o coloquei dentro do meu carro, contudo seu olhar era encantador e aquilo, com certeza, mesmo não sabendo ainda, tocou-me profundamente. Levamos o cachorrinho para o veterinário. Inicialmente, eu apenas pensava em ajudá-lo. Depois de três dias ele teve alta da clínica. A esposa do dono da clínica o achou muito bonito e disse que tinha interesse em ficar com ele. Nesse momento, minha esposa perguntou o que faríamos. Sinceramente, naquele instante não pensei no trabalho que seria criar um animalzinho e prontamente respondi que ficaríamos com ele.
Depois de um tempo na companhia desse cachorrinho que minha esposa primeiramente batizou de Pingo e depois de Tobie, fui informado por minha mãe que ela e meu pai iriam vir me visitar, uma vez que eles moravam muito distantes de mim e há muito  não passávamos mais tempo juntos. Gostei muito da notícia que ela deu, por outro lado, fiquei preocupado, pois sabia que meu pai não gostava muito de cachorro. Tobie, além de ser um cachorro, ele era muito agitado, pulava nas pessoas, fazia suas necessidades dentro de casa, ou seja, tudo o que meu pai não gostava.
No dia em que meus pais chegaram a minha casa, estava apreensivo. Ao cumprimentar meu pai, fui logo me justificando sobre o cachorro e ele, pelo menos, falou que não teria problema, algo que não acreditei tanto.
Nesse mesmo dia, à noite, estávamos todos assistindo televisão, sentados no sofá. Eu tinha deixado Tobie dentro do meu quarto, para que ele não pertubasse meu pai, pois se isso acontecesse, tinha certeza que meu pai não passaria muito tempo em minha casa. Do nada, Tobie conseguiu abrir a porta do meu quarto e saiu correndo em direção ao local onde estávamos. Entre todas as pessoas que lá estavam sentados, ele foi justamente em direção ao meu pai. Eu fiquei sem reação. Só que para minha surpresa Tobie subiu no sofá e encostou cabeça no colo do meu pai, como se pedisse carinho a ele. Pensei meu pai vai jogá-lo no chão. Todavia, ainda mais para minha surpresa, meu pai correspondeu e alisou a cabecinha de Tobie. Daí em diante, surgiu uma grande amizade, que, para mim, eu nunca presenciaria.


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