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   > O Guardião



Gabi Alves
      CONTOS

O Guardião


Como sempre, só consegui ficar com sono por volta das duas da madrugada. Desliguei a TV, fui ao banheiro, depois à cozinha, peguei uma garrafinha com água gelada, fui para o meu quarto, tranquei a porta, ajustei o celular para despertar cedo, cai na cama e dormi. Por volta das 03h20am, ouvi uma pancada na janela, vi um clarão, rapidamente levantei-me e fui correndo até a janela para saber de onde surgia aquela luz forte, e quando fiquei próxima da janela eis que senti um vento tão forte sobre o meu peito que me empurrou até a cama, quase que ela se quebrou com o impacto, na verdade quase cai pelo vão entre a cama e o canto da parede, só não cai porque o meu braço esquerdo foi de encontro a cômoda o que atenuou todo o impacto, fiquei com o braço suspenso um pouco no ar para que a dor aliviasse, por um instante esqueci-me do clarão, até que ao virar a cabeça para me ajeitar, dei para trás rapidamente quando percebi que a claridade vinha se aproximando da minha cama, meu corpo ficou todo arrepiado, pois à medida que ia se aproximando dos meus pés, eu me debatia tentando inutilmente me afastar, visto que eu já estava no fim da cama. Percebi que era impossível escapar daquela situação embaraçosa, fechei os olhos apertando as pálpebras com toda força acreditando que quem fosse que estivesse por detrás daquela claridade me deixaria em paz se acaso eu conseguisse o ignorar.  
Tremendo, suando frio e sentindo tamanha dor insuportável em meu braço, estava quase chorando sussurrando orações. Foi quando uma mão áspera tocou a minha face direita e disse:
- Abra os olhos.
Fingi que não havia escutado e continuei com as orações agora mais intensas... Nesse momento levei uma bofetada no rosto e uma voz alta e estridente gritou:
- Eu mandei que abrisse os olhos. Anda, não queira que eu faça isso por você.
Tomei coragem, abri os olhos de uma vez e tive que encarar aquela criatura careca, tinha apenas a orelha esquerda e esta além de grande era pontuda, tinha uma boca grande cheia de dentes afiados similares aos de tubarão no centro de seu rosto e um olho esbugalhado no lugar onde deveria ser a boca, cerca de 1,50m de altura, gordo, pernas pequenas e finas, pés grandes com apenas três dedos com unhas que pareciam que nunca foram feitas de tão encravadas que eram e dois braços compridos com sete dedos em cada mão, sua cor era de um tom esverdeado misturado com marrom que davam um contraste ofuscante já que ambas as cores eram fluorescentes, ainda por cima fedia como peixe podre, era insuportável tanto para os olhos como para as narinas. Amedrontada fiz as seguintes perguntas:
- Quem é você?... O que é você?... O que quer comigo?
- Hein, com quem pensa que está falando, com sua mãe por acaso? Olhe essas maneiras garota, mas já que você insiste tanto em querer saber eu vou abrir logo o jogo porque eu não gosto de rodeios. É o seguinte, antes de revelar quem sou e blá blá blá, deixe-me esclarecer uma coisa: eu não sou o bicho papão que veio puxar a sua perna, muito menos um ogro, nada dessas coisas de faz de conta que existem por aí, certo?
- Ãhã.
-Como eu ia dizendo, eu fui enviado até você porque você foi escolhida após uma seleção entre milhares e milhares de milhões de garotas existentes em todo o globo terrestre.
- Seleção de quê? E pra quê?
- Se você calar essa boca eu conto, ok? Nada de interrupções, estamos entendidos?
- Sim.
- Como ia dizendo mesmo? Ah, certo, lembrei. Essa seleção foi feita através dos sonhos que vocês “garotas” chatas, mimadas, interesseiras, desinteressadas as coisas que realmente são importantes, garotas que só pensam em status ao invés de conteúdo. Meus dias de vida estão quase no fim, apesar dessa aparência um tanto desagradável, tenho desempenhado uma missão de suma importância ao longo dos últimos 500 anos, já vivi tempo demais sendo o guardião do portal entre a fantasia e a realidade. Para se dedicar a função tão importante, eu tenho que ser ruim, bravo, forte e valente para que as obras fictícias geradas a partir da imaginação não invadam o mundo real, e ao mesmo tempo tenho que ser feio o bastante para que a realidade tenha medo de migrar para o mundo utópico. Para que surja essa mistura, é necessário que o novo Randis (assim somos chamados) renasça a partir de uma garota fútil onde o maior desejo seja alimentar o seu próprio ego. A garota escolhida, por sua vez, não tem o direito de negar a solicitação, caso contrário pagaria com a sua própria vida de modo a servir de exemplo para a substituta. A garota escolhida deve ter entre 15 e 17 anos, boa saúde e óbvio, preencher os requisitos que eu mencionei há pouco. Você foi à eleita a trazer ao mundo o meu pequeno sucessor. Você virá comigo, eu retirarei o seu conteúdo reprodutor, unirei ao meu conteúdo reprodutor que está guardado a mais de 300 anos e depois de feita essa união, introduzirei o resultado em seu ventre e você gerará e trará a vida o novo guardião.  Você voltará para casa e não se recordará de absolutamente nada, eu cuidarei do pequeno Randis até que ele esteja forte o suficiente para se defender sozinho, então eu morrerei.
Meio que anestesiada com toda aquela história sem pé nem cabeça, fui arrastada por Randis em sua luz, passamos por um portal até que chegamos a um imenso laboratório todo branco. Não me recordo de muita coisa, apenas que fui obrigada a me despir, vestir uma roupa de paciente, deitar sobre uma maca e em meio a soros e aparelhos, eu recebi uma anestesia e apaguei geral. Acordei alguns instantes depois, aproveitei que estava sozinha, levantei da cama meio que atordoada, olhei em um espelho e para a minha surpresa eu estava com um barrigão que aparentava sete meses de gestação, eu sabia que iria ter que trazer um “bebê” ao mundo, mas não que tudo aconteceria tão depressa.
- O que você está fazendo em pé? Não põe em risco a vida do próximo guardião.
Corri direto para a cama, Randis me deixava apavorada, tinha medo do que ele pudesse ser capaz.
Minha barriga ficou maior e rebaixada em questão de minutos, comecei a sentir dores fortes nela, mais precisamente na região abaixo do umbigo, era uma dor insuportável, era pior do que as cólicas menstruais que sempre sugavam toda a minha energia, comecei a respirar ofegante, meu coração estava muito acelerado, até que urinei. Eu havia acabado de entrar em trabalho de parto e Randis não fazia nada, assistia tudo soltando uma risada alta, meus gritos agonizantes o deixavam nas alturas, seus gritos me deixavam louca:
- Isso pequeno Randis, faça-a sofrer, mostre a ela toda a sua força.
Após esforços exaustivos, o senti saindo de dentro de mim, assim que ele saiu àquela dor aliviou, Randis cortou o cordão umbilical, enrolou aquele serzinho em um pano, e eu apaguei...
As 07h00am o celular despertou, eu acordei meio exausta como se não tivesse dormido a noite inteira e o pior, eu não entendia o porquê de tanta dor no braço esquerdo... E por que havia sangue em meu lençol e em meu short se o meu ciclo menstrual havia terminado há apenas onze dias?


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