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   > Latin Ncap e o poder da informação



Maristela Zamoner
      ARTIGOS

Latin Ncap e o poder da informação

Mary Ward nasceu na Irlanda em 1827 e apesar de todas as dificuldades para uma mulher nesta época, tornou-se uma importante cientista dedicada à pesquisa ótica. Conta-se que Mary Ward faleceu no primeiro acidente automobilístico com vítima fatal da história, no ano de 1869. Foi quando começaram as preocupações com a segurança dos automóveis.
 
Entretanto, somente a partir de meados do século XX iniciaram-se experimentos que permitiam avaliações mensuráveis de danos provocados por colisões automobilísticas. Inicialmente estes testes, chamados crash tests, não utilizavam tecnologia suficiente para avaliar os efeitos de cada tipo de impacto sobre o corpo humano. Mesmo assim, os países de primeiro mundo começaram a criar regulamentações exigindo dos fabricantes quesitos de segurança nos veículos que disponibilizavam à venda.
 
Na década de 1970 o Brasil teve, nesta área, regulamentações bem atualizadas em comparação às europeias e norte americanas. Mas, à época a ideia de proteção biomecânica ainda não estava bem desenvolvida. Iniciava-se o uso de dummies, bonecos que originalmente foram aplicados em testes realizados com aeronaves. As avaliações veiculares se aprimoraram ao longo dos anos chegando a permitir estudos detalhados de impactos sobre motorista e passageiros pela utilização de dummies capazes de captar dados dos efeitos destes impactos veiculares sobre cada parte do corpo humano.
 
Infelizmente, a citada atualização brasileira da década de 1970 não se manteve. Os avanços nesta área ocorreram apenas fora do país com o surgimento de instituições dedicadas a realização de testes com dummies. Em 1979, surge a NHTSA nos EUA, conhecida pelo seu rigor, e em 1997 o Euro NCAP, na Europa. Hoje, fazem parte do Global NCAP, que conta com apoio financeiro da FIA (Federação Internacional de Automóveis), programas como Euro NCAP, Australasian New Car Assessment Program (ANCAP), China NCAP (C-NCAP), Japan NCAP (JNCAP), Korean NCAP (KNCAP), Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), US NCAP, Association of Southeast Asian Nations NCAP (ASEAN NCAP) e, na América Latina e Caribe, o Latin NCAP. Algumas destas instituições estão mais avançadas, já oferecendo testes para verificação do controle de estabilidade, segurança veicular em colisões laterais, contra postes, e até atropelamentos.
 
Somente a partir de 2010 o consumidor brasileiro passou a ter a sua disposição este tipo de avaliação veicular, e apenas para alguns dos carros oferecidos em seu mercado. Este ano de 2010 foi quando houve o lançamento do Latin NCAP, na forma de um programa piloto com duração preliminar de três anos, que perdura até a atualidade. Seus testes são realizados na Alemanha, nos mesmos laboratórios utilizados pelo Euro NCAP.
 
Conforme a própria instituição Latin NCAP divulga, os objetivos visam oferecer aos consumidores da América Latina e do Caribe: “avaliações independentes de segurança dos carros novos, estimular fabricantes a melhorarem o desempenho em segurança de seus veículos à venda” e incentivar os governos “a aplicarem as regulamentações exigidas pelas Nações Unidas quanto aos testes de colisão para os veículos de passageiros”.
 
Quanto a escolha dos exemplares testados, segundo o presidente do programa Latin NCAP, os veículos selecionados para os testes são adquiridos/escolhidos por auditores em lojas e encaminhados para a Alemanha onde são testados. É dada preferência a escolha de carros populares. Nos casos de veículos patrocinados, auditores do Latin NCAP também escolhem livremente os exemplares, enviam para teste e, por fim, encaminham a conta das despesas para o fabricante. Marco Aurélio Strassen, em postagem publicada no blog Auto Entusiastas registra: Quanto à idoneidade dos testes, nada a questionar. A entidade compra os veículos em concessionária para escapar dos "preparados de fábrica". Compra também os de testes patrocinados.

Os testes do Latin NCAP também seguem o modelo do Euro NCAP. São feitos de forma padronizada segundo a velocidade e o ponto de impacto, partindo-se, para estas definições, de estatísticas de acidentes. Diversos itens são detalhadamente avaliados e os dummies são programados para fornecer dados de proteção classificados nas categorias “bom, adequado, marginal, fraco e pobre”. Seguindo protocolos de padrão internacional, cada parte do corpo dos dummies é testada conforme esta classificação, incluindo separadamente cabeça, pescoço, braços, peito, parte superior das pernas, parte inferior das pernas, pés e tornozelo. Estas informações todas são resumidas em quantidade de estrelas, que variam de 0 a 5, para facilitar a compreensão dos consumidores. O Latin NCAP, seguindo sua caminhada, pretende incluir até 2018, para a atribuição da nota máxima no teste, a verificação de controle de estabilidade, segurança veicular em colisões laterais, contra postes, e atropelamentos.
 
De fato o Latin NCAP chega tarde ao Brasil. É, portanto, uma iniciativa ainda nova e tem muito a evoluir, mesmo estando sob os trilhos do Global NCAP. Mas, é também uma das estratégias mais bem estruturadas internacionalmente, disponíveis no Brasil.
 
O mercado brasileiro ainda não se deu conta do valor, para o indivíduo e para a coletividade, dos testes cujos resultados são disponibilizados pelo Latin NCAP. Poucos são os consumidores brasileiros que tem alguma compreensão sobre a história que trouxe o Latin NCAP até aqui, os princípios que o regem, os objetivos que almeja, os métodos que segue, o significado das padronizações e menos ainda sobre o poder dos resultados que disponibiliza. Em parte isto ocorre porque poucos conseguem chegar a estas informações. E muitos, ainda valorizam mais, nos veículos, características que não são avaliadas e nem certificadas por qualquer estratégia padronizada que seja.
 
Na caminhada rumo ao exercício da cidadania, seria importante o consumidor reconhecer, por exemplo, que determinadas fabricantes patrocinam testes somente de alguns modelos, obtendo bons resultados. Mas, outros modelos das mesmas fabricantes não são patrocinados e, quando testados por conta do Latin NCAP, chegam a resultar em zero estrelas. Isto é um fator que deveria levar o consumidor a questionar a segurança de carros cujas fabricantes não tomam a iniciativa de patrocinar estes testes já no lançamento do veículo. Em geral, os carros sem testes patrocinados são os mais baratos, até porque segurança custa, e justamente por isto o Latin NCAP dá preferência para avaliar por conta própria os carros de entrada de cada fabricante.Mas, as vendas atuais de veículos no Brasil confirmam que a maioria dos consumidores brasileiros ainda não usa a seu favor, e a favor do país, o trabalho do Latin NCAP.
 
O mesmo se nota quanto a outras certificações, como, por exemplo, a de consumo do Inmetro, que além da economia, vem a favorecer um planeta mais saudável. Existem fabricantes que se negam a submeter qualquer de seus veículos aos testes de consumo do Inmetro. Este é mais um aspecto que mereceria ser questionado pelo consumidor no momento de escolher seu veículo. Outro tipo de avaliação que muitos consumidores nem sabem que existe é oferecida pelo Centro de Experimentação e Segurança Viária (CESVI), que revela os valores gastos para recuperação de veículos submetidos a colisões de baixo impacto. Avaliações sistematizadas, padronizadas e criteriosas como estas oferecem informações raras, capazes de comparativos mensuráveis. Mesmo assim, estas instituições são alvo de críticas, algumas justas, outras injustas e outras ainda inconsequentes.
 
Mas, isto não muda o fato de estarem colocando nas mãos do consumidor brasileiro a informação que, quando usada para compra de um veículo, é exercício do poder para conduzir as indústrias a fabricarem carros mais seguros, menos poluentes e mais econômicos.  Assim, o consumidor diz, a cada compra de veículo, o que quer para o futuro da indústria automobilística brasileira. A exemplo do voto, a compra de um veículo novo bem avaliado em testes padronizados, tem poder de trazer mudanças desejáveis ao Brasil. Quanto ao Latin NCAP especificamente, observaremos nos próximos anos se o consumidor terá sabedoria para usar o poder da informação para conduzir a segurança viária brasileira a um futuro mais próximo de países de primeiro mundo.

Curitiba, 26 de abril de 2014.



FONTES:
 
http://www.globalncap.org/
 
http://www.latinncap.com/
 
http://abdc.jusbrasil.com.br/noticias/2922636/latin-ncap-divulga-novo-teste-de-colisao
 
http://www.automotivebusiness.com.br/noticia/17731/para-latin-ncap-seguranca-veicular-ganhara-mais-valor
 
http://www.autodata.com.br/modules/revista.php?m=reportagens&recid=2839
 
http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2012/12/a-dificil-missao-do-latin-ncap.html
 
http://caranddriverbrasil.uol.com.br/carros/especial/latinncap-aumentara-exigencias-nos-testes/7161
 
http://www.bebeconfort.com.br/pt-pt/seguran%C3%A7a-inspirada-nos-pais/autom%C3%B3vel-crash-tests/centro-de-crash-tests-de-segurana.aspx

http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2014.pdf

http://www.cesvibrasil.com.br/

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