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   > O SEGREDO DE DINÁ



Geovani Silva
      CONTOS

O SEGREDO DE DINÁ


Diná era linda. A mais cobiçada entre as mulheres da Rua Flores. Reservada e crua para alguns. Começava a se arrumar às duas da tarde. Lavava aqueles cabelos encaracolados, deixava-os úmidos. Maquiava-se demoradamente. O batom, de um vermelho vivo para chamar a atenção de quem ela queria. Aí colocava aqueles brincos de argolas de grande diâmetro. Para as outras era metida.
— Essa mulher! Sei pra que andar desse jeito?!
— É mesmo! Acha que ta desfilando. Ô boneca, ta achando que isso aqui virou passarela?!
Diná nada falava. Não devia satisfação de sua vida para qualquer um.
Saía todos os dias as seis. Gero o vizinho, não contava para ninguém, mas espiava-a de cima do muro de sua casa todo o santo dia. Ele admitia para si mesmo que era um covarde. Porque era sim apaixonado por Diná desde que ela mudara para a casa ao lado. Mas o fato era que ela saía as seis com uma roupa colada ao corpo. Uma blusa estampada e o salto elegantemente alto. Ele, o covarde ficava olhando-a ate que sumia na virada da rua. Nunca tivera coragem de dizer-lhe o quanto a queria.
                Certo dia quando não agüentava mais sofrer calado, contara para seu melhor amigo. Expôs-lhe o sentimento. Beto deu algumas risadas daquele jeitão introvertido de Gero.
                — Bem que eu percebia seus olhares disfarçados para ela!
                — Vai ficar fazendo piadinha, agora?!
                — Mas o que você tem a perder se falar com ela?! Acha que uma mulher tão bonita quanto Diná fica sozinha?! Se estiver solteira, meu amigo é por pouco tempo.
                Dina tinha duas filhinhas. Era uma mulher decidida, que sabia o que queria. Por isso também não iria se envolver com homem cafona. Beto já ouvira dizer que ela gosta de “homem que sabe o que quer”.
                Gero se animava. No fundo achava ser esta pessoa. Sentia que deveria ir adiante. Ficou pensativo o dia todo. Andava amoitado pelos cantos da casa. Não tinha predisposição para nada. Penava, pensava e revirava as idéias. Ficava procurando algum motivo para se aproximar de Diná. Olhava ao relógio. Ficava cada minuto mais impaciente. Subia no muro só para ver, confirmar a beleza de sua amada saindo pelo portão. Escutou a voz de Diná dando ordens as meninas que entrassem assim que ela fosse. Em um pulo ele escalou o muro e a olhou, ofegante e pasmo diante aquela impressionante escultura feminina. Veio rebolando lentamente, como era seu costume compassar. Desta vez deixou que ela o visse. De forma sutil ele queria começar se deixar ser notado por ela. Quase sem ar ele tentou um cumprimento:
                — Boa tarde, Diná!
                — Boa tarde! Como vai?
                Devolveu-lhe um maravilhoso sorriso. E isso foi para ele um grande começo. Ficou analisando todo o contexto da breve conversa: o olhar, o tom da voz e ate como que mudou o caminhar. Passaram-se dias. Ele, o covarde não foi mais um passo. Descobriu depois que ela tinha face book. Logo deu jeito de ter também. Antes nem ligava para isso, mas queria conhecê-la mais de perto. Entrou, olhou as fotos dela com as amigas, leu tudo sobre o que ela gostava. Copiou a foto que mais gostou. Depois a colocou na área de trabalho de seu computador. Beto dizia-lhe que isso já era coisa de gente reprimida. Esta obsessão não o levaria a lugar algum.
                Gero quis saber a que horas ela chegava. Não poderia ser tão tarde já que tinha duas crianças em casa e que muito provavelmente ficavam sozinhas. Ficava martelando. Deu dez, onze, e meia noite. De repente um carro pára em frente. Diná desce conversando com um homem. Mas ele não entra, logo vai embora. Gero mal consegue dormir pensando no sujeito. Arrependia-se por não ter tido a coragem de se declarar apaixonado por ela. Seu amigo estava certo pelo jeito. “Mas ela também já tem filhos...” tentava justificar seus atos, mas não tinha mais como se enganar. Não conseguiria esquecê-la tão fácil assim. Logo se via diante ao espelho e se achava mesmo um careta, um cara que iria envelhecer sem uma mulher. E o pior: um solteirão bobão, um tímido.
                A sua irmã por ciúme ou não achava que ela escondia alguma coisa.
                — Gero, já parou para pensar que essa mulher tem algo estranho?!
                — Alem de ser a mulher mais linda que essa rua já viu? Ou melhor, que esta cidade já viu?!
                — Não! Seu idiota! Por que ela sai todo dia as seis e só volta meia noite?
                — Sei lá, intrometida! Talvez ela trabalhe em uma lanchonete... Ô inveja, heim!
                Não dava a mínima às questões que a irmã levantara. Porque no outro dia seria diferente. Tudo já estava planejado, preparado. Enfim, desta vez não teria como voltar atrás. Ele iria abrir seu coração àquela cuja essência não ficava só em beleza física. Esperou para vê-la chegar mais uma vez à noite. Parou um carro. Só que desta vez era outro, um Fiesta prata. Não o Palio vermelho. Desceram. Entraram portão adentro. Demoraram-se horas. Ninguém saiu mais.
                Gero estava acabado no outro dia. Não acreditava que poderia ser daquele jeito. O dia passou lento. Desanimado quando descobriu, esperou-a na rua só para lhe dizer:
— Boa tarde, Diná! Como vai?!
— Bom tarde, Gero! Vou muito bem! Obrigada!
Com um sorriso bobo ele observava-a mais uma vez indo embora da sua vida. O covarde que continuaria a amar incondicionalmente, Diná, a garota de programa.
               
                                                                                                              Geovani Silva — Contos e Crônicas
 
 


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