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   > Era só mais um Silva



Ekassarine Luizy Meirelles
      RESENHAS

Era só mais um Silva

Douglas Rafael da Silva era um pai de família de  26 anos. E Douglas, infelizmente é plural.
No nosso Brasil, por ano, 50 mil Douglas morrem assassinados e nós não fazemos nada.
Nossas leis, nossa justiça, nosso estado, nossa sociedade, nós não fazemos absolutamente nada.
 
Hoje em um país, que se orgulha tanto do seu verde, amarelo e azul deixa apagar brutalmente as nossas cores com uma bala perdida, que sempre encontra um destino, que sempre destrói um destino.
 
E a maior prova disso é que em pouca diferença de tempo nós assistimos ao cantor Daniel Pedreira (Daleste) ser alvejado de cima do palco, vimos um jovem  ser acorrentado nu em um poste, sendo ofendido e agredido como se violência resolveria todo um erro de sistema, vimos o ator Romão ser preso injustamente, vimos a Cláudia mãe de quatro  filhos ser arrastada por um carro de polícia, vimos medíocres seres humanos colocarem bananas no carro do árbitro Márcio Chagas, e vimos o DG caído morto nos fundos de uma creche perfurado por uma bala que rasgou o coração de toda uma comunidade e me rasgou.
 
Vimos inocentes serem presos, serem humilhados, serem mortos. E o que não vimos?
Enquanto eu escrevo, enquanto você lê, o que acontece e a gente não vê? Ou a gente finge que não vê?
 
No nosso Brasil, ser jovem, negro e pobre é o maior perigo que existe,  no nosso Brasil SER é um risco à nossa vida.
 
Uma bala. Uma vida. Uma família. Um futuro. Uma grande e intolerável injustiça que acontece e se repete e se estende e nada muda. Em um lugar que se tem a oitava maior economia do mundo, morre tantas pessoas por violência quanto em uma guerra declarada. 
 
É gritante esta diferença. Assusta. E nos condena a uma reflexão: Como enquanto sociedade permitimos  que isso aconteça? Porque chegamos a este ponto? Como reinstaurar a ordem? Como realizar o progresso?
 
Na minha opinião, todas as respostas se voltam para a educação, para a reeducação. Crianças sem escolas de qualidade produz jovens sem oportunidades e por consequência profissionais incapacitados. Tudo está ligado e precisamos nos ligar também.
 
Sou uma estudante de Serviço Social e acredito, sonho e quero fazer parte de uma mudança. Eu quero ajudar o nosso Brasil a se educar, a se respeitar, a instaurar dignidade a todos os cidadãos. Eu acredito no poder de todos por um.
 
Eu acredito de verdade que um dia os “Silva” e os “Albuquerque” sentarão na mesma mesa de cabeça igualmente erguida. Eu acredito que um país cansado de perder mães, pais, filhos, trabalhadores, estudantes para o crime, para a corrupção, para o preconceito, pode revolucionar. Precisamos unir forças, ser a mola que nos levanta. Ser um impulso, ser o exemplo, ser a transformação. Eu acredito em um país onde pais não enterrem seus filhos. Onde jovens envelheçam com dignidade. Eu acredito em um país onde instituições públicas valham funcionalmente. Eu acredito em um país em que a cor da pele, seja só um adjetivo, uma característica e não um propósito para o preconceito.
 
No nosso Brasil as diferenças sociais MATAM e eu quero fazer parte de uma geração que veio para realizar A MUDANÇA.
 
Acreditar não é um ideal ilusório. Acreditar é o primeiro passo.
 



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