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   > O que faço da minha vida?



Ednoel Ribeiro de Amorim
      RESENHAS

O que faço da minha vida?

 O QUE FAÇO DA MINHA VIDA?
Reflexão baseada na entrevista do Dr. Mário Sérgio Cortella dentro do filme: Eu maior.
Entrevista disponível em: www.youtube.com
 

Por Frei Ednoel Ribeiro de Amorim

Prezado leitor, caríssimos irmãos e irmãs, recentemente tive contato com a entrevista do Dr. Mário S. Cortella concedida à equipe do filme Eu Maior sobre auto-conhecimento e busca da felicidade. Assisti à entrevista e ela me pareceu muito simpática e senti a necessidade de partilhá-la fazendo algumas considerações sobre a mesma. Na internet está disponível apenas um trecho da entrevista, mas este trecho de apenas 5 minutos é de uma profundidade, que vale a pena se ter contato com o vídeo.
Tratando a felicidade como algo eventual diz o Dr. Mário:

Uma ocorrência eventual...

Felicidade é uma vibração intensa é quando eu sinto a vida em plenitude em mim e quero que aquilo se eternize. Felicidade é a capacidade de você ser inundado por uma alegria imensa, por aquele instante, por aquela situação. Aliás, felicidade não é um estado continuo, é uma ocorrência eventual, sempre episódica.
Você sentir a vida vibrando seja num abraço, seja numa realização de uma obra, seja numa situação em que teu time vence, seja porque algo que você fez deu certo, seja porque você ouviu algo que queria ouvir, é claro que aquilo não tem perenidade, aliás, a felicidade se marcada pela perenidade seria impossível, a final de contas nós só temos noção de felicidade pela carência, se eu tivesse a felicidade como algo contínuo eu não a perceberia, nós só sentimos a felicidade porque ela não é continua, isto é, ela não é o que acontece o tempo todo e de todos os modos.

De fato, ele tem razão, no entanto na vida cristã existe um conceito que no meu modo de ver não pode ser olvidado, ou seja, não pode ser deixado de lado jamais. É a preciosa realidade da paz interior. Aquela paz que mesmo em meio ao sofrimento ela pode ser sentida em todos os momentos da vida, por aqueles que confiantes se entregam nas mãos do Senhor.
Creio que quem conquista esta paz interior em sua vida, pode sem medo dizer que é feliz. Mesmo que os momentos esporádicos de felicidade sejam raros, se tenho paz interior, se tenho paz de espírito, então encontrei o segredo para ser feliz em plenitude, o segredo para esperar com paciência as demoras de Deus, o segredo para aceitar o sofrimento e mesmo que você esteja no momento mais difícil de sua vida, mesmo comendo “o pão que o diabo amassou”, (risos) é possível viver em paz e feliz, na certeza de que o servo não é maior que o seu senhor. (cf. Jo 15,20). E ainda na certeza de que tudo isso é por causa do Reino do céu.
Em seguida ele responde à pergunta:
 
É possível ser feliz sozinho?
A ideia de felicidade sozinha ela teria que ter uma questão anterior: se é possível viver sozinho? Que como felicidade, pelo óbvio, só acontece com alguém que vivo está e viver é viver com outros e outras. Como não é possível viver sozinho, a possibilidade da felicidade isolada, solitária é nenhuma. Para que eu possa ser feliz sozinho é preciso que eu seja capaz de viver sozinho.
Mesmo a literatura como Robinson Crusoe que lida com um homem que está só, mas ele está só depois de ter vivido com outros, ele trás as outras pessoas na sua memória, na sua história, no seu desejo, no seu horizonte, não há história de ser humano que ele tenha sido sozinho da geração até o término. Se assim não há, não há possibilidade do se ser feliz sozinho.

Aqui apenas vale acrescentar, que na vida cristã existe a forma de vida monástica, ascética e mística. Homens e mulheres que escolheram viver sozinhos fisicamente, mas não espiritualmente, pois com eles sempre está o Senhor, que inclusive nos prometeu que sempre estaria conosco, até o fim do mundo. (cf. Mt 28,20) Neste tipo de solidão é perfeitamente possível ser feliz, como nos declara o belíssimo poema de Santa Faustina: “Meus momentos prediletos, solidão, solidão, mas sempre convosco, Jesus Senhor. Junto ao vosso coração passo horas agradáveis e junto dele minha alma encontra descanso. Quando o coração está repleto de vós e cheio de amor, a alma arde com fogo puro, então no maior abandono a alma não sente solidão, porque descansa em vosso seio. Ó solidão momentos da mais elevada companhia. Embora abandonada por todas as criaturas. Afundo-me toda no oceano de vossa divindade, e Vós ouvis ternamente as minhas confidências.”
Em seguida ele faz uma consideração sobre afilosofia como autoconhecimento... Diz ele que:

Nos últimos 50 anos do século XX nós tivemos mais desenvolvimento tecnológico do que em toda a história anterior da humanidade. Todos os 39.950 anos anteriores desde que o homem era homo sapiens sapiens na classificação científica foram menos do que os 50 anos restantes do século XX, seria a redenção da humanidade com uma questão: Porque as questões centrais permaneceram?
Quem sou eu? Pra que tudo isso? Porque eu não sou feliz apenas quando eu possuo objetos? Porque o mal existe? Porque não tenho paz em meio a tanta convivência? Neste momento não só a religiosidade sofreu um “revival” como a filosofia passou de novo a ser interessante. Ai é claro a filosofia como auto-ajuda, como auto-conhecimento, como auto-capacidade, como prática sistemática. E de repente temos no final do século XX em vários lugares do mundo e no Brasil também casas para estudar filosofia, procura de cursos de filosofia...

Realmente isto não é estranho, pois o homem nunca encontrou respostas convincentes que não levassem diretamente para Deus, mas para reconhecer isso é preciso honestidade. O velho e sempre novo patos Aristotélico retorna diante da natureza, do mundo, enfim, do desconhecido. O homem se encanta e esse encantar-se não se submente a conceitos pequenos é preciso transcender e reconhecer que existe um algo mais por trás de tudo isso, que muitas vezes é tido como sem sentido, mas que ganha todo o sentido no escândalo da cruz. Motivo de desencanto para alguns e de encantamento para muitos.
Por fim vêm a última parte do trecho e no meu modo de ver o ponto fundamental desta entrevista, quando ele traça um plano de vida realmente significativo e nos leva a reconhecer que a vida é breve e nós temos apenas uma, porque desperdiçá-la? Algo realmente que não trás nenhuma novidade, mas ao mesmo tempo extremamente esquecida, ou ao menos deixada de lado.

Quero ser importante...

Nós somos o único animal que é mortal, todos os outros animais não imortais. Embora todos morram, nós somos os únicos que além de morrer sabemos que vamos morrer. Teu cachorro está dormindo sossegado a essa hora, teu gato está tranquilo, você e eu sabemos que vamos morrer. Deste ponto de vista não é a morte que me importa porque ela é um fato, o que me importa é o que eu faço da minha vida enquanto a morte não acontece para que ela não seja banal, superficial, fútil, pequena. Nesta hora eu preciso ser capaz de fazer falta.
No dia que eu me for e eu me vou, eu quero fazer falta. E fazer falta não significa ser famoso, significa ser importante. Há uma diferença em ser famoso e ser importante. Muita gente é famosa e não é absolutamente importante. Importa: quando alguém me leva pra dentro, ela me importa para dentro de si, ele me carrega.
E eu quero ser importante, por isso para ser importante eu preciso ter uma vida que não seja pequena. Uma vida se torna pequena quando ela é apoiada só em si mesmo, fechada em si, eu preciso transbordar, ir além da minha borda, eu preciso me comunicar e preciso me juntar, preciso me repartir. Nesta hora minha vida que sem dúvida ela é curta, eu quero que ela não seja pequena.

Não poderia deixar passar essa oportunidade de partilhar esta entrevista e esta reflexão, que além de tudo é um convite para vivermos e vivermos em intensidade, aquilo que nos foi legado. Que pelo nosso trabalho pastoral e pelo nosso Acolhimento, nós tenhamos a capacidade de fazer falta, que nós tenhamos a graça de sermos importantes para a Igreja, que ela nos importe para dentro de si.
Do contrário poderíamos pensar: Valeria a pena ser, fazer e existir na Igreja sem ser importante? Precisamos ser famosos, conhecidos? Não nos basta ser importantes? É possível ser miliciano ou miliciana e ao mesmo tempo ter uma vida pequena? (risos) É claro que é possível! O desafio está em três palavras – Coerência, Transparência e Autenticidade.



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