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   > Anatomia de Teresa



Emanuel Reis Gonçalves
      POESIAS

Anatomia de Teresa

Havia uma luz ainda acesa,
O coronel a muito não a via,
Via Lucas, Zé George, a velha mesa,
O pouco brilho que a aurora refletia,
Mas de um momento este nunca se esquecia
Do cheiro ímpar dos cabelos de Teresa.
 
A sorte lançou sua piscadela!
O olho esquerdo ainda seco se havia,
E o direito: este perdeu numa esparrela!
Quando voltava da capela, em heresia
Pô-lo, um ladrão veio (ah, não!), em agonia
E ainda assim lembrou-se do sorriso dela!
 
Meteu-se a cavar seu tesouro.
Moedas, joias, coroas, prata pura
Não achou tolo ou seu ouro.
Mas ainda, em ato de bravura;
Não apenas sucumbiu à loucura,
Como o demônio subiu ao seu couro!

Lucas mudou seu gesto,
George nem venerava mais;
Pobre patente, pateta indigesto.
Escória do vento que andava pra trás
No entanto, moleque, ainda sagaz.
“Sou bélico, para amar não presto!”
 
Ergueu sua velha garrucha luxenta,
Meteu-a para frente, perto do pescoço
Fechou o olho cego, fez mira na venta.
Observou o cortês, pobre moço!
Quando finalmente lançou o caroço,
Sua arma enferruja, o cabo é que esquenta!
 
Frustrou-se em sua impotência dual,
Teresa em cortejo, ele sem desejo
O moço mocinho, esperto e irreal;
Foi lamparinando, lampejo e lampejo
Por fora, rodou-se; por dentro, um beijo!
Para o coronel, um suspiro fatal!
 
Foi cegando do olho bom, triste beleza!
A garrucha riu-se da falha divina;
Achou-se no fim, final de sua leveza!
Tão sério, o amor, por aquela menina;
Perdeu-se tão longe, na vida latrina.
Nem mão, nem amor, nem um olhar de Teresa!
 
 Havia uma luz ainda acesa,
O coronel a muito não a via,
Via Lucas, Zé George, a velha mesa,
O pouco brilho que a aurora refletia,
Mas de um momento este nunca se esquecia
Do cheiro ímpar dos cabelos de Teresa.
 
A sorte lançou sua piscadela!
O olho esquerdo ainda seco se havia,
E o direito: este perdeu numa esparrela!
Quando voltava da capela, em heresia
Pô-lo, um ladrão veio (ah, não!), em agonia
E ainda assim lembrou-se do sorriso dela!
 
Meteu-se a cavar seu tesouro.
Moedas, joias, coroas, prata pura
Não achou tolo ou seu ouro.
Mas ainda, em ato de bravura;
Não apenas sucumbiu à loucura,
Como o demônio subiu ao seu couro!

Lucas mudou seu gesto,
George nem venerava mais;
Pobre patente, pateta indigesto.
Escória do vento que andava pra trás
No entanto, moleque, ainda sagaz.
“Sou bélico, para amar não presto!”
 
Ergueu sua velha garrucha luxenta,
Meteu-a para frente, perto do pescoço
Fechou o olho cego, fez mira na venta.
Observou o cortês, pobre moço!
Quando finalmente lançou o caroço,
Sua arma enferruja, o cabo é que esquenta!
 
Frustrou-se em sua impotência dual,
Teresa em cortejo, ele sem desejo
O moço mocinho, esperto e irreal;
Foi lamparinando, lampejo e lampejo
Por fora, rodou-se; por dentro, um beijo!
Para o coronel, um suspiro fatal!

Foi cegando do olho bom, triste beleza!
A garrucha riu-se da falha divina;
Achou-se no fim, final de sua leveza!
Tão sério, o amor, por aquela menina;
Perdeu-se tão longe, na vida latrina.
Nem mão, nem amor, nem um olhar de Teresa!



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